Exposição

A escolarização também tem memória

Grupo de pesquisa Hisales/PPGE/Fae/UFPel apresenta acervo sobre a história da alfabetização na Semana dos Museus

15 de Maio de 2019 - 10h15 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Professoras Eliane Peres (E) e Vânia Thies mostram como os cadernos ficam acomodados depois da higienização (Foto: Jô Folha - DP)

Professoras Eliane Peres (E) e Vânia Thies mostram como os cadernos ficam acomodados depois da higienização (Foto: Jô Folha - DP)

Exposição recria uma antiga sala de aula (Foto: Jô Folha - DP)

Exposição recria uma antiga sala de aula (Foto: Jô Folha - DP)

Escrita a pena é um dos temas que causam curiosidade (Foto: Jô Folha - DP)

Escrita a pena é um dos temas que causam curiosidade (Foto: Jô Folha - DP)

Apesar de tecnicamente não atuar como um museu, o grupo de pesquisa História da Alfabetização, Leitura, Escrita e dos Livros Escolares (Hisales) integra a programação que a Rede de Museus da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) promove até sexta, dentro da 17ª Semana Nacional dos Museus. O centro do memória e de pesquisa apresenta ao público diferentes materiais, desde cadernos escolares, passando por livros didáticos, carteiras, como eram denominadas as antigas classes, passando por materiais típicos como lápis, borrachas e estojos, entre outros. Objetos que remetem as transformações que viveu o ambiente de uma sala de aula nos séculos 19 e 20.

O Hisales surgiu como grupo com o objetivo de congregar pesquisadores que se ocupavam dessas temáticas, que é uma das tendências mundiais, esclarece a professora e pesquisadora Eliane Peres. O trabalho começou que 2006 cresceu, especialmente pelo acolhimento da comunidade que tem colaborado com a doação do material que compõe o específico acervo. "Nós nos constituímos basicamente por doações, de escolas, professores e da comunidade em geral."

Hoje o Hisales é um centro de memória da escolarização e da educação, com acervo respeitado e reconhecido no país e no mundo. O grupo, que é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Faculdade de Educação (FaE/UFPel), trabalha desde março de 2017 na sala 101 - H do Campus 2, na rua Almirante Barroso, espaço que deu oportunidade que todo esse acervo fosse conhecido pela comunidade por meio de uma exposição permanente e de mostras temáticas temporárias.

O material recebido deu origem a seis acervos: o de Cadernos de Alunos e ciclo de alfabetização e outras séries; Cadernos de Planejamento (Diário de Classe) de Professoras; Livros para Ensino da Leitura e da Escrita Nacionais e Estrangeiros; Livros Didáticos produzidos no Rio Grande do Sul (1940-1980) e de Materiais Didático Pedagógicos e de Escritas Pessoais e familiares. "A diversidade do acervo é importante para que possamos fazer cruzamentos entre os temas", comenta a professora e pesquisadora Vânia Grim Thies, que junto com as também professoras/pesquisadoras Chris de Azevedo Ramil e Eliane Peres, coordena o grupo.

As doações foram chegando aos poucos e o material que para muitos não tem mais valor ganhou status de documento. Os cadernos de alunos são o carro-chefe do centro. As aquisições começaram apenas pelos de alfabetização, mas aos poucos foram se ampliando para outras séries. Atualmente o centro tem 1988 exemplares, um dos maiores do mundo. "Não há muito histórico de guarda de cadernos, alguns museus escolares da Europa fazem isso", fala Eliane.

O caderno escolar mais antigo que o Hisales guarda é de 1923 e ele está na exposição. O acervo ainda abriga 281 Cadernos de planejamento de professores ou diários de classe, 1255 cartilhas e livros didáticos nacionais e 126 estrangeiros, entre outros materiais.

Acolhimento

Cada caderno que chega até o Hisales é cuidadosamente higienizado, catalogado e registrado virtualmente. Depois desse processo o material é embrulhado em papel de seda e embalado em um envelope/caixa feito para o acomodar perfeitamente, de acordo com as suas especificidades. "A gente guarda vida de pessoas. As pessoas trazem suas histórias, suas memórias, é um objeto com valor sentimental, não é só papel velho. Nossa responsabilidade nessa guarda é muito grande", diz a pesquisadora Eliane ao lembrar do compromisso ético e estético com o material coletado.

Nesse material há cadernos individuais e coleções do mesmo estudante. O que significa que se tem a vida escolar de um mesmo aluno da pré-escola à graduação. O grupo guarda ainda conjuntos familiares, com material dos avós, pais, filhos e netos, o que proporciona um estudo da escolarização da família.

Curiosidade

Entre os visitantes da comunidade é interessante observar a reação das crianças, que se surpreendem com materiais como as pequenas lousas de ardósia utilizadas pelos alunos, quando o papel e consequentemente o caderno era coisa rara. As penas para escrita também despertam curiosidade, bem como mimeógrafos e a réplica de uma palmatória.

Serviço

O quê: exposição do acervo do Hisales

Quando: de segunda a sexta-feira, das 9h às 11h30min e das 14h às 17h30min

Onde: rua Almirante Barroso, 1.202 - sala 101 H, Campus 2 da UFPel

Aberto ao público

Visitas guiadas para escolas são agendadas pelo e-mail grupohisales@gmail.com


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