Música

O violão com voz de Felipe Azevedo

Na retomada do Núcleo da Canção da UFPel, violonista gaúcho conversa sobre a interação entre melodia e acompanhamento e apresenta produção autoral

20 de Agosto de 2019 - 12h46 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

CD Tamburliando canções apresenta 12 composições (Foto: Maru Quesada - Especial DP)

CD Tamburliando canções apresenta 12 composições (Foto: Maru Quesada - Especial DP)

Com a presença do músico Felipe Azevedo, o Núcleo da Canção da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) recomeça terça-feira (20) suas atividades. O compositor, violonista, cantor e educador musical, vencedor de seis Prêmios Açorianos de Música, apresenta seu mais recente álbum, Tamburilando canções _ Violão com voz, projeto multimídia com Livro-cd e fala sobre o encontro entre melodia e acompanhamento no seu processo criativo. Às 19h, no auditório do Bloco 1, Centro de Artes, rua Alberto Rosa, 65, com entrada franca.

Coordenado pelos professores Leandro Maia e Guilherme Sperb, o Núcleo da Canção é um projeto de extensão do Núcleo de Música Popular, que teve início este ano. Os encontros são semanais e neste semestre ocorrerão às terças-feiras, às 19h.

Cerca de 15 músicos compositores participam de discussões temáticas nestes encontros. Há ainda espaço para apresentação da produção autoral de cada um. "São músicos de diferentes formações, é bem diversificado e isso reflete bem o que é a canção, não existe um detentor do saber", fala Maia.

Essa atividade mais prática é quase uma "roda de viola" voltada para o compositor tocar suas músicas experimentar temas, tomar as primeiras impressões e ganhar confiança. Os músicos também têm a possibilidade de criar essa composição na presença do grupo.

Maia explica que o Núcleo é pioneiro da pesquisa artística na composição de canções, uma metodologia acadêmica recente. O professor é ainda um dos fundadores de núcleo semelhante na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "O diferencial é que aqui se faz essa interface com o acadêmico."

A intenção é ainda desenvolver e entender metodologias para o ensino de composição de canções, uma disciplina que vai ser implementada no próximo ano. "Essa disciplina, que é uma área central da composição contemporânea, estava fora da academia.

Conversa com o público

Uma vez por mês um compositor convidado faz uma apresentação, além de conversar com o público sobre seu processo criativo. No primeiro semestre passaram pelo Núcleo artistas como Dona Conceição, Vitor Ramil, Mihay, Coletivo Horta, Bianca Obino e Chico Saraiva.

Desta vez Felipe Azevedo faz uma reflexão teórica sobre seu trabalho e depois passa para análise e demonstração do próprio repertório. "É um trabalho de caráter ensaístico, onde ele apresenta seu processo criativo", fala o professor e músico Leandro Maia.

Azevedo é violonista extremamente habilidoso e que possuiu sólida formação acadêmica. O artista que cursou licenciaturas em Letras e Música e fez mestrado em Letras se preocupa em produzir reflexão sobre o trabalho que desenvolve. "É um tipo de artista que faz a ponte (entre o academicismo e o popular) que núcleo quer fazer", fala o professor.

No CD Tamburliando canções Felipe Azevedo apresenta 12 composições. A obra passa por estilos bem brasileiros, como o coco, o samba de roda, o maracatu, a modinha, o choro e o batuque, além de trazer temas com inspiração na valsa e na milonga, entre outros.

No livro, o músico faz um ensaio crítico, analisa as composições e entrega as partituras para público. A abordagem é acadêmica, mas o conteúdo é acessível a quem quiser saber mais sobre o entrosamento do violão na história da música brasileira.

O músico traz a ideia de uma união entre o instrumento e a voz, um interagindo com o outro na produção das canções. Nas suas reflexões o compositor dá ao violão um novo status e o tira da posição de mero acompanhador da melodia. A obra é completada por um hotsite interativo.

Serviço

O quê: Núcleo da Canção convida Felipe Azevedo

Quando: terça-feira (20), às 19h

Onde: Auditório do Bloco 1, Centro de Artes UFPEL, rua Alberto Rosa, 65

Entrada franca

 


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados