Música

A guitarra como protagonista

Moçambicano Regino Matimbe realiza workshop de ritmos africanos no sábado, em Pelotas

04 de Abril de 2019 - 11h30 Corrigir A + A -
Estadia.  Músico pretende ficar um ano na cidade. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Estadia. Músico pretende ficar um ano na cidade. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

O intercâmbio cultural entre Pelotas e Moçambique continua - e ele tem de ser constante e diário. Através do festival MozBrasil, ocorrido na cidade no fim de março, o guitarrista Regino Matimbe realiza workshop de ritmos africanos, no sábado, no Pelotas Bier Hostel.

Matimbe nasceu em Matola, província de Maputo, capital do país africano. Começou a tocar aos nove anos, através da influência do tio, que o apresentou aos instrumentos musicais. Sem dinheiro para comprar uma guitarra, optou por improvisá-la em uma lata de azeite e assim começou uma jornada vitoriosa na música. Na sequência, o artista foi para um internato em Matutuíme. Lá encontrou outros colegas que também tinham apreço pelas cordas e ali pôde desenvolver habilidades e abrir portas para tocar em eventos pela região - aos 17 anos, tocou em encontro de presidentes africanos, por exemplo.

Já reconhecido pelo talento, Matimbe passou a acompanhar bandas pelo país - destaque para o músico sueco Iking, o brasileiro Fábio Costa e a eyuphuro, junto da diva Vena Bakar, com quem tocou por quatro anos em diversos países dentro e fora da África. A experiência o levou ao projeto (In)disciplinados, desenvolvido pelo também moçambicano Jimmy Dlulu.

A vinda a Pelotas se deu por conta da cantora moçambicana Sizaquel Matchombe, principal atração do Festival MozBrasil. Uma experiência que, ao Diário Popular, ele descreve como enriquecedora. “Me senti maravilhado. O movimento cultural aqui é muito forte”, comenta, salientando que não foi fácil: os custos impossibilitaram a vinda dos sete músicos que compunham a banda, ao que foi necessário chamar profissionais pelotenses para preencher as lacunas de um repertório complexo.

A parceria deu tão certo que ele renovou o visto por um ano e pretende permanecer na cidade. Realizar oficinas, montar uma banda e realizar o sonho de gravar um CD são os objetivos. “Para o músico aqui é melhor, sempre tem algo acontecendo. Em meu país, passo um mês sem me apresentar, os dedos ficam destreinados”, completa. Manter-se no Brasil, porém, é também uma missão familiar: ele pretende juntar dinheiro para ajudar a família em Moçambique.

Ele e ela
Guitarra e Regino são inseparáveis. Mesmo dormindo, ele não consegue parar de pensar em melodias, novas formas de construir canções. Aí acorda, pega o instrumento e coloca tudo em prática. É uma relação espiritual, acredita o músico. “Viver sem ela é viver sem saúde. Sinto que meus dedos precisam estar com o braço dela. Temos intimidade”, comenta.

Descobrir novos ritmos está entre as atividades favoritas a fazer com essa grande amiga. O samba, por exemplo, o encanta pela riqueza dos contratempos. “Tenho minha formação graças ao intercâmbio, a essa busca por conhecimento. Música se aprende todos os dias e tenho a sorte de não ser quadrado.”

Serviço:

O quê: workshop de ritmos africanos, com o guitarrista moçambicano Regino Matimbe

Quando: sábado (6), às 10h

Onde: Pelotas Bier Hostel (rua Miguel Barcellos, 546)

Ingressos: R$ 60,00


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