Pesquisa

Cadeia da música impacta na economia gaúcha

Estudo inédito da Seplag revela que esse setor ajuda a movimentar comércio e indústria

27 de Maio de 2020 - 19h37 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

A cada R$ 100,00 destinados para a área, R$ 55,50 movimentam diretamente comércio, indústria e serviços (Foto: Gabriel Huth - DP)

A cada R$ 100,00 destinados para a área, R$ 55,50 movimentam diretamente comércio, indústria e serviços (Foto: Gabriel Huth - DP)

O governo do Estado divulgou nesta quarta-feira (27) estudo inédito elaborado pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) sobre o potencial de impacto da cadeia da música na economia gaúcha. A pesquisa apontou que a cada R$ 100,00 destinados a eventos desta área, R$ 55,50 vão direto para outros setores movimentando comércio, indústria e serviços. Os demais R$ 44,50 chegam às mãos dos artistas e de pessoas ligadas diretamente nas produções.

O estudo está amparado em 97 projetos, de um universo de 288, financiados pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC) entre os anos de 2014 e 2019. O objetivo foi analisar o impacto das atividades musicais na geração de postos de trabalho e seus reflexos em outros setores. "O estudo mostrou que os recursos dos eventos musicais não são alocados apenas em empresas especializadas na prestação de serviços para atividades culturais, mas transbordam para outros setores, o que contribui para dinamizar as economias locais", destacou o pesquisador Tarson Nuñez, um dos responsáveis pelo estudo.

A pesquisa inédita responde a uma provocação feita pela Secretaria de Cultura do RS, parceria na atividade, e dá sequência aos trabalhos que visam subsidiar a implementação do programa RS Criativo.
"Se tu considerares o universo de outros eventos que não são de música, mas que têm características semelhantes, tu consegues ter uma ideia da importância do investimento em cultura para a economia", reforça a secretária de Estado da Cultura, Beatriz Araújo. O estudo ainda demarca para onde vão os recursos e a importância das leis de incentivo no estímulo das ações.

Segundo a secretária, o governo do Estado investiu nos últimos cinco anos R$215 milhões, entre LIC e Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Para Beatriz é muito importante que as pessoas saibam que esses recursos além de fomentarem essa cadeia produtiva, estimulando as ações, ajudam a viabilizar o trabalho do comércio e da indústria.

É a segunda pesquisa que a Seplag faz sobre economia criativa a partir de provocação e de participação da Secretaria de Cultura. Um estudo anterior havia evidenciado que a Economia Criativa alcança até a indústria automobilística e o setor calçadista e emprega tanto quanto a indústria civil.

A secretaria diz que no governo estadual existe esse entendimento da importância da economia criativa na economia do Estado, mas que certamente pesquisas como essas são um estímulo aos investidores. "Fortalece essa relação da gente com essas empresas que participam dos projetos via leis de incentivo, porque fica evidente que de outra forma eles também são beneficiados."

Descentralização

Outro fator importante apontado é a descentralização cultural. Segundo o estudo, dos projetos selecionados na amostra, 71,2% foram desenvolvidos em cidades do interior do Rio Grande do Sul e 28,8% na região metropolitana de Porto Alegre. Quanto à porcentagem dos recursos alocados nestes eventos, 59,5% ficaram no interior gaúcho.

Os dados mostram ainda que o interior concentrou um número maior de eventos realizados (69), mas com dimensões menores, com média de R$ 202,2 mil por projeto. Na Capital e Região Metropolitana foram menos projetos (28), com uma média mais alta de gastos (R$ 339,95 mil). "Pelo menos na música fica evidente que os investimentos não são todos em Porto Alegre", diz a secretária.

Satisfeita com o resultado dos estudos, Beatriz Araújo fala que a ideia é ampliá-los de diferentes formas. Atualmente, a secretária busca apoio de entidades como o Conselho de Dirigentes Municipais de Cultura e dos 12 Colegiados Setoriais da Cultura no RS. Esses colegiados também se disponibilizaram a passar informações, que trazem à tona a real situação da cultura no estado.

O objetivo é estabelecer políticas públicas próximas das demandas reais do estado. "Até então a Cultura não tinha indicadores, a gente trabalhava no escuro."


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