Música

O "armário musical" de Uilson Paiva

Pelotense lança seu primeiro álbum solo, "Saber dizer", com canções desenvolvidas ao longo de décadas

18 de Novembro de 2019 - 10h43 Corrigir A + A -
Músico integrou bandas de rock durante os anos 1990 (Foto: Divulgação - DP)

Músico integrou bandas de rock durante os anos 1990 (Foto: Divulgação - DP)

Faixas estão disponíveis nas plataformas digitais (Foto: Divulgação - DP)

Faixas estão disponíveis nas plataformas digitais (Foto: Divulgação - DP)

O músico e jornalista Uilson Paiva lança nas plataformas digitais o seu primeiro álbum, Saber dizer, com 12 faixas. O projeto é considerado o resultado de décadas de amadurecimento para canções autorais, lapidadas sem pressa e com o objetivo de colocar na rua letras e melodias "de tempos e lugares tão diversos e longínquos, dentro e fora de mim", como salienta o artista.

Uilson Paiva, de 48 anos, é violonista e guitarrista autodidata. Nos anos 1990, integrou bandas covers de rock na região de Pelotas, São Leopoldo e Porto Alegre, em que o repertório já trazia músicas próprias. Acabou por fazer do jornalismo sua carreira profissional, tendo trabalhado em veículos de imprensa no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Hoje dedica-se profissionalmente às áreas de comunicação e sustentabilidade.

"A música sempre me acompanhou e costumo brincar que essas canções estavam até hoje presas em um 'armário musical'", comenta Paiva. "Libertá-las e reuni-las em um disco é como registrar a trilha sonora de minha própria vida." Além de estar disponível no Spotify, Deezer e iTunes, o álbum apresentará versão física em CD e vinil.

Faixa a faixa
O ecletismo de ritmos (soul, pop rock, blues, milonga, samba, samba-canção) e essa travessia pelo tempo e amadurecimento pessoal dão ao álbum uma atemporalidade e, ao mesmo, impõem ao ouvinte não enquadrá-lo de forma automática. A faixa de trabalho, Saber dizer, assim como O meu amor contigo e A noite ela passa, bebem na fonte do soul brasileiro de Cassiano e Tim Maia. Parceria com Rodrigo Dias, unem o balanço a melodias e refrãos marcantes. Na sequência, o álbum emenda dois blues: Outono blues e Flores mortas. Já Once in your life nasceu em inglês, com a idealização de um arranjo gospel, em loopings vocais. 

A milonga Sul e mar é a canção mais recente, parceria com o guitarrista Peche Richards. "No processo de confecção do disco, fui a Pelotas fazer uma sessão de fotos com o meu amigo e ex-colega de imprensa Nauro Júnior e, de repente, uma sucessão de acontecimentos me causou uma profunda comoção: o reencontro com cenários de minha infância, a morte do escritor Aldyr Schlee, de quem estava lendo um livro nesta mesma viagem, as memórias de meu pai... Ao chegar de volta ao Paraná, onde vivo, ouvi a melodia belíssima que o Peche tinha me mandado e a precisão da milonga se impôs naturalmente", conta.

Cenário perfeito tem um beat solar conduzido pela levada de baixo, e descreve a leveza de uma paixão de beira de praia em Bombinhas (SC). Quando você chega, feita a partir do poema de Jeana Santos, e Marionete falam das diversas possiblidades de amor. Assim como o contagiante samba Garras, com arranjo precioso de metais à la gafieira. 

O álbum se encerra com Noite cinza, a faixa mais especial. Composta pelo artista inspirado pelas influências de samba-canção recebidas em casa, recupera uma gravação de 2005 de estúdio do pai do artista, o seresteiro Paulo "Peixe" Paiva, já falecido. A tecnologia une pai e filho para sempre numa serenata imaginária, nas ruas gélidas e cinzas de uma cidade do Sul do Brasil.


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