Solidariedade

A tradição que se mostra resiliente

Guirlandas de Natal - Noite das Bem-aventuranças se mantém, mas de forma virtual

05 de Dezembro de 2020 - 13h02 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

O evento beneficente vai ajudar a por comida na mesa de mais de mil famílias (Foto: Carlos Queiroz  - DP)

O evento beneficente vai ajudar a por comida na mesa de mais de mil famílias (Foto: Carlos Queiroz - DP)

As peças foram fotografadas na Catedral São Francisco de Paula (Foto: Juliano Kirinus - Especial DP)

As peças foram fotografadas na Catedral São Francisco de Paula (Foto: Juliano Kirinus - Especial DP)

São 82 guirlandas para o público ver (Foto: Carlos Queiroz -DP)

São 82 guirlandas para o público ver (Foto: Carlos Queiroz -DP)

Equipe organizadora é formada por Sandra Espinosa (D), Adriana Fernandes, Fabiana Moglia, Eduardo Horta e José de Pellegrim (Foto: Carlos Queiroz  - DP)

Equipe organizadora é formada por Sandra Espinosa (D), Adriana Fernandes, Fabiana Moglia, Eduardo Horta e José de Pellegrim (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Em um ano tão atípico as tradições se tornam um momento de calmaria em meio a tempestade. Mas como o ano inspira a resiliência, mesmo a ação mais clássica talvez precise de adaptação. Foi o que aconteceu com a mostra solidária Guirlandas de Natal - Noite das Bem-aventuranças, inaugurada na sexta-feira (4). O tradicional evento se moldou aos novos tempos ao ganhar uma edição virtual. No ciberespaço a exposição pode ser apreciada gratuitamente pelo Instagram (@mostradeguirlandasdenatal), Facebook (guirlandas de natal BMTC) e Youtube.

Ver o trabalho realizado e saber o alcance que ele terá traz grande alegria a idealizadora do projeto Adriana Alano Fernandes, que confessa que a 11ª edição da mostra esteve por não sair devido a pandemia de Covid-19. "É um ano difícil para todos, mas muito mais para as famílias assistidas pelo Banco Madre Tereza de Calcutá", lembra Adriana.

Pensando nessas famílias e com o incentivo de quem participa do evento, seja como comprador das guirlandas ou como confeccionador delas, Adriana e uma equipe formada por Fabiana Moglia, Sandra Espinosa, os artistas plásticos José Luiz de Pellegrim e Lauer Santos e o arquiteto Eduardo Horta, levaram adiante a ideia e viabilizaram uma forma de exibir as peças.

A principal preocupação era como fazer a mostra sem colocar em risco os participantes e visitantes. A exposição sempre foi o ponto alto da proposta, com venda de convites para a abertura e grande visitação nos dias consecutivos.

Com caráter itinerante, ao longo dos últimos dez anos, a mostra beneficente esteve em diferentes locais, como o Mercado Central, a Bibliotheca Pública Pelotense, o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo e o Shopping Pelotas. Adriana lembra que o início do projeto neste ano foi cercado de dúvidas, mas diante da situação de vulnerabilidade social das famílias assistidas era necessário, especialmente neste ano de tantas notícias ruins. Cancelar o evento seria mais uma.

Em meio a reuniões a equipe chegou a possibilidade de utilizar o universo virtual para apresentar as obras. "Pensamos em uma live, mas já tem tantas", conta. Foi aí que tiveram a ideia de fazer um vídeo bem natalino expondo as guirlandas.

O vídeo que foi liberado na noite de sexta-feira tem direção Mateus Gomes e captação e edição de Álvaro Aguiar. Além das imagens das peças, o audiovisual contém depoimentos, incluindo o de Maria Eulalie Mello Fernandes, presidente do Banco.

As fotos das guirlandas foram feitas na última semana e tiveram como cenário a porta lateral da Catedral São Francisco de Paula, com imagens do fotógrafo Juliano Kirinus. "É muito gratificante ver o resultado é um dever cumprido, uma satisfação. Fico muito feliz por ser um instrumento de Deus. E eu que adoro guirlandas, que simbolizam o nascimento de Cristo", fala Adriana.

Apesar de parecer uma solução para um problema, o novo formato tem pontos positivos, comentam os organizadores. É que pela primeira vez haverá um registro oficial em vídeo do evento. Adriana também comenta que quem comprou a guirlanda poderá assistir a abertura do projeto com a peça em casa, outra novidade. Normalmente quem adquire tem que esperar o fim da exposição para levar a obra.

Sucesso mais uma vez

Este ano foram confeccionadas 82 guirlandas, quase o dobro da primeira edição em 2009, que teve 42 peças, mas um número menor que no ano passado em que foram apresentadas 103. Mesmo assim Adriana considera um sucesso diante da situação econômica do país.

Cada guirlanda foi confeccionada por um voluntário, arquiteto, artista ou artesão, que desenvolveu uma peça sob medida para um comprador. Quem compra contribui com R$700,00, valor que é destinado às famílias atendidas pelo Banco MTC. "São pessoas bem-aventuradas que estão promovendo a alegria de muitas famílias", diz.

Segundo Adriana o valor arrecadado se destina a compra de cestas básicas que vão para a mesa de 1,8 mil famílias todo dia 30 de cada mês. "Esse dinheiro vai garantir de quatro meses de suprimentos."

Nesta edição os colaboradores optaram por lembrar a importância da família nas guirlandas, destaca Adriana. Apesar de o trabalho ser direcionado a um comprador, neste ano a tradição veio com mais força, como uma ideia de resgate do espírito natalino. "Sempre tem algumas mais inovadoras, mas em geral elas foram bem tradicionais."

A tradição foi marcada ainda pela paleta de cores utilizada com predominância de vermelho, verde e dourado e também pelo uso de símbolos de união e família, como casinhas e ninhos de pássaros. A utilização de lampiões, velas e pinhas também marcou essa volta às heranças culturais cristãs desta comemoração.

História de um sonho

Em 2009 uma centelha de inspiração brilhou na mente de Adriana: transformar a sua paixão por guirlandas em um evento beneficente. "Eu jamais imaginei que tomaria conta desse evento durante todos esses anos", fala ao relembrar que a ideia era fazer apenas uma edição.

De lá pra cá são 10 anos consecutivos da mostra que une pessoas em torno de uma causa, ajudar ao BMTC a auxiliar famílias em situação de miserabilidade. Desde o primeiro ano a participação de colaboradores é intensa e de quem compra também. Nesta edição, por exemplo, o grupo organizador foi surpreendido com os pedidos para que o evento fosse mantido, mesmo com todas as dificuldades impostas pela pandemia.

O projeto é sempre realizado nesta mesma época e a exposição dura pouco mais de uma semana. A mostra é curtinha para dar a possibilidade de quem adquiriu o enfeite possa utilizá-lo na decoração da sua casa ou empresa. "Sempre que eu puder eu vou ajudar, vou manter o projeto."

Os organizadores contam que já receberam a sugestão de fazer o evento com outras bases, como árvores de Natal, por exemplo. Uma possibilidade que não foi descartada, mas ainda está no plano das ideias. "Quem sabe, se Deus me inspirar com outra coisa a gente muda", diz Adriana.


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