Comportamento

Mulheres avançam no mercado de vinhos

Como consumidoras, cada vez mais elas provam que têm paladar para bebidas marcantes

07 de Março de 2021 - 11h29 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Débora Viapiana diz que paladar é influenciado por vários fatores (Foto: Divulgação - DP)

Débora Viapiana diz que paladar é influenciado por vários fatores (Foto: Divulgação - DP)

Gabriela Pötter foi desencorajada, mesmo assim persistiu (Foto: Divulgação - DP)

Gabriela Pötter foi desencorajada, mesmo assim persistiu (Foto: Divulgação - DP)

Quem já ouviu a frase: "Vinho é coisa de mulher"? Esse é um dos mitos mais comuns que envolvem o universo do vinho e demonstra um um desconhecimento e um preconceito contra elas e contra a própria produto das vinícolas, ao afirmar que o sexo feminino não tem paladar para bebidas com personalidade forte. De acordo com uma pesquisa feita pela revista médica Jama Open Network, em um comparativo feito com um grupo de mulheres entre 2019 e 2020, houve um aumento de 17% no consumo de bebidas alcoólicas. Além de consumidoras, a participação delas como empreendedoras e funcionárias de fábricas de bebidas também aumentou.

O mito tem origem em um preconceito relacionado ao paladar feminino, explica a Enóloga e Gerente de Marketing da Vinhos Viapiana, Débora Viapiana: "O senso comum acredita que as mulheres gostam de bebidas mais leves, o que remete a espumantes, vinhos rosé ou brancos, se comparados a uma cerveja ou destilados mais fortes."

A enóloga afirma também que não existem vinhos mais indicados para mulheres ou para homens, o que faz um vinho agradar o paladar é um gosto pessoal, que pode ser influenciado por vários fatores: "Se avaliarmos a preferência de mulheres de regiões e culturas diferentes, possivelmente, obteremos diferentes respostas. Na Bahia, por exemplo, as mulheres preferem vinhos mais encorpados e aqui no Sul, temos uma saída muito grande de vinhos leves. Então, eu acredito que a preferência é uma questão regional e depende também do grau de instrução da pessoa em relação ao universo vitivinícola."

Independentemente de ser mulher ou homem, quanto mais alguém degustar e conhecer novos rótulos, mais irá educar e experimentar o seu paladar. Para aquelas pessoas que não têm muito contato com vinho e gostariam de conhecer mais, a enóloga orienta que comecem com opções mais leves, como o vinho branco ou tinto frutado, para depois evoluir para os encorpados.

Crescimento no setor

Na contramão de setores que sofreram com a pandemia do coronavírus, o mercado de vinhos teve alta de 31% em 2020. Ao todo, foram 501,1 milhões de litros comercializados em 2020 contra 383,9 milhões de litros no ano anterior, de acordo com a pesquisa divulgada Ideal Consulting.

Uma das empreendedoras do setor é a enóloga Gabriela Hermann Pötter, sócia proprietária da vinícola Guatambu. Gabriela é um exemplo da percepção feminina para bons negócios, isto porque ela introduziu "do zero" a atividade na propriedade da família e com isso, mostrou que a região da Campanha Gaúcha possui um grande potencial para a produção de uvas e vinhos.

A vontade de somar surgiu quando Gabriela cursava Agronomia na UFRGS. Seus professores falavam sobre a excelência do clima da região dos Pampas para a produção de uvas viníferas. Inquieta, realizou estágios em vinícolas e assim que formada, em 2002, propôs a implantação de vinhedos na Guatambu, que já se dedicava à agricultura e à pecuária. No início, o pai, Valter José Pötter, estava um pouco relutante devido aos investimentos necessários, mas apoiou o projeto da filha com meio hectare da uva Cabernet Sauvignon.

A cultura dos Pampas era bastante conservadora em relação a essa atividade, por isso, muitas vezes, Gabriela escutou comentários que poderiam desmotivá-la, tais como: "tu ainda não desistiu disso?". Porém, nada a desencorajou, pelo contrário, a descrença de terceiros só a impulsionou a continuar sua jornada com ainda mais entusiasmo.

E essa persistência gerou bons resultados. Hoje, a Guatambu é considerada uma das principais vinícolas boutiques do Brasil e movimenta fortemente a Campanha Gaúcha no que diz respeito ao enoturismo.

Democratização

Para aproveitar o momento e ajudar na democratização do vinho, a Vinícola Guatambu, juntamente com um grupo de empresários, desenvolveu o vinho Mysterius, um produto que tem agradado ao paladar feminino. Atualmente 93% por cento das vendas do Mysterius no site foram para mulheres.

O Mysterius traz uma novidade, é um vinho em lata, que oferece benefícios, como o de ter embalagem reciclável e diminuir o desperdício daquele restinho chato que sobra na garrafa. Além disso, devido ao isolamento com o ambiente externo, a vedação à entrada de luz, a lata esfria mais rápido, protege o vinho dos raios UV e preserva todo o seu sabor.

 


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