Cinema

Histórias que nascem nas fronteiras

Filme financiado pela Lei Aldir Blanc aborda o muticulturalismo que se estabelece nos limites entre Brasil e Uruguaii

06 de Março de 2021 - 18h26 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Na premissa do projeto o bioma pampa une culturas e promove intercâmbios (Foto: Daniela Pinheiro - Especial DP)

Na premissa do projeto o bioma pampa une culturas e promove intercâmbios (Foto: Daniela Pinheiro - Especial DP)

Além da fronteira conta uma comovente história de família (Foto: Felipe Campal  - Especial DP)

Além da fronteira conta uma comovente história de família (Foto: Felipe Campal - Especial DP)

O que são fronteiras? A resposta para esta ampla pergunta está no filme Fronteriz@s, um projeto desenvolvido a muitas mãos e que reúne diferentes olhares sobre o multiculturalismo do território de integração da fronteira Brasil/Uruguai. O filme é composto por cinco curtas-metragens, gravados em Santa Vitória do Palmar/Chuy (Milonga lejana), Jaguarão/Río Branco (Casa de Rio), Pelotas (Além da fronteira), Bagé (La Sociedad) e Livramento/Rivera (Peregrinus). As obras começaram a ser gravadas por Bagé e Além da fronteira, de Pelotas, é o único que ainda está sendo rodado.

O conceito de fronteira está muito além da região estabelecida geograficamente pela faixa de 150 quilômetros a partir da linha divisória entre os dois países. Segundo Ricardo Almeida, produtor geral do filme, a fronteira cultural que nos une é uma região. "Falamos de um território comum, o pampa neste caso, e na extensão da nossa capacidade de reconhecer o que está transitando neste espaço", resume. O viés de Fronteriz@s se movimenta a partir de uma linha cultural que reúne memórias, manifestações populares, temáticas, laços familiares e intercâmbios vividos.

A praia do Hermenegildo, no extremo sul gaúcho, foi cenário das gravações de Milonga lejana, dirigido por Chico Maximilia, de Santa Vitória do Palmar, e Felipe Yurgel, de Pelotas. Entre dunas de areia, céu e mar, a equipe de produção rebobinou o tempo até o ano de 1985. "A história é inspirada a partir da troca de cartas de exilados políticos, como os uruguaios Estevan Campal e Ruben Eriberto Roja durante a ditadura militar", conta Alex Vaz, que assina o roteiro.

A locação foi montada no isolamento do espaço entre a faixa de areia e o mar. O ambiente ideal para enxergar o personagem em divagações sobre uma luta interna, vivida por tantas figuras emblemáticas que tiveram suas vidas marcadas pelos anos de chumbo. Na pele do protagonista, Vicente Botti faz sua estreia como ator.

O alicerce da trajetória multicultural, entre a música e a literatura facilitou o mergulho. Nascido em Montevidéu e criado na fronteira entre Jaguarão e Rio Branco, ele agregou suas legítimas emoções ao personagem. "É uma relação muito especial, porque tu vives a cultura dos dois países entrelaçadas: as conquistas sociais, as dores, ou seja, duas pátrias, dois corações", destaca. O curta está em processo de montagem e tem ainda a direção de fotografia de Felipe Campal com assistência de Daniela Pinheiro, direção de arte de Gabriela Lamas, produção de Carolina Clasen e som direto de Dhyan Diano e finalização de áudio e desenho de som, Protásio Júnior.

Amor de um pai pela filha

É pelas ruas no bairro Simões Lopes, em Pelotas, que iniciaram esta semana as gravações do curta-metragem Além da fronteira, do diretor Alexandre Mattos Meireles. O filme conta a história de Edmilson, um jovem que perde a esposa e precisa enfrentar a difícil tarefa de criar sozinho a filha Clara, de 11 anos. As gravações se encerram dia 9 deste mês.

As filmagens seguem até o final de semana, quando toda equipe parte para Rio Branco, ambiente das cenas finais do curta. Hoje diretor e roteirista, Alexandre ficou conhecido em Pelotas quando protagonizou Marcovaldo, em 2010, pela Moviola Filmes. "A gente procurou evidenciar, dentro dessa narrativa, várias camadas que envolvem a relação de um pai com uma filha. Ele ainda jovem, vivendo o desemprego e as poucas perspectivas, que também reflete numa dificuldade no contexto da relação dos dois", já adianta o diretor, que também escreveu o roteiro em conjunto com Adry Silva.

Sem alternativas e desempregado, a fragilidade na relação com a filha se complica por problemas com álcool. É no Uruguai e na construção civil que Edmilson vê a oportunidade de reconstruir uma vida nova. A história toda é ambientada no período anterior à pandemia. "É uma história de amor. A gente se questionou bastante quando escrevia. Até onde vai o amor de um pai pela filha?", comenta Alexandre.

Além de gravações no bairro Coxilha, em Rio Branco, o filme também terá cenas que se passam na Ponte Internacional Barão de Mauá. "É lá que a história tem uma nova virada". Edmilson é interpretado por Hilton Oliveira, ator porto-alegrense que participou das séries Amizades de Outono e O protetor. O papel de Clara será desempenhado pela própria filha do diretor do filme, Clara Lua Pinhatti Meireles, de 10 anos.

O filme ainda conta com Cintia Langie como assistente de direção, Felipe Campal como diretor de fotografia, Davi Batuka no som direto e desenho de áudio, direção de arte de Daniela Pinheiro. Renata Wotter assina a produção executiva. Em função da pandemia, todos membros da equipe foram testados para a Covid-19 antes de iniciarem as gravações.

Como assistir?

Fronteriz@s tem estreia prevista para abril, através do canal do YouTube. Enquanto isso os bastidores das gravações podem ser acompanhados pelas mídias sociais do projeto. O projeto é assinado pela Sociedade Independente Cultural e realizado com recursos da Lei Aldir Blanc através do edital de Produções Culturais e Artísticas, Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura.

YouTube - bit.ly/fronterizos

Facebook/filmefronterizos

Instagram @fronterizos_filme

 


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