Música

Dez anos de uma cidade mais musical

Após transformar a realidade local, Festival Internacional Sesc de Música prepara-se para uma edição especial de aniversário a partir de segunda-feira (20)

18 de Janeiro de 2020 - 12h00 Corrigir A + A -
Evento é caracterizado pela formação de músicos (Foto: Flávio Neves)

Evento é caracterizado pela formação de músicos (Foto: Flávio Neves)

Edição destaca os prédios históricos da cidade (Foto: Flávio Neves)

Edição destaca os prédios históricos da cidade (Foto: Flávio Neves)

Concertos ocorrem quase todas as noites no Theatro Guarany (Foto: Flávio Neves)

Concertos ocorrem quase todas as noites no Theatro Guarany (Foto: Flávio Neves)

Salão nobre da BPP recebe os recitais dos professores (Foto: Paulo Rossi)

Salão nobre da BPP recebe os recitais dos professores (Foto: Paulo Rossi)

Ano de 2011. Trinta minutos antes do primeiro concerto. O movimento na frente do Theatro Guarany é inexistente. Nas coxias, músicos apreensivos. No hall da casa de espetáculos, a organização encontra-se tensa com a possibilidade de um iminente desastre logo na primeira edição do evento. Esse pequeno intervalo de tempo reuniu, provavelmente, os únicos segundos em que duvidou-se do potencial do Festival Internacional Sesc de Música. Logo depois, quando o público passou a adentrar o teatro, preenchendo cada cadeira, pôde-se respirar aliviado. O sucesso veio. E não parou mais.

A lembrança é compartilhada pelo gerente de cultura do Sesc/RS, Silvio Bento, e pelo diretor artístico, Evandro Matté. Faz-se nove anos deste episódio que marcou a história de Pelotas. Tal período, conforme Bento, foi de constante aprendizado. "O Sesc nunca tinha feito um festival desse tamanho. O evento acabou se desenvolvendo junto do crescente interesse do público e da visibilidade do evento", avalia.

Com um retorno sempre positivo, tornou-se possível oferecer uma edição melhor a cada ano. "Fomos entendendo a cidade, nos adaptando a situações, oferecendo uma melhor estrutura", comenta Matté. Neste sentido, cita que as apresentações na Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) receberam um tablado, os concertos no Laranjal deixaram de ocorrer num toldo para ocupar um palco e o encerramento no Parque Dom Antônio Zattera, que dispunha de uma plataforma simples, ganhou um palco geospace, no formato de concha acústica, quando foi transferido para o Mercado Central.

São exemplos de um evento em evolução, que busca oferecer inovação tanto para o público em geral quanto para os inscritos nas aulas. "É um festival que já está consagrado no calendário. Promove cidadania, bem-estar e felicidade para as pessoas, além de trabalhar um objetivo técnico de contribuir para a formação musical, para o desenvolvimento de jovens talentos e para a economia local", comenta o gerente de cultura.

Melodia em cada canto
Na próxima segunda-feira (20), a mobilização em torno de diferentes sonoridades volta a fazer parte do cotidiano local com a décima edição do Festival Internacional Sesc de Música. Cerca de 500 profissionais, entre professores, alunos, instrumentistas e técnicos, estarão em uníssono até o dia 31 deste mês. O resultado de tamanho empenho é uma programação cultural com mais de 60 apresentações gratuitas espalhadas por Pelotas, da Zona Rural até as praias do Laranjal. 

O formato que une ensino e prática mantem-se o mesmo durante a edição comemorativa. As aulas ocorrem no turno da manhã, enquanto a tarde é dedicada aos ensaios para as apresentações na configuração de núcleos (madeiras, percussão, metais e canto) e os tradicionais recitais de alunos no Conservatório de Música (13h). O turno da noite reserva os recitais de professores na BPP (19h) e os concertos no Theatro Guarany (20h30min).

Para este ano, foram mais de mil candidatos inscritos, oriundos de 22 estados brasileiros e de países como Argentina, Chile e Costa Rica, disputando 400 bolsas. Tamanha procura faz aumentar o nível de exigência na seleção dos alunos. Atualmente são oferecidos 24 cursos voltados a diversas famílias de instrumentos musicais, prática de orquestra e música de câmara.

Através do projeto Festival na Comunidade, os concertos também chegam aos bairros mais afastados do Centro. Estão previstas apresentações na Paróquia São José (Fragata), Paróquia Santa Terezinha (Três Vendas), Parque UNA (São Gonçalo), Castelo Simões Lopes (Fragata), Hospital Espírita (Areal), Comunidade Católica São Miguel (Monte Bonito), Paróquia Amor Divino (Laranjal), entre outros.

Noites de espetáculo
As atividades do primeiro dia se iniciam, às 16h30min, com recital da Orquestra Jovem Sesc Roraima na BPP. Na sequência, às 18h, ocorre o tradicional cortejo musical, com saída do largo do Mercado Central e percorrendo as principais quadras do Calçadão. À noite, às 20h30min, a Orquestra Jovem Sesc Pará sobe ao palco do Theatro Guarany. Seus 72 músicos devem reproduzir repertório com obras clássicas, como O guarany, de Carlos Gomes e 1812 Ouverture, de Tchaikovsky. 

A programação no teatro segue diariamente, no mesmo horário, com a participação de grupos e artistas de renome nacional, como o bandolinista Hamilton de Holanda, acompanhado da Orquestra de Câmara da Ulbra (terça); a banda Tum Toin Foin, liderada por Arthur de Faria (quarta) e a Big Band Salvagni na companhia do solista Pedrinho Figueiredo (quinta). A segunda semana ainda leva ao palco, no dia 29, o Sexteto Gaúcho e a Orquestra Jovem Sesc Brasil, formada por alunos de projetos sociais desenvolvidos no Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. 

As demais noites reúnem os próprios alunos do festival em diferentes formações: Orquestra Sinfônica Acadêmica (dia 26), núcleo de madeiras, metais e percussão (dia 27); Gala Lírico (dia 28) e Banda Sinfônica Acadêmica (dia 30). Todos espetáculos no Guarany requerem a retirada antecipadamente de ingressos gratuitos na bilheteria do teatro. 

A praia do Laranjal será cenário para os concertos da Banda Sinfônica Acadêmica (dia 24) e da dupla Kleiton & Kledir acompanhada da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro (dia 25). O encerramento do festival está previsto para acontecer no largo do Mercado Central, com apresentação da Orquestra Sinfônica Acadêmica, na companhia mágica do Grupo Tholl (dia 31). 

O diretor artístico ainda destaca a comemoração, em nível mundial, dos 250 anos do nascimento do compositor Beethoven, que serão lembrados em repertórios de diversos concertos da programação, inclusive naquele que encerra a edição de uma década de festival.

Patrimônio em tema
Ao longo de 12 dias, os acordes devem tomar conta de diversos prédios históricos da cidade, como Conservatório de Música, Catedral do Redentor, Theatro Guarany, BPP, Catedral Metropolitana São Francisco de Paula e Mercado Central. Esses e muitos outros espaços que abrigam as ações do festival são homenageados na arte desta nova edição. 

O material gráfico presta homenagem à arquitetura de Pelotas, reconhecida em 2018 como patrimônio brasileiro pelo Iphan. Nas ilustrações, vários músicos ocupam casarões e locais públicos. O objetivo, segundo Bento, é lançar uma reflexão sobre o rico acervo arquitetônico e sua preservação.

O quê: 10º Festival Internacional Sesc de Música
Quando: de segunda-feira até o dia 31 deste mês
Onde: ações espalhadas pela cidade, conforme programação disponível em sesc-rs.com.br/festival
Entrada franca, com retirada antecipada de ingressos somente para as apresentações no Theatro Guarany. Os bilhetes estão disponíveis na bilheteria do teatro de segunda a sexta-feira, no período das 9h às 12h e das 13h30min às 18h30min, conforme cronograma: dias 20 a 24/1 - retirada de ingressos para espetáculos de 23, 26 e 27/1 ; e dias 26 a 30/1 - retirada de ingressos para os espetáculos de 28, 29 e 30/1. As entradas são limitadas a um par de ingressos por pessoa. O Sesc sugere a doação de um quilo de alimento não perecível, repassado posteriormente para entidades sociais cadastradas no Programa Mesa Brasil. Será reservado um lote de 100 ingressos para ser distribuído no dia de cada uma das apresentações.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados