Literatura

A mudança vem da união

Professora Rosemar Lemos, do Centro de Artes da UFPel, lança Ubuntu, obra na qual aborda o ativismo negro nesta universidade

24 de Dezembro de 2019 - 18h53 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Feira Preta.  Primeira sessão de autógrafos do livro foi em São Paulo

(Foto: Divulgação)

Feira Preta. Primeira sessão de autógrafos do livro foi em São Paulo (Foto: Divulgação)

A professora doutora Rosemar Gomes Lemos, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), lança em Pelotas, nesta quinta-feira (26), o livro Ubuntu - As transformações através das ações afirmativas. O encontro com a ativista e escritora ocorrerá, às 17h, no Museu do Doce, na praça Coronel Pedro Osório, 8. Além da sessão de autógrafos, o evento terá roda de conversa com participação da executiva Lisiane Lemos e momento cultural com a intérprete Cristiane Medeiros Gomes. A entrada é franca e a obra estará sendo vendida no local.

Em iorubá ubuntu significa “unidos somos um”, prática que tem trazido conquistas importantes para o ativismo negro dentro da universidade. Escrito em primeira pessoa, a obra de Rosemar Lemos, que evoca as memórias da escritora, vai além de abordar o racismo; abre para o público diferentes frentes práticas e efetivas na busca por trazer igualdade de oportunidades a jovens estudantes negros.

O livro Ubuntu - As transformações através das ações afirmativas traz um relato da professora sobre o processo de implantação de ações afirmativas, de forma pioneira no Estado, dentro da UFPel. A obra foi lançada, no dia 8 deste mês, em São Paulo, no Memorial da América Latina, durante a Feira Preta.
Ubuntu tem capa de Matheus Borges, acadêmico do curso de Licenciatura em Artes Visuais. A divulgação está sob a responsabilidade de Tassiele Viebrantz Cassuriaga e Renan Lemos.

De mãos dadas
Mulher negra, sul-rio-grandense e educadora, Rosemar começa a obra relembrando suas experiências profissionais desde que era professora de Matemática e Química, no Ensino Médio do Ginásio do Areal. Instituição onde começou a construir com alunos, de forma autodidata, um ambiente de valorização dos jovens negros dessa escola.

O projeto intitulado De Mãos Dadas com Nossas Raízes e Nossos Irmãos, desenvolvido entre os anos de 2003 e 2008, foi tão bem-sucedido que acabou dando origem ao Design Escola e Arte, na UFPel. “A educação é uma das poucas formas de se garantir o respeito às pessoas negras”, diz a professora.
Na obra, a escritora ainda aborda o surgimento do Núcleo de Ações Afirmativas e Diversidade (Nuaad/UFPel), que ocorreu em 2014, quando a universidade aderiu à política de cotas. Rosemar lembra que no início as vagas eram oferecidas aos autodeclarados negros.

Ao longo do processo, erros e acertos provaram serem necessárias outras formas de normatizar a utilização das cotas. Esse roteiro de como foi e como é feito o trabalho hoje também consta do livro. “Essa experiência com as ações afirmativas implementadas pela UFPel relatada pode servir de ferramenta e roteiro para outras universidades”, comenta a ativista.

A escritora destaca que a UFPel é uma das universidades públicas que, com autoridade, pode ousar contar sua experiência de implementação das ações afirmativas. “Não temos dúvidas de que muito precisa ser feito, mas os avanços implementados por essa instituição de ensino nos últimos anos podem e devem ser inspirações para outras universidades que querem trilhar os mesmos caminhos”, observa.

Museu
O próximo passo da ativista é a criação do Museu Afro-Brasil Sul, entidade virtual, para que seja acessível a toda a rede estadual e municipal de ensino de Jaguarão, Arroio Grande, Pedro Osório, Canguçu, São Lourenço, Pelotas e Rio Grande. O projeto foi aprovado e vai envolver professores de História e Arte destes municípios, incluindo professores formados no Centro de Artes da UFPel, também da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e alunos da Unipampa. “Todos já têm professores contatados para começar a organizar as coleções e o professor José Luiz de Pellegrin (UFPel) vai fazer a curadoria.”

Sobre a autora
Rosemar Lemos é professora no Centro de Artes, no curso de Licenciatura em Artes Visuais, e é membro do Colegiado de Curso e da Pós-Graduação em Artes. Possui PhD na área de Ciências da Arte e do Patrimônio pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa/Portugal. É professora-associada da UFPel e foi chefe do Núcleo de Ações Afirmativas e Diversidade da UFPel de 2017 a 2019. Teve o primeiro contato com a universidade em 1988, graduando-se em Arquitetura e Urbanismo e logo em Esquema 1 pela UCPel.

Após isso, se formou como doutora em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e foi PhD pela primeira vez na área de Novos Materiais pela Universidade de Aveiro/Portugal em 2005. Atualmente suas áreas de atuação em pesquisa referem-se aos temas: ações afirmativas; patrimônio histórico material e imaterial; cultura indígena e afro-brasileira; formação de professores de Artes; educação ambiental, recursos didáticos interdisciplinares e gráfica computacional.


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