Debate

Contribuições do passado e do presente

Com o tema "Etno Cidade Pelotas", o projeto Conversas do Dia do Patrimônio recebe a palestra da pesquisadora Caroline Medeiros

24 de Julho de 2019 - 10h00 Corrigir A + A -
Encontro ocorre no Casarão 3 da praça Coronel Pedro Osório (Foto: Divulgação - DP)

Encontro ocorre no Casarão 3 da praça Coronel Pedro Osório (Foto: Divulgação - DP)

Caroline é doutoranda em História na PUC-RS (Foto: Divulgação - DP)

Caroline é doutoranda em História na PUC-RS (Foto: Divulgação - DP)

Semanas antes do grande evento, a preparação. O Dia do Patrimônio, previsto para ocorrer de 16 a 18 de agosto, suscita a discussão sobre Pelotas e sua etnicidade. Para desenvolver o tema, encontros prévios contribuem para refletir sobre questões sociais que envolvem a nova edição. Desta vez, são nove palestras realizadas às quartas-feiras no Casarão 3, incluindo neste dia 24 a fala Imigração e identidade palestina em Pelotas, com a pesquisadora Caroline Atencio Medeiros.

O projeto Conversas do Dia do Patrimônio foi criado em 2014, no segundo ano do evento, passando a integrar definitivamente a programação. "É um bate-papo informal, aberto ao público, que serve para, além de instrumentalizar a nossa equipe, introduzir as atividades dos três dias", comenta um dos responsáveis pela organização, Lúcio Xavier.

As temáticas de cada edição reverberam questões latentes tanto na cidade quanto no Estado, no país e no mundo. Depois da estreia, que abordou os diversos significados de patrimônio, os eventos avançaram por assuntos como Herança cultural africana (2014), Pelotas natural - Patrimônio de águas (2015), Ocupação feminina (2016), Territórios daqui - Identidades e pertencimento (2017) e Pelotas imaterial - saberes, fazeres e ofícios (2018).

Com o tema Etno Cidade Pelotas, a sétima edição do Dia do Patrimônio oferece um olhar para as etnias que formaram e ainda formam a cidade, buscando ir além da historiografia tradicional que contempla os alemães, os portugueses e os italianos, lembrando também a contribuição de outros grupos praticamente esquecidos.

"Tem-se a ideia de que o território de Pelotas se dá com a indústria do charque, da chegada de imigrantes e da mão-de-obra escravizada, mas anteriormente esse chão era ocupado pelos índios guaranis. Recentemente, traçando um paralelo, recebemos os índios kaingang e uma leva de senegaleses também", explica Xavier.

Além de nacionalidade e etnia, o termo "etno" abre para grupos que compartilham códigos e elementos sociais e culturais, como doceiras, grafiteiros, maçônicos, LGBTs e até mesmo os chamados de "turcos" na cidade. Segundo o organizador, a temática do evento acompanha o cenário brasileiro atual, uma vez que a educação e a cultura estão sendo perseguidas, assim como as pessoas julgadas pelos grupos que formam.

Representação
Graduada em História pela Universidade Federal de Pelotas (UPFel), Caroline Medeiros palestra nesta quarta sobre a situação da Palestina ao longo dos séculos 20 e 21, incluindo os reflexos de tais fatos na atualidade, a partir dos conceitos de transnacionalismo e etnicidade. 

Em março deste ano, a pesquisadora concluiu mestrado em que abordou o islamismo presente na história em quadrinhos de uma iraniana. "Acontece que esse foi o meu despertar para pensar a situação do Islã na cidade", conta. Passou a frequentar as aulas de religião para mulheres na mesquita de Pelotas, percebendo que a maior parte dos membros da comunidade local são palestinos de primeira, segundo e até terceira geração. 

Do mestrado, Caroline partiu para o doutorado na PUC-RS. Ainda em desenvolvimento, a pesquisa investiga a imigração palestina, buscando a origem desse movimento por meio de entrevistas com famílias palestinas residentes em Pelotas. A jovem também trabalha com outras fontes, como passaportes, acervos pessoais e documentos de estrangeiros disponíveis no arquivo nacional. 

A pesquisadora, no encontro desta quarta-feira, pretende ainda lançar questões de atribuições toponímica, como "turco", muçulmano e palestino. "Pelotas tem uma riqueza cultural construída à base de diferentes nacionalidades. Os imigrantes árabes também são responsáveis por isso. Queria enxergá-los para além do comércio, analisando a alimentação, a religião, a cultura, a política e a maneira de encarar seus laços com a terra", comenta.

O quê: Conversas do Dia do Patrimônio, com Caroline Medeiros, sobre Imigração e identidade palestina em Pelotas
Quando: quarta-feira (24), às 17h
Onde: Casarão 3 da praça Coronel Pedro Osório
Entrada franca

Próximos encontros
31 de julho
Etno cidade - O imigrante português na construção social pelotense (século 20), com Biane Jaques

7 de agosto
Kanimambo e outras resistências senegalesas em Pelotas, com Ediane Oliveira


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