Alternativas

Agentes aguardam editais de auxílio

Um dos setores mais afetados economicamente pela pandemia do novo coronavírus, cultura tem buscado formas de sobreviver

11 de Maio de 2020 - 23h45 Corrigir A + A -
Baque: Cia Você Sabe Quem, de Diego Carvalho (C), interrompeu atividades (Foto: Divulgação - DP)

Baque: Cia Você Sabe Quem, de Diego Carvalho (C), interrompeu atividades (Foto: Divulgação - DP)

Os agentes culturais de Pelotas ainda aguardam os dois editais anunciados pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult) em março como forma de auxílio a um dos setores mais atingidos economicamente pela pandemia do novo coronavírus. Em paralelo, os trabalhadores da cadeia criativa criaram o Fórum Popular Permanente de Cultura, como forma de dialogar entre si durante o isolamento social.

Diego Carvalho, produtor teatral da companhia Você Sabe Quem e presidente da Associação Amigos do Theatro Sete de Abril (Amasete), explica que foi a partir da necessidade de encontrar saídas para a sobrevivência do setor que ele se fortificou. A primeira ação foi solicitar que os recursos referentes ao Procultura 2018, cujo edital não havia sido lançado, fossem liberados aos agentes culturais. “A ideia era simples: ao invés dos 20 projetos selecionados para receber R$ 25 mil, se combinasse com os artistas apresentações gratuitas após o isolamento social como contrapartida para os valores pagos como auxílio neste momento.”

A ideia tem embasamento na realidade: segundo levantamento realizado pela startup de logística Cobli, divulgado no domingo, junto com esportes e recreação, o setor da arte e da cultura foi o mais impactado economicamente pela pandemia, com queda de 77% na movimentação de empregados no Brasil. Algo que se deve, claro, à proibição temporária e necessária do funcionamento de teatros, casas de show e bares.
No caso da Você Sabe Quem, comenta Carvalho, diversos planos para o ano se desmancharam no ar. Havia na agenda o retorno de peças e a estreia de um novo espetáculo. “Em abril voltaríamos com a Dona Frida e faríamos uma estreia de uma nova contação em parceria com o setor infanto-juvenil da Bibliotheca Pública Pelotense. Além dos cursos de teatro que estávamos ministrando com previsão de apresentações ao longo do ano. Todos foram suspensos, fato que impactou o retorno financeiro de alguns dos professores.”
Carvalho conta que, com a impossibilidade de estar nos palcos, o fórum tem dialogado maneiras de os artistas se reinventarem e seguirem se reinventando. Para isso, o grupo se dividiu em diversas frentes como a comissão de editais, responsável por ajudar os trabalhadores não-habituados com esse mecanismo de distribuição de recursos. “A classe torna-se unida entre si para sobreviver a este momento. E agora precisa da união do poder público e da sociedade para superar juntos as dificuldades e tornar a cidade de Pelotas um polo cultural, como ela merece.”

Secult se posiciona
Ao Diário Popular, a diretora de projetos da Secult, Alessandra Ferreira, afirmou que os dois editais anunciados, Sete ao Entardecer e Sagrada Casa, estão em vias de publicação - a Procuradoria Geral do Município faz atualmente a revisão do texto.

O Sete ao Entardecer, com investimento de R$ 100 mil, contratará 100 atividades culturais a serem transmitidas pelas redes sociais da secretaria. Já o Sagrada Casa tem orçamento de R$ 50 mil e pretende contratar 25 ações culturais de organizadores, produtores, casas e espaços culturais das diversas áreas da cultura.

Sobre a disponibilização dos recursos do Procultura, Alessandra salienta que eles já estão sendo utilizados exatamente para viabilizar o lançamento dos editais anunciados em março. “Assim será feito com os demais que estão sendo estudados.”

Campanha solidária
Enquanto a publicação dos editais parece próxima de ocorrer, a Secult segue com a campanha solidária para auxiliar os agentes culturais durante a pandemia. Foram 13 solicitações atendidas até o momento. De acordo com o diretor de manifestações populares da pasta, Paulo Pedroso, a maioria da procura vem de profissionais do ramo da música, incluindo técnicos de som e luz.

Contribuição virtual

Enquanto aguardam a publicação dos editais, os agentes culturais lançaram uma campanha de financiamento coletivo para ajudar no sustento de quem lida com a arte e perdeu trabalho durante a pandemia. Na plataforma, é possível contribuir com diversos valores e receber recompensas como produtos artísticos, vagas em oficinas e ingressos para apresentações. Confira aqui.


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