Comportamento

Atividades divertidas e rotina são as melhores amigas das crianças

Dez meses do início da pandemia, as crianças também precisam fugir do estresse

16 de Janeiro de 2021 - 12h40 Corrigir A + A -

Agência Brasil

 Isolamento social pode causar ansiedade e até depressão (Foto: José Cruz - Agência Brasil)

Isolamento social pode causar ansiedade e até depressão (Foto: José Cruz - Agência Brasil)

Dores de cabeça, de estômago e alteração no apetite e no sono são alguns sinais de alerta da depressão infantil. Os pais também devem ficar atentos a dificuldade de atenção, angústia, agressividade, isolamento e cansaço. Segundo especialistas, o isolamento social enfrentado neste período de pandemia de covid-19 pode agravar a ansiedade e depressão nas crianças, já que a maioria das tarefas estão restritas ou até mesmo proibidas.

A psicanalista Elizandra Souza destaca que nesta realidade de pandemia, as crianças tiveram que se adaptar ao novo, "tentando entender também o comportamento de todos dentro de casa, pois esta mudança não se restringe unicamente a elas, já que os pais também tiveram que se reinventar".

Passados dez meses do início da pandemia, anunciada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 11 de março, nada mais é novidade. A psicanalista ressalta que, no início, "ficar em casa, não ir à escola parecia algo bom". "O novo virou tédio! As crianças acabam ficando entediadas pela falta do que fazer e é aí que podem começar a surgir os problemas", destaca.

Rotina

Para ajudar a vencer o tédio durante o isolamento, a psicanalista orienta a seguir uma rotina as crianças. "A rotina gera segurança e sensação de proteção". Ela ainda acrescenta que é preciso incentivá-las a fazer atividades motoras. "As crianças precisam se mexer", ressalta.

A psicopedagoga Thaisa Rocha Moura concorda que manter uma rotina é essencial, tanto para as crianças, quanto para os pais e aconselha a criar juntos um quadro de rotina com atividades que sejam prazerosas para a criança. "Brincar com animais, pesquisar receitas e cozinhar juntos, resgatar brincadeiras da infância dos pais, fazer uma sessão pipoca com filme escolhido por ambos e participar de brincadeiras que a criança propor", sugere Thaisa.

Sensação de normalidade

Na opinião da psicanalista, a aproximação da aplicação da vacina contra a covid-19 ainda não é fator que possa ajudar a melhorar os sintomas das crianças depressivas. Ela explica que as crianças precisam da "sensação" de normalidade. "Portanto, mais que a questão da vacina, que é muito racional e cognitiva, o que melhora o humor das crianças é parecer se integrar com outras crianças, ainda que em quantidade reduzida, bem como participar de atividades onde o corpo possa se expressar", diz Elizandra.

Ela destaca ainda que a criança tem menos elementos linguísticos para expressar sua dor e seus conflitos. "Contudo, o corpo, os movimentos são mais afetados e sofrem mais. Se a criança está há muito tempo em isolamento, dar uma volta no quarteirão já ajuda", diz. Ela acrescenta que o medo e insegurança dos pais são "os piores vilões, pois aqueles que deveriam ser fortes e proteger, também estão sem chão", afirma Elizandra.

Sintomas

Entre as prováveis causas da depressão infantil, pode estar uma experiência frustrante como separação dos pais, morte de um parente, bullying na escola. A psicanalista Elizandra explica ainda que a probabilidade da criança desenvolver algum transtorno aumenta consideravelmente quando há casos de depressão na família. "O fator genético também pode exercer influência, mas a convivência com pessoas depressivas ou com histórias de depressão na família, faz a criança 'aprender' a ser", diz a especialista.

Mas, é possível contornar a situação para que, mesmo com adultos com depressão no convívio familiar, diminua a tendência da criança a desenvolver a doença. Os primeiros sinais de que a criança pode estar com depressão são físicos. Muitos pais podem confundir estes sintomas com "manha". "As crianças com depressão podem se apresentar mais irritadas ou agressivas, perdem o interesse pelas atividades que normalmente gosta, ficam mais retraídas, apresentam alterações de apetite [excesso ou recusa], dificuldade de concentração e/ou aprendizagem, problemas com o sono [aumento ou diminuição]", elenca Elizandra.

A especialista ainda alerta sobre os sintomas mais evidentes. "Falta de paciência ou tolerância, culpabilidade, problemas na aprendizagem, afastamento e desinteresse por atividades favoritas e dores".

A criança também pode ficar muito tempo quieta, com medo de se separar dos pais ou cuidadores, evitar o contato interpessoal com as pessoas mais próximas e até mesmo perder o interesse pelas brincadeiras que costumava achar divertidas. Segundo a psicanalista, o que diferencia a depressão dos episódios de mau humor é a intensidade e a persistência.


Dicas lúdicas e simples de lazer

Ainda que a pandemia tenha alterado drasticamente o calendário escolar de milhares de crianças, muitas estarão em férias neste mês, enquanto que outras ainda permanecem, até hoje, em casa sem acesso às aulas virtuais. Com meses de pandemia, pais e cuidadores que precisam dividir a atenção entre o home office, as tarefas da casa e os filhos esgotaram suas ideias de como aproveitar o tempo livre em família com qualidade, sem gastar muito e sem sair de casa.

Para ajudar nessa missão, a professora do curso de Pedagogia da Estácio, Flávia Alcântara, separou dicas criativas e bem simples que podem preencher o dia e torná-lo mais divertido, conforme ela frisa: "As férias - mesmo que por um período mais curto - estão aí e o desafio da pandemia continua. O momento é de paciência, cautela, mas também merece lazer e descontração", afirma a profissional que também é doutora em Educação.

A psicopedagoga lembra que o segredo para criar uma programação variada e atrativa, sem que exija grandes produções, é usar e abusar do lúdico e da imaginação e querer conectar-se genuinamente com os filhos.

1) "Que tal fazer experimentos culinários e anotar tudo em um livro de receitas da família? Você pode se inspirar em pratos divertidos criando imagens, carinhas ou bichinhos", descreve.

2) Outra dica é encher um balde com pipocas e curtir um cineminha em família. "Além de opções por assinatura de streaming, diversos canais abertos de TV preparam uma programação especial de férias. Vale a pena conferir", lembra.

3) "Pequenas mudanças de rotina também podem se tornar uma boa opção de entretenimento com a criançada! Almoçar sobre uma toalha no chão, em algum espaço diferente da casa, pode ganhar ares de um divertido piquenique", ensina.

4) "Até mesmo um dia de faxina pode se converter em uma estimulante brincadeira. Você pode montar uma tabela com pontos que serão dados para quem cumprir determinadas tarefas. Crianças adoram competições!", relata Flávia Alcântara.

5) "Que tal armar uma barraca na sala (que pode ser feita de lençóis) e acampar em família?".

6) "Você já reparou em pequenos detalhes que passam despercebidos todos os dias por nossas janelas ou mesmo dentro de nossas casas? Que tal conhecer o lado artístico de sua família? A ideia é fotografar esses detalhes: pequenos objetos da casa, poses do animal de estimação, as paisagens das janelas, atividades cotidianas das crianças e dos adultos em seus cantinhos preferidos. Pense no lindo álbum de fotos que essa brincadeira pode criar!", demonstra.

7) "Tintas e cores. Que delícia libertar o artista que mora em cada um de nós! Aí está uma baguncinha que vale a pena. Com papéis colados forrando uma mesa ou até mesmo o chão, podemos criar os mais variados cenários coletivamente", explica a professora.

8) A leitura também é importante em momentos de lazer e deve ser estimulada. "Criar momentos de leitura ou contação de histórias em família é algo que não pode faltar. Escolha um bom livro, de acordo com o interesse das crianças e leia fazendo "caras e bocas"! Uma voz rouca para a bruxa e grave para o lobo ajudam a manter o interesse e a diversão da garotada. Além disso, vale contar histórias antigas ou mesmo 'causos' de sua própria infância para os filhos (eles adoram!). Essa é uma forma de se conhecerem melhor e de trocarem experiências. Contação de história compartilhada também é um barato! Alguém da família começa a história e os demais vão dando sequência", ressalta Flávia Alcântara. (Usina de Notícias)

 

 

 


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