Patrimônio

Laçador retorna ao seu sítio

Reinauguração do Monumento, que será devolvido nesta terça-feira (11), deve ocorrer ainda no mês de janeiro

11 de Janeiro de 2022 - 09h01 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Estátua criada por Antonio Caringi está sob restauro deste setembro do ano passado (Foto: Verônica Di Benedetti - Especial DP)

Estátua criada por Antonio Caringi está sob restauro deste setembro do ano passado (Foto: Verônica Di Benedetti - Especial DP)

Depois de três meses, o Monumento do Laçador retorna nesta terça-feira ao seu Sítio, na avenida dos Estados, em Porto Alegre. O processo de restauro, que começou em setembro do ano passado, entra agora em fase final, mas com a estátua no seu local de origem. Ao longo desse período, o símbolo da cultura gaúcha passou por várias intervenções que vão salvaguardar o patrimônio, além de torná-lo mais resistente para enfrentar os próximos anos.

A recolocação da Estátua no Sítio está marcada para ocorrer entre 16h e 17h, mas antes disso, a partir das 15h, começa a operação de translado do galpão onde passa pelas restaurações. Todo o processo será montado e monitorado pela EPTC, para garantir a segurança do Monumento no trajeto. Durante a volta pra casa, o Monumento será escoltado pela cavalaria do Movimento Tradicionalista Gaúcha, como ocorreu durante a retirada.

A restauração do Monumento do Laçador é uma iniciativa do projeto Construção Cultural - Resgate do Patrimônio Histórico, do Sindicato dos Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), que se encarrega da recuperação de patrimônio histórico, em parceria com a prefeitura de Porto Alegre. As tratativas para essa proposta começaram há cerca de cinco anos, quando, em conversa com a Secretaria de Cultura do município de Porto Alegre, foram levantados problemas estruturais. "Pela importância que tem o Laçador para a cidade e para o Estado tínhamos interesse em cuidar desse assunto", conta o coordenador do projeto, Zalmir Chwartzmann.

Na época, segundo Chwartzmann, não haviam restaurados especializados neste tipo de restauro. O diagnóstico foi feito pelo restaurador francês Antoine François Amarger, especializado em esculturas de metal, juntamente com a engenheira metalúrgica Virgínia Costa. "O diagnóstico deles foi o que realmente identificou uma série de problemas", explica o coordenador. Posteriormente o restaurador ministrou oficina sobre esse tipo de restauração, promovida pelo próprio Sinduscon.

Via Pró-Cultura

O valor total do projeto de restauro ficou em R$900 mil. Desse valor, R$810 mil foram viabilizados pelo Sindicato dos Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) e pela Associação Sul Riograndense da Construção Civil, através do programa Pró Cultura - Lei de Incentivo à Cultura, do governo do Estado, e R$90 mil através de aporte financeiro da prefeitura de Porto Alegre. Com patrocínio da Gerdau e a Sulgás, o projeto conta ainda com o apoio da JOG Andaimes, da Elevato, do Ministério Público do Rio Grande do Sul e da Phorbis Empreendimentos Imobiliários.

A remoção do Sítio do Laçador ocorreu no dia 28 de setembro, quando foi transportada até um galpão, próximo ao aeroporto Salgado Filho. Durante o restauro a estátua teve o concreto que ocupava a base do monumento todo retirado. "Ele estava rígido da do joelho para baixo e 'solto dali para cima'. Esses micro movimentos do joelho para cima criaram fissuras. Se fez também uma limpeza por dentro", explica o coordenador.

Foi aberta uma janela nas costas do Laçador para ser acomodada uma estrutura de aço inox desde os ombros, que servirão para fixar o monumento e trará mais segurança à devido à exposição ao tempo e condições climáticas. "Agora ele não vai ter mais aquela vibração naqueles pontos superiores. O que vai vibrar é a estrutura de aço inox e não a estátua", fala.

O monumento também passou por uma limpeza externa, através de um processo de micro jateamento com granalhas de endocarpo, material que removeu resíduos das argamassas de cimento evitando problemas futuros. "Quando fizemos o jateamento vimos que tinham mais problemas, rachaduras com graus diferentes de gravidade. Dizem os nossos especialistas a estátua poderia cair daqui a alguns anos. Que bom que nós fizemos esse restauro", comenta Chwartzmann.

Nos próximos dias, após o retorno, o Laçador vai passar por um make-up, que vai corrigir eventuais falhas que só podem ser vistas à luz do dia. Na sequência a estátua vai receber um jateamento com cera, que vai dar o acabamento final e proteger pelos próximos dez ou 15 anos. "Aí o trabalho do Sinduscon, do ponto de vista da recuperação, estará concluído", diz o coordenador. A prefeitura de Porto Alegre ainda está reorganizando o sítio e vai fazer o acabamento do local para a reinauguração, que deve ocorrer neste mês.

Memória preservada

O Laçador é uma mais famosas obras do escultor pelotense Antonio Caringi (1905-1981) , que teve como modelo folclorista João Carlos D'Ávila Paixão Cortes (1928-2018). Em 2001 a escultura foi tombada como patrimônio histórico de Porto Alegre. Esculpido em bronze, o monumento tem 4,45 metros de altura e possui um pedestal de granito trapezoidal de 2,10 metros de altura.

Zalmir Chwartzmann antecipa que o projeto O Laçador vai gerar ainda uma aula show para interessados no tema, também será editado um livro registrando todas as etapas do processo de restauro desde o diagnóstico das patologias até a entrega. "Temos ainda um projeto paralelo que é um filme contando a história do Caringi. Contratamos o cineasta gaúcho Jaime Lerner para fazer esse filme, que obviamente terminará com a retirada e a devolução da estátua recuperada ao seu lar", conta.

 


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