Fenadoce

A arte se une ao doce

Novo espaço criado pelo designer Leandro Selister homenageia o patrimônio material e imaterial; local é cenário de intervenções artísticas diárias

07 de Junho de 2019 - 10h30 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

 (Foto: Jô Folha - DP)

(Foto: Jô Folha - DP)

Flávio Dornelles e Cássia Miranda explicam que a apresentação tem composições de autores locais (Foto: Jô Folha - DP)

Flávio Dornelles e Cássia Miranda explicam que a apresentação tem composições de autores locais (Foto: Jô Folha - DP)

 (Foto: Jô Folha - DP)

(Foto: Jô Folha - DP)

A época de celebrar a cultura doceira de Pelotas está de volta. Até o dia 23 deste mês a 27ª edição da Feira Nacional do Doce (Fenadoce) recebe o público com diferentes atrações, entre expositores do comércio, gastronomia variada e, claro, os deliciosos doces. Este ano o evento celebra o Patrimônio nosso, lembrando o reconhecimento nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A temática é explorada em todo o Centro de Eventos e especialmente no Espaço Arte do Doce, onde 16 artistas contam a história do município, no cenário criado pelo designer e artista Leandro Selister.

Na tarde desta quinta-feira (6), segundo dia da Feira, o Centro de Eventos já estava movimentado. O casal Renato Onófrio, 85, e Dalva Onófrio, 86, aproveitou para visitar pelo quinto ano a Fenadoce. De Porto Alegre, eles viajam de ônibus por conta própria para prestigiar o evento. Como ficam até sábado, ao menos, devem dar mais uma passadinha na Feira antes da volta para casa. Na bagagem vão levar algumas caixas para a família.

O casal faz questão de vir por ser um evento único. "Os doces são a nossa grande atração, não tem em outro lugar", fala Dalva. Este ano eles aproveitaram o tempo propício para virem nos primeiros dias. "É melhor para caminhar", diz Onófrio.

Do lado dos expositores, Ricardo Crochemore e Ane Crochemore dizem que a expectativa é otimista para esta Feira. A família Crochemore produz doces há mais de 50 anos e está na Fenadoce desde a primeira edição. "Nossa maior atração é o café colonial, com produtos artesanais, movimenta muito", conta Ricardo Crochemore.

Música e história

A mostra cultural do Arte do Doce ocorrerá todos os dias da Feira. As intervenções são programadas de acordo com o fluxo de público, quanto mais espectadores, mais apresentações. O grupo formado por atores, músicos e bailarinos também faz cortejos pelos corredores do Centro de Eventos, mostrando um pouco do que é apresentado no palco.

O palco tem como referência do Theatro Sete de Abril, no traço de Selister. Na entrada do espaço, a fachada do prédio histórico é soberana e do outro lado deste mesmo painel está uma reprodução do interior do teatro de 185 anos, é ali que os esquetes ocorrem. O Mercado Central e o chafariz da praça Coronel Pedro Osório, entre outros patrimônios edificados, também marcam presença.

A atriz Cássia Miranda conta que em cena os artistas representam barões e baronesas e homens e mulheres negros, que ajudaram a forjar a história de Pelotas. Tangendo a realidade, os barões de Cacequi, o casal Francisco e Francisca Antunes Maciel, por exemplo, servem de inspiração aos atores Ana Júlia e Tarcísio Silveira.

Eles moravam no casarão 8 da praça Coronel Pedro Osório, que fica na esquina das ruas Félix da Cunha com Barão de Butuí. No esquete, a dupla interpreta a baronesa e o barão de Cacequi, conta Ana Júlia.

Por cerca de 20 minutos a história é passada através do canto e da poesia. O roteiro utiliza, por exemplo, de sambas-enredo de duas escolas pelotenses, Estação 1º do Areal e General Telles, e uma de Porto Alegre, a Praianas. Ainda a canção Flor do sal do músico Eduardo Radox, uma poesia homônima do historiador Mario Osorio Magalhães, e até uma música da dupla Kleiton e Kledir, intitulada Pelotas.

O diretor de atores, Flávio Dornelles, fala que os quase três meses de preparação do grupo foram tranquilos. "Eles responderam bem a proposta e está sendo muito gostoso trazer essa história aos visitantes."

O grupo de artistas foi contratado pela Ânima - Arte, Cultura e Educação que faz a produção cultural do Arte do Doce. O projeto tem financiamento do governo do Estado, através do Pró Cultura RS LIC, da Secretaria da Cultura.


Programação cultural sexta-feira (7)

Palco Central

17h - Café 0800
18h30min - Elvis Presley Cover
20h - Wanessa Boabaid e Banda
21h30min - Semba Pra Yayá

Palco Cidade do Doce

19h - Simone Huch
20h30min - Diego Schneider

Palco Principal
14h30min - Mostra Cultural Escolar
16h - Orquestra Areal

Serviço

O quê: Feira Nacional do Doce - Fenadoce 2019

Data: até dia 23 deste mês

Local: Centro de Eventos Fenadoce (avenida Presidente Goulart com a BR-116)

Horário: hoje, das 14h às 23h; sábados, domingos e feriado, das 10h às 23h

Site: www.fenadoce.com.br


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