Na telona

Mostra traz filmes de 24 países sobre questões ambientais e sociais

Festival online começa nesta quarta-feira e se estende até 20 de setembro, com 98 produções que ficarão disponíveis por períodos que variam de 24 horas a dez dias

09 de Agosto de 2020 - 22h43 Corrigir A + A -

Agência Brasil

Além de acompanhar as exibições, público poderá assistir a entrevistas de diretores de peso (Foto: Edison Sanchez)

Além de acompanhar as exibições, público poderá assistir a entrevistas de diretores de peso (Foto: Edison Sanchez)

A mostra Ecofalante, focada em filmes com temas socioambientais, chega à 9ª edição com 98 filmes produzidos em 24 países. As sessões neste ano serão online e ocorrem do dia 12 de agosto a 20 de setembro. O diretor do festival, Chico Guariba, disse que tentou enxergar as dificuldades impostas pela pandemia de coronavírus como uma possibilidade para chegar a novos públicos. “Encarar isso como uma oportunidade e fazer uma grande mostra digital. Vamos fazer um trabalho para atingir o Brasil inteiro, ampliar o público da mostra que só tinha acesso em São Paulo e nas itinerâncias”, comenta.

Como assistir

A crise, no entanto, trouxe outras dificuldades. Guariba conta que a mostra perdeu 40% do financiamento que tinha até o início do ano. “A gente perdeu uma parte dos recursos públicos, que foram para hospitais”, conta. Mesmo assim, o festival se reorganizou e estará disponível em três plataformas, além da própria página da mostra (ecofalante.org.br), a programação poderá ser vista gratuitamente no Videocamp e na SP Cince Play.

Os filmes ficam disponíveis por períodos que variam de 24 horas a dez dias, por isso, é preciso que o público se programe para aproveitar a mostra. Além das exibições, poderão ser vistas entrevistas com dez diretores de peso internacional e serão promovidos ao menos 40 debates em universidades.

Trabalho e moradia

Entre os temas que têm força nas produções deste ano estão as questões ligadas ao trabalho e à moradia. “A nossa relação com o meio ambiente é através do trabalho. Você fica trancado em um ambiente por causa do trabalho. Metade da sua vida você passa trabalhando. É uma relação ambiental com a sua vida, o dia a dia, o grande link junto com moradia com a sociedade”, explica Guariba sobre como essas relações chegam às telas.

A mostra latino-americana traz oito filmes, em três as narrativas passam por questões ligadas ao trabalho. Em, Estou Me Guardando para Quando o Carnaval Chegar, dirigido por Marcelo Gomes, é retratada a cidade pernambucana de Toritama. Um pequeno município do interior onde todas as famílias se tornaram pequenas empresas que costuram calças jeans para grandes marcas. Classificados como empreendedores, não têm direitos trabalhistas, e trabalham dia e noite, aguardando ansiosamente o Carnaval, praticamente único momento de lazer da comunidade.

No panorama internacional, a produção sueca Push: Ordem de Despejo se aprofunda nas repercussões causadas pela transformação do mercado de moradia em uma forma de lucro por grandes investidores. Dirigido por Fredrik Gertten, o filme acompanha o trabalho da relatora especial da Organização das Nações Unidas sobre o Direito à Moradia, Leilani Farha. “Um filme que trata da financeirização do mercado imobiliário. É meio ambiente porque está mudando o perfil de zoneamento e ocupação das cidades, as pessoas têm mais dificuldade para ter moradia”, enfatiza Guariba.

Histórias da floresta

A Amazônia aparece em dois longas-metragens. Em Amazônia Sociedade Anônima, o diretor brasileiro Estêvão Ciavatta mostra a liderança do cacique Juarez Saw Munduruku, que une povos ribeirinhos e indígenas no combate às máfias de roubo de terra e desmatamento ilegal. O colombiano Suspensão, de Simón Uribe, traz histórias ao redor de uma prepotente obra inacabada no meio da selva.

 


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