Premiação

Cenógrafo pelotense ganha prêmio Shell de teatro

Reconhecimento foi dado a Fernando Mello da Costa, que morreu em junho do ano passado

17 de Abril de 2020 - 19h33 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Costa também concorreu com Maracanã (Foto: Divulgação  - DP)

Costa também concorreu com Maracanã (Foto: Divulgação - DP)

Cenografia do espetáculo Solo foi a vencedora (Foto: Divulgação - DP)

Cenografia do espetáculo Solo foi a vencedora (Foto: Divulgação - DP)

O cenógrafo pelotense Fernando Mello da Costa (in memoriam) foi um dos agraciados da 32ª edição do Prêmio Shell de Teatro/2019. A premiação foi anunciada em formato especial, por vídeo, na quinta-feira (16), sem a presença de plateia devido à necessidade de isolamento social em função do novo coronavírus. Costa conquistou a deferência pelo espetáculo Solo.

A cerimônia de divulgação dos contemplados foi transmitida do Rio de Janeiro e teve como mestres de cerimônia os atores Vilma Melo e Leopoldo Pacheco. Ainda na mesma categoria Fernando Mello da Costa concorreu com o monólogo Maracanã, com texto e direção de Moacir Chaves.

Já Solo de Fabrício Branco, foi vencedor da 8ª edição do concurso de dramaturgia Seleção Brasil em Cena. Esta não é a primeira vez que Costa conquistou um Shell, em 1991, o cenário de Cartas Portuguesas, de Mariana Alcoforado, lhe valeu, além deste reconhecimento, o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA).

Fernando Mello da Costa nasceu em Pelotas, em 1950 e morreu no Rio de Janeiro, em junho do ano passado, em decorrência de um enfisema pulmonar. A capital dos cariocas foi a casa que o pelotense escolheu para desenvolver sua arte desde 1975.

Costa teve as primeiras experiências no teatro amador aos 12 anos, sendo a mais marcante a montagem pelo Grupo de Teatro dos Gatos Pelados da ópera popular Bira e Conceição, em 1967.
Em 1971, começou a carreira profissional como ator, iluminador e aderecista. Participou, em Pelotas, entre 1972 e 1975, do Grupo Girassol - um dos grupos da vanguarda do teatro gaúcho de então, em montagens como A tragicomédia de Don Cristóvão e a Senhorita Rosita, de Garcia Lorca, e Os reis, de Júlio Cortazar.

No Vidigal

Fernando Mello da Costa imprimiu sua marca nos palcos e colaborou intensamente para que o hiper-realismo se instalasse no espaço cênico. No Rio de Janeiro, onde vivia, fundou, junto com Guti Fraga, o grupo de teatro Nós do Morro, na comunidade do Vidigal. Lá manteve uma oficina de cenografia e foi diretor de espetáculos.

Desde que chegou ao Rio de Janeiro se estabeleceu no morro do Vidigal, lugar que na época era ponto de convergência da classe artística e onde estabeleceu outra parceria que dura há vinte anos: com Guti Fraga. Em 2001, começa uma parceria com o cenógrafo Rostand Albuquerque, com quem paralelo a sociedade no atelier de criação de cenografia Galpão6centos, passou a assinar em conjunto algumas das cenografias deste período.

Da primeira cenografia, 1984, marca da sua carreira foi talvez, ao lado da inquietação com a cena, o estabelecimento de parcerias com diretores com esse olhar investigativo para a cena. Nomes como Bia Lessa, Enrique Diaz, Jefferson Miranda, José Luiz Rinaldi, Jocy de Oliveira, Moacir Chaves, Aderbal Freire Filho, são constantes no currículo do cenógrafo.

Sobre o prêmio, por telefone, o ator e sonoplasta João Mello da Costa, 29, filho mais velho de Costa, disse ao Diário Popular que fica a alegria pelo reconhecimento do trabalho do pai e ao mesmo tempo uma ponta de tristeza por ele não estar mais aqui para receber mais esta conquista.

Irmão do artista plástico Luís Carlos Mello da Costa (1947-1996), Fernando era aclamado como um mestre da cenografia, uma arte que ele dominou como poucos nestes últimos 40 anos. Para João a arte que o pai criava não se resumia a plasticidade, ela servia ao espetáculo e ia se modelando a ele. "Dá para ser comparada, mas diferente das artes plásticas a arte dele serve para cena, o que é necessário para fazer a história acontecer."

 


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