História

Acabou o mistério

Vestígios de jornais antigos foram encontrados no interior da cápsula do tempo em homenagem a Yolanda Pereira

14 de Maio de 2019 - 19h42 Corrigir A + A -
Público pôde conferir de perto o conteúdo da caixa (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Público pôde conferir de perto o conteúdo da caixa (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Papéis encontram-se comprometidos pela água (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Papéis encontram-se comprometidos pela água (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Prefeita Paula Mascarenhas, secretário de Cultura Giorgio Ronna e pesquisador Guilherme de Almeida (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Prefeita Paula Mascarenhas, secretário de Cultura Giorgio Ronna e pesquisador Guilherme de Almeida (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A expectativa aumentou ao longo de uma semana, até a abertura oficial da cápsula do tempo encontrada na base do monumento em homenagem a Yolanda Pereira, na praça Coronel Pedro Osório. O objeto foi retirado do local no dia 7 deste mês e transportado para a prefeitura, a fim de passar por higienização externa. Na tarde desta terça-feira (14), durante coletiva de imprensa, a tampa da caixa metálica foi finalmente levantada para revelar o conteúdo guardado há 88 anos. O esperado se confirmou com a revelação de fragmentos de jornais imersos na água. 

A caixa deveria ter sido desenterrada em 1980, quando completasse o aniversário de 50 anos do título conquistado pela pelotense no concurso Miss Universo. Passaram-se as décadas e a urna foi esquecida em seu esconderijo. A suspeita acabou sendo levantada pelo pesquisador Guilherme Pinto de Almeida, que, durante o projeto do Almanaque do Bicentenário, encontrou registro da existência do objeto.

Modestamente, Almeida diz que não descobriu a cápsula, apenas chamou a atenção para uma informação perdida no tempo. Com apoio da OtroPorto - Indústria Criativa, junto da Sagres e CMPC, desenvolveu um dossiê histórico para confirmar que a caixa não havia sido retirada do local. O pretexto das obras na praça contribuiu para a equipe da prefeitura averiguar a situação e encontrar a urna.

Infelizmente, pouco restou da mensagem que deveria ser transmitida para as futuras gerações. A água acumulada da chuva, somada à umidade residindo no interior da base do monumento, comprometeu muito do que foi colocado na cápsula do tempo. Ainda assim, a expectativa é recuperar elementos que possam, posteriormente, render uma exposição. "É um presente do passado para a Pelotas de 2019", definiu a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB).

Acompanharam a cerimônia de abertura da cápsula do tempo o vice-prefeito Idemar Barz; a diretora do Diário Popular, Virginia Fetter; o presidente do Clube Caixeiral, Victor Siqueira - duas das entidades que, em 1931 participaram da homenagem a Yolanda Pereira -, entre outras autoridades.

Vestígios de outra época
A caixa deve ser encaminhada para o Laboratório Aberto de Conservação e Restauração, projeto de extensão da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) coordenado por Andrea Bachettini. A responsável explica que os documentos, ao estarem sobrepostos, formaram um bloco compacto. Será preciso retirá-los um a um, como lâminas, para realizar secagem e tratamentos específicos. 

Um raios X prévio identificou que, em princípio, apenas papéis encontram-se no interior da urna. Porém, nada ainda foi retirado, o que pode render alguma surpresa. Existe a possibilidade de encontrar as moedas de prata cunhadas com a efígie da Miss Universo de 1930. 

Indícios apontam que, além das moedas, foram colocados dentro da caixa um retrato de Yolanda Pereira, com autógrafo; cópia do Almanaque de Pelotas e exemplares de oito periódicos locais, incluindo o Diário Popular. Todas publicações eram referentes à campanha de Yolanda ao título. Também foi guardada a ata da solenidade, ocorrida em 16 de outubro de 1931, alusiva à colocação da pedra fundamental do marco-coluna, juntamente da cápsula do tempo.

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Uma rede de professores da UFPel, com participação de alunos de diversos cursos de graduação, deve se empenhar para a preservação deste material. Soma-se a participação dos conservadores e restauradores do Museu da Baronesa, Fabiane Rodrigues e Marcelo Madaril, que acompanharam o processo desde o início. Não há previsão de conclusão do trabalho. "É um tratamento minucioso, sem pressa, para se ter todo o cuidado necessário", comenta Andrea. O andamento será divulgado gradativamente, através dos meios de comunicação.

Reflexão no presente
Responsável pela pesquisa, Almeida confessa seu fascínio pela figura de Yolanda Pereira e almeja que, junto da revitalização da praça, seja retomado o roseiral em canteiro circular ao redor do monumento, considerado igualmente uma homenagem à ilustre pelotense. Nos dias atuais, a obra apresenta-se em lamentável estado de conservação, conforme a subtração de caracteres de sua inscrição e quebra de partes das extremidades da coluna. 

Frente a essa situação, Guilherme acredita que, independentemente do material encontrado na caixa, a principal mensagem que este episódio proporciona é uma reflexão sobre a preservação do patrimônio da cidade, um legado que se encontra constantemente ameaçado.

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No jogo da cultura
A descoberta da semana passada motivou o encaminhamento de uma nova cápsula do tempo. A população poderá contribuir com ideias do que deve ser entregue para os pelotenses de 2069. A pergunta "O que queremos mostrar para a Pelotas do futuro?" será disponibilizada no site da prefeitura. A cerimônia para enterrar a caixa está prevista para julho, durante a semana de aniversário da cidade.

Confira o vídeo:


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