Extensão

O outro lado da música

Projeto do professor Guilherme Tavares da UFPel tem podcast e músicas inéditas

16 de Outubro de 2021 - 13h57 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Título Lado B é utilizado aqui justamente como uma alusão a essa faceta mais obscura da produção musical (Foto: Pexels - Especial DP)

Título Lado B é utilizado aqui justamente como uma alusão a essa faceta mais obscura da produção musical (Foto: Pexels - Especial DP)

Basicamente o projeto Lado B - Músicas Impopulares (https://wp.ufpel.edu.br/ladob/) aposta em dois caminhos, um é o estímulo à produção musical autoral e o outro se propõe a compartilhar conhecimentos sobre um dos estilos mais populares do gênero, o rock. É deste setor da proposta que surgiu o podcast Sala de Ensaio - Histórias do Rock que chega ao sétimo episódio este mês. Acesso na playlist canal do Lado B no Youtube e pelo Instagram @saladeensaio_podcast.

A série Histórias do Rock, vinculada ao podcast Sala de Ensaio, começou a ser disponibilizada no Youtube neste ano, inicialmente com programas quinzenais, que na sequência se tornaram mensais, conta o criador e coordenador do Lado B - Músicas Impopulares, o professor Guilherme Tavares, do Bacharelado em Música da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Neste mês os comentaristas Guilherme Tavares e Bruno Moraes, ciceroneados por Henrique Costa, trazem para a conversa a psicodelia no rock, a partir da segunda metade da década de 60.

Sala de Ensaio é uma iniciativa de Henrique Costa, egresso do Bacharelado em Música, que convidou o professor para falar sobre a história do rock, inspirado pela disciplina História do Rock ministrada pelo próprio Guilherme Tavares no curso. Depois do desafio aceito, Tavares chamou para o bate-papo o também ex-aluno Bruno Moraes, colega de Costa na mesma turma. A ideia era fazer um programa, mas o tema tem tanto conteúdo que lá se vão sete encontros, além disso a proposta se tornou uma ação do projeto Lado B.

"O Bruno hoje é professor - do Centro Musical O Batuta - e ele abriu uma disciplina de História do Rock na escola que dá aulas", conta Tavares. No podcast o trio envereda por caminhos pouco explorados do rock. "A gente busca narrativas um pouco diferenciadas, tem coisas que se repetem sem questionamentos. Por exemplo, por que nos anos 60 os Beatles são tão importantes? Será que não têm outros grupos importantes? E assim a gente vai sempre puxando um lado alternativo", explica o professor.

Se era para falar de assuntos menos falados, então por que não juntar o podcast ao Lado B, questionou-se Tavares. A resposta foi sim, claro, então um projeto puxou o outro. "Essa ideia é sobre falar de coisas menos faladas. Falar sobre underground, artistas menos conhecidos, sobre estilos que são menos conhecidos. Tudo isso junto forma a ideia de Lado B", argumenta o professor.

Por enquanto o plano básico é apresentar aos ouvintes desde os primórdios do rock, cronologicamente, até provavelmente os anos 80, seguidos por episódios temáticos. "A gente tem em vista fazer um episódio só sobre plágios, tem infinitos temas que podemos cobrir", conta Tavares.

Troca de experiências

A outra ação que Lado B tem levado aos internautas é Redemoinho de Sonhos, que nasceu em setembro de 2018, como uma apresentação em homenagem aos 100 anos do Conservatório de Música da UFPel. Guilherme Tavares tem muitas composições próprias e para este evento projetou um recital com algumas dessas músicas interpretadas por alunos e músicos da comunidade. "Teve participação de muita gente, porque os estilos eram muito diferentes."

Para se ter uma ideia do ecletismo do repertório, Tavares levou ao palco formações como um trio de violões, um violão e flauta doce, uma banda de rock e um grupo com piano, baixo acústico, clarinete, saxofone e um cantor, entre outros. O projeto deu tão certo que Guilherme Tavares quis repetir, porém não em forma de apresentações ao vivo, mas como gravações. Dessa forma, em 2019 a proposta foi levado para dentro de um estúdio sob o nome de Lado B com a participação de participação de alunos, professores e técnicos do Centro de Artes da UFPel, além de músicos de fora da universidade. "Aí começou a entrar mais essa parte de produção fonográfica", relembra o professor que também coordena o Laboratório de Música Popular da UFPel.

Entre as características do compositor Guilherme Tavares está a mistura pouco usual de instrumentos e estilos musicais. Nestes dois últimos anos, os alunos de diferentes cursos de bacharelado que atuaram na captação de som e na interpretação das composições tiveram muito o que aprender. "Cada música é uma instrumentação diferente, um estilo. Isso movimenta os alunos, faz eles tocarem um repertório que não estão costumados a estudar."

Entre as experimentações, que tal um rock, com aspecto sinfônicos e árabes ao mesmo tempo? "O pessoal do violino nunca toca escala oriental, então eles têm uma certa dificuldade para afinar o instrumento e isso é interessante para eles." A experiência tem agregado tanto para quem vai interpretar a composição, quanto para quem vai captar os sons, afirma o professor. "Eles vão ter que pensar, por exemplo, como faz a captação de um derbak, um violoncelo... "

Todas as dúvidas vão sendo sanadas pela troca de experiências entre o professor, os intérpretes e os técnicos de som. E essa é apenas uma parte do trabalho, que envolve ainda edição, mixagem e toda a pós produção. Apesar de todo o aprendizado proporcionado pela proposta, 2019 foi o ano em que os alunos mais produziram em estúdio. O ritmo só foi desacelerado com a chegada da pandemia, no ano passado.

O resultado foi que uma boa parte do material captado ficou sem edição. "Resolvemos retomar tudo on-line, mas é mais problemático porque temos perda de qualidade nas transmissões", conta o professor.

"Para o processo de mixagem é complicado também. O que faríamos em uma tarde mixando presencialmente em estúdio, levamos meses fazendo agora." Mesmo assim algumas faixas foram finalizadas neste último ano e já estão disponíveis no canal do projeto no Youtube (Lado B Músicas Impopulares). Siga o projeto pelo Facebook (@ladob.musicasimpopulares) ou pelo Instagram (@ladob_musicasimpopulares).


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