Reconhecimento

Curtas pelotenses vencem festival na Argentina

Enjoy e Dr Gigante, o quiroprata, são oriundos da produtora Ilha da Maravilha

26 de Julho de 2020 - 20h10 Corrigir A + A -
Enjoy venceu o prêmio de Melhor Filme no festival (Foto: Reprodução)

Enjoy venceu o prêmio de Melhor Filme no festival (Foto: Reprodução)

Dr. Gigante, o quiroprata, levou o prêmio de Melhor Design de Som (Foto: Reprodução)

Dr. Gigante, o quiroprata, levou o prêmio de Melhor Design de Som (Foto: Reprodução)

Os filmes pelotenses EnjoyDr. Gigante, o quiroprata, foram premiados no 7 Seconds Film Festival, na Argentina. O primeiro, de Marcelo Gafanha e Vini Albernaz, levou os prêmios de Melhor Animação, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Filme. O segundo, de Albernaz com Eleonora Loner, recebeu o de Melhor Design de Som.

Enjoy se propõe a contar a história de um trabalhador em 7 segundos. “Me veio a ideia de contar uma vida inteira nesse sete segundos. O cara começa cedo a trabalhar, morre trabalhando e a mensagem é sobre esse sistema de muito trabalho e pouco proveito ou proveito de alguns para o trabalho dos outros”, comenta Gafanha, que assina direção e roteiro do projeto.

Já Dr Gigante, o quiroprata mostra um ser mitológico tentando se adequar ao mercado de trabalho. "Mesmo sendo assustador, ele está fazendo algo terapêutico. Jogamos com uma série de imaginários possíveis, quebra de expectativa em diferentes níveis", conta Loner, autora do roteiro que nasceu a partir do perfil @umasideia, no Instagram, em que ela publica ideias “que não são viáveis e quero tirar de mim sem pretensões.”

Ambos destacam o desafio que é executar uma ideia, com profundidade, dentro dos 7 segundos estipulados pelo festival. “A gente teve que se apoiar em alguns elementos. Um deles é o título, que vem no final como uma explicação mesmo. A coisa tem que fazer sentido muito de cara e todo elemento, som, imagem e texto, a gente usa”, relata Eleonora.

Os filmes são os primeiros resultados da produtora de animação Ilha da Maravilha, criada recentemente por Alércio Pereira Jr., Marcelo Gafanha e Vini Albernaz. O próximo será o curta, de 16 minutos, 2020, que contará a história da produção de um EP do duo Bits em Chamas, formado por Alércio e Vini, parceiros de Musa Híbrida.

Nesse caso, 2020 veio depois de 2050, título do EP lançado por Vini Albernaz e Alércio, parceiros de Musa Híbrida, no ano passado. “Eu, particularmente, tava pensando e começando a de fato trabalhar em um disco solo. “O Vini também tava trabalhando num álbum solo. Sugeri que a gente juntasse as coisas e fizesse mais um EP da Bits em Chamas, já que o primeiro EP já tinha essa vibe distanciamento social, gravações on-line, criação virtual. O Gafa (Marcelo Gafaña) queria fazer algo com a Bits, sugeriu uma live, algo do tipo.  Eu sugeri meio brincando meio sério da gente fazer uma animação”, comenta Alércio.

O momento de falar sério brincando foi um desafio para os outros dois envolvidos no projeto. Desenhista e ilustrador de muita qualidade, Vinha não tinha experiência alguma com animação e iniciou aí um intensivo de três meses até chegar ao final de 2020. “Comecei a pesquisar e descobrir formas. Foi assim, os primeiros testes deram certo, a gente foi gostando e o filme foi se construindo. Tudo meio tentativa e erro, aprendendo durante o processo (o que fez eu querer refazer muitas cenas do início que era tudo mais estático, mais simples)”, diz. 

Alércio destaca ainda que entende o curta, de 16 minutos, como “cosmovisão, uma multivisão, uma plurivisão, nenhuma visão.” “Acho que ele não pretende nada, ele é. Acho que a música e a animação têm essa capacidade abstrata que me interessa muito. De fazer sentido, sem necessariamente fazer sentido. De ser uma coisa, de se bastar na coisa. E ainda poder ser mais que a coisa. Dá pra ver ele num sentido mais literal do desencadeamento de ações. Dá pra ver ele num sentido mais sem sentido, nonsense, aglomerações de sons e imagens, de cor e vibrações.”

Alércio com texto e referências, Gafanha com storyboard, planos e cenas e Vini com cores e animação, o projeto foi tomando corpo junto com a sinergia do trio, já parceiro de trabalhos anteriores. “A gente nem deixa de se encontrar pra precisar procurar. Tem uma confiança no trabalho um do outro. E uma segurança. Uma estética/ética afim. Uma dinâmica de trabalho que funciona, que apesar de por vezes pesada, é prazerosa”, define Alércio. Daí foi dois toques para a criação da Ilha Maravilha, estúdio de animação cuja sede são esses caminhos de luz que ligam os pontos.

 

 

 

 

 

Confira os filmes:

 

 


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