Na vitrine

Destinado a quem cria

Projeto A Música Autoral de Pelotas busca dar visibilidade a quem produz música própria na cidade

13 de Fevereiro de 2020 - 11h05 Corrigir A + A -
Frente.  Músico Bruno Chaves é um dos membros do coletivo. (Foto: Felipe Yurgel)

Frente. Músico Bruno Chaves é um dos membros do coletivo. (Foto: Felipe Yurgel)

Todo fôlego é importante quando o ar parece pouco. Em uma cena autoral esvaziada de público, o que causa desânimo em quem produz, o projeto A Música Autoral de Pelotas (MAPe) surge. A ideia é canalizar as produções em um mesmo espaço e difundir a qualidade daquilo que por aqui é criado.

O projeto nasceu das angústias que o músico e produtor Bruno Chaves tinha e percebia que os colegas de profissão também nutriam. O baixo interesse do público e das casas de show no som autoral, em um círculo vicioso, a principal delas. Na busca de vencer o problema, ele pensou em uma forma de unir o material das bandas em um único espaço que servisse como plataforma de divulgação, para que jornalistas encontrassem informações sobre o trabalho feito na cidade, e também como uma roda de conversa entre quem enfrenta as mesmas questões. “Dessa forma queremos alcançar cada vez mais níveis de profissionalização”, explica. Atualmente, o MAPe funciona com um site, página nas redes sociais, e consta em plataformas de streaming. 

Ao saber da proposta, a jornalista Juliana Santos se colocou à disposição e hoje os dois dividem as funções: ela cuida das entrevistas em texto e ele é o responsável pelos podcasts que também são lançados. Ao Diário Popular, ela diz crer que o projeto contribui para a cultura de Pelotas através de uma retroalimentação de um processo já existente. “Tem muito público querendo ouvir coisa nova e muito artista buscando reconhecimento. Esse público por vezes assiste a shows cover sem nem saber que a mesma banda também produz autoral. Dar voz para a música feita na nossa cidade é importante para que a população escute também sons que se encaixam na própria realidade local.”

No caso de Chaves, a curiosidade fica por ele estar, pela primeira vez, do outro lado do mecanismo: ele, que por diversas vezes já foi entrevistado pelo Diário Popular, agora se torna uma espécie de repórter com indagações para os amigos músicos. “Tem sido bem massa. É um grande aprendizado, porque consigo como músico conversar e puxar certas questões que eu quando era entrevistado gostaria que me tivessem sido perguntadas”, comenta.

Personagem
Tanto Juliana quanto Bruno citam as entrevistas com o produtor musical Rodrigo Esmute Farias como uma das mais especiais até aqui. Esmute foi responsável pelo selo Hardcore Pride Records, que lançou, entre outros, o disco Faça a coisa certa, de Zudizilla, e Leitmotiv, da Suburban Stereotype, da qual fazia parte. “É um cara que tem muito a acrescentar, pela vasta experiência que tem”, comenta Bruno.

Sobre o projeto, Esmute vê importância no sentido de trazer um novo ânimo para uma cena que sofreu certo esvaziamento nos últimos anos. “É um papel de fomentar a profissionalização e desenvolvimento dos trabalhos daqui, mas que logo isso acabou atingindo o público, fazendo as pessoas quererem fazer parte dessa movimentação enquanto expectadores.”


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