Entrevista

Balas de Estalo encerra temporada

No último programa da série, neste ano, Daniel Amaro conversa com o historiador de Moçambique

25 de Novembro de 2021 - 11h53 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Gestor público aborda o legado africano no Brasil  (Foto: Divulgação - DP)

Gestor público aborda o legado africano no Brasil (Foto: Divulgação - DP)

No mês da Consciência Negra o web programa do Diário Popular, Balas de Estalo, encerra a segunda temporada com o historiador Emanuel Dionísio, diretor Nacional das Indústrias Culturais e Criativas, do Ministério da Cultura e Turismo de Moçambique. A entrevista comandada pelo coreógrafo, bailarino e produtor cultural Daniel Amaro vai ao ar na noite nesta quinta-feira (25) às 20h no Facebook e Instagram e pelo canal do DP no Youtube.

Fazendo uma conexão Pelotas-Moçambique, Dionísio vai conversar com Amaro sobre temas delicados, mas necessários, como a imigração forçada de negros e negras moçambicanos, vindos para o Brasil na condição de escravos. Segundo Daniel Amaro, uma parte significativa dos afrodescendentes gaúchos e pelotenses tem essa origem em comum. Uma ascendência apagada por políticas de estado e pela historiografia oficial e que hoje pode ser comprovada via DNA. "Poucas pessoas sabem disso", comenta.

Emanuel Dionísio é gestor cultural e abordará ainda o legado dos povos negros no Brasil. No currículo do historiador estão cargos, como chefe de Departamento Autônomo dos Destinos Turísticos de Moçambique e diretor da Cultura do Município de Maputo-Capital de Moçambique. "Não é por acaso que encerramos a temporada, na última quinta-feira de novembro, com o Emanuel. Esse encontro com o Emanuel vem também para nós celebrarmos essa legado cultural africano", fala o apresentador.


Novidades em 2022

Com direção do jornalista Vinícius Guerreiro, Balas de Estalo começou a ser exibido este ano e agora fecha a segunda temporada com 21 programas apresentados em 2021. Os temas foram os mais variados dentro do espectro cultural, em conversas com artistas que atuam no município e que estão fora de Pelotas de áreas como o cinema e o teatro, a dança, as artes visuais e a música, nos mais variados estilos, rap samba, mpb e nativista. "Claro que não conseguimos conversar sobre tudo, faltou literatura, poesia, e outros temas, mas conseguimos trazer um pouco dessa diversidade cultural da região", fala.

Daniel Amaro destaca ainda dois bate-papos sobre gestão. "Porque não basta fazer arte, nós também temos que aprender a conduzir o nosso trabalho", comenta Amaro. Sobre essa última temática houve uma conversa com a secretária de Estado da Cultura, Beatriz Araujo, e outra com o presidente do Conselho Municipal de Cultura, Leandro Maia.

A expectativa é de que o programa prossiga em 2022. Provavelmente a nova temporada comece no final de janeiro e o Carnaval deve dominar as primeiras conversas do ano. O apresentador adianta que a ideia é trazer um pouco dos bastidores da festa mais popular do país em Pelotas e região.

Por causa da pandemia as entrevistas estão sendo feitas via internet, mas o desejo da equipe é que no próximo ano os encontros presenciais possam acontecer. "Quem sabe ir nos barracões e pegar os personagens dessa festa e dar visibilidade ao trabalho que desenvolvem", adianta Amaro.

O programa começou a ser gravado na Live Studio TV, mas durante o ano itinerou por outros espaços, até mesmo no Theatro Guarany. Voltar a usar prédios históricos da cidade como esse é uma das metas, bem como valorizar os pontos turísticos da região. "A colônia de Pelotas deve ser explorada na próxima temporada. Esse programa também vem pra isso, pra fortalecer esse setor", comenta.

Feliz com a oportunidade de estar à frente deste projeto, Daniel Amaro elogia a direção do jornal por estar afinada com as demandas da sociedade, como dar visibilidade aos pretos e pretas. "Fico muito lisonjeado de estar na ponta desse programa, que tendo como âncora um homem negro dá faz esse link com povo negro."

Serviço

O quê: programa Balas de Estalo

Quando: quinta-feira (25), às 20h

Entrevistado: historiador moçambicano Emanuel Dionísio

Onde: Facebook, Instagram e Youtube

 

 


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