Natal

Dez anos de bem-aventuranças

Com mais de cem trabalhos, mostra Guirlandas de Natal inaugura hoje no prédio onde funcionou o Malg

22 de Novembro de 2019 - 12h36 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Desafio grande para curadores e para as coordenadoras (Foto: Jô Folha - DP)

Desafio grande para curadores e para as coordenadoras (Foto: Jô Folha - DP)

Adriana Fernandes e Fabiana Moglia dizem que resultado compensa qualquer trabalho (Foto: Jô Folha - DP)

Adriana Fernandes e Fabiana Moglia dizem que resultado compensa qualquer trabalho (Foto: Jô Folha - DP)

Inaugura nesta sexta-feira (22), às 20h, a mostra Guirlandas de Natal - Noite das bem-aventuranças, evento beneficente chega à 10ª edição. Desta vez, a mostra, que já itinerou por diferentes locais da cidade, volta ao espaço da primeira atividade, o casarão da rua General Osório, 725, esquina com General Neto, que abrigou o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Malg/UFPel). Para a abertura os convites estão à venda no local a R$ 50,00. A visitação pode ser feita a partir de amanhã até 1º de dezembro, das 10h às 12h e das 14h às 20h, com entrada franca.

A idealizadora do projeto, Adriana Alano Fernandes, conta que realizar esta mostra em 2009 foi um sonho que se realizou, mas na época não poderia imaginar que fosse se perpetuar por tantas edições. "Lá em 2009 foi plantada aquela sementinha, que foi Deus quem que inspirou." Neste período, somente em 2012 o evento não ocorreu.

Com a ideia implantada, hoje está mais fácil congregar os partícipes, os criadores das guirlandas e as empresas, pessoas ou grupos que as compram. "Arquitetos, decoradores e artistas plásticos que desenvolvem as guirlandas já entendem bem o projeto e tem muitos que nem precisamos fazer o convite."

Este ano quem for até a exposição poderá apreciar 103 trabalhos, no ano passado foram cem. "A cada ano cresce, em 2009 tínhamos 42 guirlandas", comenta Adriana.

Inspiração bíblica

O projeto é sempre realizado nesta mesma época e a exposição dura pouco mais de uma semana. A mostra é curta para que quem adquiriu o enfeite possa utilizá-lo na decoração da sua casa ou empresa.

De diferentes materiais, o adereço geralmente é feito sob encomenda para o cliente. Quem compra contribui com R$ 700,00, valor que é destinado às famílias atendidas pelo Banco Madre Tereza de Calcutá.

Atualmente a entidade atende mais de mil famílias e tem seis braços: Banco de Alimentos, Emprego, Leite, Roupas, Remédios e Escolar. "Essa renda é utilizada também nos cursos do Banco de Empregos", fala Adriana.

Entusiasmada com o emprego das doações, Fabiana Moglia, que há cinco anos auxilia Adriana a coordenar o projeto, conta que uma das grandes preocupações dos administradores do Banco é com o estoque de leite sem lactose. "Todo mês as crianças com intolerância à lactose precisam desse leite especial e a gente sabe que muitas famílias não têm condições de comprar essa alimentação, o Banco proporciona isso. Geralmente o leite é o que mais sai.

Mesmo com o reconhecimento da comunidade, reconstruir o projeto a cada ano é um desgaste grande. Mas a recompensa também", argumentam. "Com o Guirlandas de Natal, esse evento maravilhoso, a gente faz para levar um pouco mais de alegria para essas pessoas", argumenta Fabiana. Essa alegria inspira inclusive o sobrenome do evento, Noite das bem-aventuranças, tirado do capítulo 5º do livro de Matheus, na Bíblia.

Desafio dividido por três

Mais uma vez a mostra tem a curadoria dos professores e artistas plásticos Lauer dos Santos e José Luiz de Pellegrim e do arquiteto Eduardo Horta. O trio tem a responsabilidade de organizar as estrelas do evento de forma que todas brilhem. Um desafio crescente a cada edição, não só em função do número de enfeites cada vez maior, mas também pela itinerância do evento, que já foi realizado no Mercado Central, na Bibliotheca Pública Pelotense e no Shopping Pelotas, por exemplo.

Pellegrim, que fez os três primeiros eventos sozinho, conta que foi sendo criados processos, mas o espaço determina o início do trabalho. Neste ano o prédio, com salas amplas, dá a possibilidade para que o público possa vê-las de diferentes pontos da sala.

"Primeiro a gente estuda o espaço e vê se cabe, depois cuida das cores e dos tamanhos para que nenhum trabalho fique desfavorecido", lembra Eduardo Horta. Pellegrim comenta que em dez anos ocorreram mudanças de técnicas e tecnologias, outro detalhe que deve ser considerado são as marcas dos clientes/empresas.

Na montagem, os curadores preveem um percurso a ser percorrido pelo público. Esse caminho é contornado por guirlandas de tamanhos, cores e materiais diferentes. "Uma espécie de pulsação", diz Pellegrim.

O arquiteto diz que não tem receita, cada ano é um desafio novo. "Sem falar que acima de tudo isso está o objetivo desse evento, que é muito importante. E a gente está aqui para isso, para tornar o evento cada vez mais forte e o Banco continuar a sua jornada", reflete Horta.


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