Feira do Livro

A arte de Arlinda Nunes em livro

Trajetória da artista pelotense, reconhecida internacionalmente, é descrita em livro que será lançado hoje

08 de Novembro de 2019 - 13h02 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Professora e pesquisadora Úrsula Rosa da Silva (D) concretizou o sonho da artista (Foto: Jô Folha - DP)

Professora e pesquisadora Úrsula Rosa da Silva (D) concretizou o sonho da artista (Foto: Jô Folha - DP)

Aos 91 anos, Arlinda não pensa em parar (Foto: Jô Folha - DP)

Aos 91 anos, Arlinda não pensa em parar (Foto: Jô Folha - DP)

Depois da retrospectiva da carreira em uma exposição do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo - Universidade Federal de Pelotas (Malg/UFPel), em 2017, chegou a hora de contar sobre a trajetória da artista plástica Arlinda Nunes em um livro. A obra com 120 páginas foi escrita pela professora e pesquisadora Úrsula Rosa da Silva, também diretora do Centro de Artes da UFPel. O lançamento e sessão de autógrafos ocorre nesta sexta-feira (8), a partir das 19h, na 47ª Feira do Livro, com a presença das duas.

A arte de Arlinda Nunes surgiu de uma vontade da artista em registrar suas obras e sua atividade com a arte. Desejo concretizado por Úrsula Rosa, que tem no currículo livros como A História da Arte em Pelotas - a pintura de 1890 a 1980 (Educat, 1996) e Nelson Abott de Freitas e a crítica das artes visuais (Editora UFPel, 2004), entre outros.

O foco é a vida artística de Arlinda, uma referência nas artes plásticas no município, no estado, no país e fora dele. O trabalho foi feito em cima da documentação amealhada ao longo de mais de 70 anos de trabalho em torno da arte. São artigos críticos, catálogos de exposições dentro e fora do Brasil, fotos e muito mais.

O rico acervo da artista, todo organizado em pastas, documenta uma trajetória marcada pelo talento criativo, pela curiosidade e ousadia. "A gente fez um apanhado em cima desses documentos e também fizemos o registro das obras", conta Úrsula.

O livro sai pela Editora UFPel como e-book e também na forma física, que estará à venda no estande da Livraria da Universidade. Na obra, além do registro cronológico da trajetória artística da pelotense, que começou com o curso de Licenciatura em Desenho e Pintura, na Escola de Belas Artes, em 1949. Período em que foi aluna, por exemplo do pintor muralista Aldo Locatelli.

Entre as ilustrações estão imagens da obra da artista (pinturas, esculturas) pinçadas do acervo do Malg, da família e de amigos mais próximos. Úrsula explica que Arlinda não tem fases estanques, ela transitou por diferentes estilos, desde o academicismo até o contemporâneo, e fez da carreira um eterno buscar por novidades e experimentações. "Ela não para num estilo, ela continua."

Arlinda diz que dependendo do que fazia usava técnicas diferentes. "Eu uso muito o traço especialmente quando é mais importante mais do que a forma", explica.

Promotora de cultura

Úrsula conta que já conhecia o trabalho de Arlinda, artista que ela destacou no livro A História da Arte em Pelotas. Nesta obra a pelotense aparecia principalmente por sua atuação, nos anos 80, junto ao movimento em torno dos salões de arte.

Naquela período Arlinda Nunes atuava não só como artista, mas também como promotora de cultura, participando dos júris e nas organização dos salões. O livro também traz esse protagonismo da artista, que coordenou uma galeria de arte, representou a Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, em Pelotas. "Ela teve essa importância de ser alguém que estava à frente desse movimento em torno da promoção da arte e dos artistas."

Inquieta e com sede de aprender, Arlinda também viajou a muitos países fazendo cursos, buscando se aperfeiçoar, atualizar e trazer para Pelotas tudo o que ela via de novidade em torno das artes plásticas. Muito do que aprendeu compartilhou com os alunos de Artes no Colégio Assis Brasil. "Fui arte educadora no magistério estadual por 25 anos", orgulha-se.

Desta faceta, Úrsula destaca o pioneirismo na utilização da sucata nas aulas."Ela usava essa capacidade criativa para a reutilização de materiais." Sobre o tema há um capítulo do livro desenvolvido pelo grupo da professora Nádia Senna. A pesquisadora introduz a abordagem do livro paradidático que sairá no próximo ano, Arlinda para crianças. A obra integra coleção desenvolvida junto ao projeto de pesquisa As Artistas do Sul em Experiências Lúdicas e Educativas (Centro de Artes/UFPel).

Reconhecimento
Ao longo de décadas de trabalho voltado para a arte, a artista recebeu 23 premiações, participou de 36 exposições individuais nacionais, 27 internacionais. Em 2001 foi a única brasileira residente no país a ser incluída no guia de Belas Artes da Europa- Edições Euro 2000/Espanha. Em 2002, recebeu o troféu Antiqua Florentia, junto com outros 30 agraciados com o título Arciere Dell Arte - Florença, na Itália.

Aos 91 anos, Arlinda não consegue mais pintar e desenhar como antes, por causa de problemas neurológicos que surgiram recentemente. Estes contratempos não são impeditivos para que a artista continue a atuar no meio artístico, especialmente levando a experiência de décadas para o meio acadêmico. Tudo com o apoio da família, especialmente do neto Caio Nunes Vieira, fiel escudeiro desta fase, e dos muitos amigos e admiradores que ela fez ao longo dessa rica trajetória. "Sem esse suporte a gente não caminha."

Serviço

O quê: lançamento do livro A arte de Arlinda Nunes

Quando: nesta sexta-feira (8), às 19h

Onde: 47ª Feira do Livro, na praça Coronel Pedro Osório


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