Mudança

Acervo do Malg ganha casa nova

Depois da parte administrativa, ocorre esta semana a mudança definitiva de toda a estrutura do Museu para o prédio do Lyceu Rio-Grandense

14 de Março de 2018 - 11h05 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Móveis receberam uma embalagem especial em tecido de algodão (Foto: Paulo Rossi/DP) (Foto: Paulo Rossi - DP)

Móveis receberam uma embalagem especial em tecido de algodão (Foto: Paulo Rossi/DP) (Foto: Paulo Rossi - DP)

Depois da área administrativa, agora é a vez do mobiliário e do acervo do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, da Universidade Federal de Pelotas (Malg/UFPel), entrarem na casa nova da entidade, as salas do prédio da sede do antigo Lyceu Rio-Grandense, na praça 7 de Julho, 180. A mudança das cerca de 3,8 mil peças começou na segunda-feira e deve se estender até sexta devido ao volume e a delicadeza do material a ser transportado.


Em setembro do ano passado o reitor da UFPel, Pedro Curi Hallal, anunciou a transferência do Malg para o Lyceu. O museu irá ocupar quatro salas do prédio, onde terá espaço para exposições, administração, reserva técnica. Na primeira semana de janeiro a parte administrativa foi saiu da, então, sede, o casarão da General Osório.


A diretora do Museu, Juliana Angeli, diz que as salas ainda precisam de adaptações, como a construção de painéis para as exposições. "Da reserva técnica vamos levar o que temos, mas no futuro pretende-se fazer algo sob medida", diz. Além da reitoria o trabalho conta com o apoio das pró-reitorias Administrativa e de Planejamento e Desenvolvimento, dos arquitetos Cíntia Essinger e Jeferson Sallaberry e da Superintendência de Infraestrutura. A reinauguração deve ocorrer em maio.

 

Embalagens próprias
Transportar móveis centenários e valiosos objetos de arte das sete coleções do museu é trabalho para ser feito sem pressa, mais tempo e esforço ainda foram gastos nos últimos dois meses e meio, quando todo este material foi embalado e acondicionado.


Desde dezembro a equipe liderada pela museóloga Joana Lizott embalou e encaixotou peça por peça em pacotes catalogados e numerados. Agora a equipe participa do carregamento e descarregamento, conferindo tudo.


A preocupação com a segurança do acervo direcionou todo o trabalho. Durante este período em que as obras estiveram na casa da Osório, todos os dias as embalagens foram contadas e conferidas pelo pessoal que faz a segurança.


Boa parte do material das coleções está em embalagens individuais e bem protegidas para evitar que possíveis choques ou batidas danifiquem alguma peça. Pelo mesmo motivo há poucas embalagens pesadas e as peças não podem ser empilhadas.


Para o transporte dos móveis, que começou na segunda-feira, e do acervo, iniciado ontem, está sendo utilizado um caminhão da universidade. O mobiliário também recebeu um cuidado especial para esta etapa e não faltou criatividade na hora de projetar a embalagem.


Cadeiras e poltronas, por exemplo, foram envolvidas em tecido de algodão. Com o mesmo material foram criadas alças para o transporte destes itens, que tem em torno de 100 anos. "Não podemos segurar uma poltrona dessas pelo braços", diz o conservador e restaurador Fábio Galli. Além destas peças também serão transportadas as mapotecas, grandes gaveteiros destinados a acomodação do material em papel.

 

Momento histórico
A diretora diz que este é um momento histórico para o único museu de arte da Zona Sul do estado, porque a sede própria dá à entidade a possibilidade de, por exemplo, participar de editais. "O que perdemos em espaço se compensa pela aquisição da sede."


A diretora do Centro de Artes (Cearte/UFPel), professora Úrsula Rosa da Silva, considera de "primeiro mundo" o trabalho feito pela equipe do Malg para o transporte do acervo. Para a diretora, ao ocupar um prédio no centro histórico do município, o Museu também ganha em visibilidade. "O acesso será facilitado."
O que atualmente o prédio da praça 7 de Julho não oferece, como um miniauditório, segundo a diretora será negociado. A intenção é ampliar o espaço educativo e, quem sabe, incluir a parte de restauro das peças em um momento didático para os visitantes.


Úrsula Silva adianta que está sendo pensada parceria com a Secretaria de Cultura. "O novo espaço do Malg tem grande potencial para a fomentar arte e cultura", diz.


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