Arte

A história por trás da obra

Dentro da programação da 14ª Primavera dos Museus, Malg/UFPel apresenta mostra totalmente virtual

22 de Setembro de 2020 - 11h22 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Obra de Magliani estará nesta nova mostra (Foto: Divulgação - DP)

Obra de Magliani estará nesta nova mostra (Foto: Divulgação - DP)

Diretor Lauer dos Santos destaca o lançamento virtual do catálogo (Foto: Gabriel Huth - Especial DP)

Diretor Lauer dos Santos destaca o lançamento virtual do catálogo (Foto: Gabriel Huth - Especial DP)

Abre nesta terça-feira (22), às 20h, a exposição Acervos que contam histórias, do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, da Universidade Federal de Pelotas (Malg/UFPel). A atividade integra a programação da Universidade na semana em que se celebra a 14ª Primavera dos Museus, iniciativa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A edição deste ano se desenvolve sob o tema Mundo digital: Museus em transformação.

Acervos que contam histórias segue esse chamado para a realização de mostras virtuais e vai ao encontro do que a instituição tem apresentado nos últimos meses, tanto no Instagram, quanto no Faceboook. Mas desta vez com esse material mais unificado e com mais detalhamento. A intenção é para fornecer para os internautas uma abordagem mais dinâmica e interessante a respeito do acervo, cruzando histórias, estabelecendo relações com as obras.

As obras em destaque nesta exposição estão incluídas no catálogo da instituição lançado em 2018. De acordo com o diretor do Malg, professor Lauer Alves Nunes dos Santos, elas foram escolhidas em função das coleções que representam e dos diálogos que elas estabelecem com a história da fundação do Museu e, por exemplo, da extinta Escola de Belas Artes, que deu origem ao atual Centro de Artes da UFPel.

Uma delas é Retrato com pesadelo, de Maria Lídia Magliani, uma mulher, negra, que nasceu em Pelotas, mas que se radicou no Rio de Janeiro, onde morreu em 2012 aos 66 anos. A obra pertence à Coleção Século 20 e foi doada pela própria artista ao Museu em 1995.

Apesar de ser de 1990, é absolutamente atual, pontua Santos. É o poder da arte de se manter atemporal. "Magliani é uma artista cujo traço e cores aludem ao expressionismo e aos dramas existenciais do indivíduo que, através da artista, podem alcançar os dramas e conflitos de todos nós."

Paralelamente, o Malg tem uma exposição montada na sede do Museu, chamada O Eu, entre o autorretrato e a self, mas que não pode ser visitada por enquanto. Dessa mostra foi produzido um filme curto que também será disponibilizado no site (https://wp.ufpel.edu.br/malg/).

Experiência compartilhada

Ainda dentro da programa da Primavera dos Museus, na quinta-feira ocorrerá o lançamento da versão virtual do Catálogo do Malg. O material poderá ser visualizado em uma versão que é possível folhear digitalmente. "Queremos popularizar e democratizar esse material."

Na sexta-feira, às 16h30min, Lauer Santos falará sobre essa experiência de melhorar a comunicação digital da instituição no Seminário Primavera dos Museu na UFPel _ Mundo digital: museus em transformação. O diretor vai abordar o tema A produção de conteúdo para mídias digitais a partir do acervo do Malg.

Santos comenta que a produção de conteúdo digital, estimulada pela necessidade de distanciamento social imposto na pandemia de Covid-19, tem sido um exercício de aprendizado. Era a única saída para manter o Museu ativo. "Nós, assim como a maioria das instituições, não estávamos preparados para isso."

Essa urgência possibilitou o surgimento de alternativas, que possivelmente em uma situação normal fossem demorar mais tempo. "A Universidade tem se mobilizado muito para tentar nos suprir as necessidades digitais para essas atividades todas. A Rede de Museus também tem tido um papel muito importante de dinamizar e tentar executar a maioria das ações. Neste sentido estamos tento ganhos com as dificuldades."

O que contribuiu para essa adaptação foi o rico acervo do Museu, argumenta o diretor. "Esse foi um bom momento pra gente perceber como esse acervo é capaz de gerar conteúdo para essas mídias."

A apropriação desses espaços digitais incluiu se adequar ao formato de cada uma delas. Lauer Santos se refere, por exemplo, a publicações com imagens e textos curtos.

O Instagram, na experiência do diretor, é uma plataforma em que a referência das imagens, em publicações com mais de uma imagem, é mais deficitária. "Já no Facebook a gente pode complementar as informações", comenta.

Porém tanto um formato, quanto o outro têm feito um belo serviço na divulgação do Malg. "A gente entende que essas interfaces digitais são a forma de aproximar o público do Museu e da cultura."

Mesmo com as dificuldades iniciais, a experiência tem sido positiva e, segundo Lauer Santos, essas mídias receberão mais atenção e dedicação daqui para frente. "Embora o contato presencial com algumas obras seja insubstituível." Até o final do ano, pelo menos, o Malg vai ganhar mais uma exposição virtual, garante o diretor.

 


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