Aniversário

50 anos auxiliando a biodiversidade

Museu de Ciências Naturais celebra meio século, agora instalado no coração do Centro Histórico de Pelotas

19 de Maio de 2020 - 09h44 Corrigir A + A -
Diorama apresenta o bioma Pampa (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Diorama apresenta o bioma Pampa (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Acervo: sala mostra a evolução das aves ao público (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Acervo: sala mostra a evolução das aves ao público (Foto: Carlos Queiroz - DP)

São 50 anos contando uma história que vem de muito antes. Representante da natureza no Centro Histórico de Pelotas, O Museu de Ciências Naturais Carlos Ritter completa na próxima quinta-feira meio século com significativos recentes avanços e desafios a serem vencidos no futuro.

A origem do museu vem das coleções do patrono, doadas à Escola de Agronomia em 1976. Após a incorporação à Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a casa foi oficialmente aberta em 21 de maio de 1970 com sede no então prédio da reitoria, em frente ao Mercado Central. Após oito anos em funcionamento, o museu foi fechado por uma década. A reinauguração ocorreu em 1988 e desde então o Carlos Ritter se mudou algumas vezes, recentemente fixando residência na praça Coronel Pedro Osório, no coração do Centro Histórico de Pelotas, tendo como companhia outras casas de história da UFPel: o Museu do Doce e o Museu de Arte Leopoldo Gottuzo.

Desde a reinauguração na casa nova, o Carlos Ritter conta com três exposições permanentes principais: um diorama que representa a paisagem natural do bioma pampa, com plantas e animais típicos da região; um painel sobre evolução das aves, junto da principal coleção do museu, composta por versões taxidermizadas demonstrando o processo evolutivo destes animais; e finalmente a famosa coleção de borboletas de Ceslau Maria Biezanko.

Estar no atual prédio significa bastante para o museu, enfatiza o diretor, professor João Iganci. Pela visibilidade, que resultou em aumento no número de visitantes, mas também nos bastidores, com uma maior capacidade de organização interna do acervo. “Desde a concepção inicial esta mudança não representava apenas uma mudança física de endereço, mas sim uma mudança de conceitos, buscando uma modernização da coleção, sobretudo da forma de exibição do acervo ao público visitante”, acrescenta.

Na visão de Iganci, a importância de Pelotas ter, há meio século, um museu como o Carlos Ritter, está exatamente nessa educação ambiental que a casa proporciona gratuitamente ao público diariamente. “Como um museu universitário, promove esse diálogo entre a academia e a comunidade de Pelotas, despertando o interesse pelas ciências e a consciência sobre a importância de conhecer e preservar a biodiversidade local.

Atividades interrompidas

Assim como as demais atividades da UFPel, a abertura do Carlos Ritter ao público foi suspensa em março devido a pandemia do novo coronavírus. Em um momento particularmente ruim: iniciavam naquele momento as comemorações referentes aos 50 anos, com uma exposição temporária sobre a indústria cervejeira que Carlos Ritter desenvolveu em Pelotas. Porém, ela será retomada assim que for restabelecido o retorno do funcionamento da universidade.

Além dela, atividades virtuais ainda estão previstas em alusão à data. Nesta terça-feira (19), às 19h, será feito o lançamento do selo comemorativo dos 50 anos do museu, elaborado em parceria com a Suldesign Estúdio. Na ocasião, o professor João Iganci fará uma conversa junto à professora Nádia Leschko, da UFPel, sobre a importância no design na modernização dos museus. Na quinta-feira (21), data exata dos 50 anos, Iganci representará o Carlos Ritter no programa Pinheiro Nativo, apresentado pela professora UFRRJ. O professor Leandro Maia, da UFPel, também participará do momento. Ambas as atividades serão transmitidas via Facebook do Carlos Ritter. 

Para o futuro, estão previstas outras atividades como palestras online envolvendo as ciências e a história do museu. Para junho, deverá ocorrer o lançamento da visitação virtual, em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Desafios

Dentro das metas do Carlos Ritter para o futuro estão também desafios a serem vencidos. Iganci cita a necessidade de mão de obra especializada no museu, que atualmente conta com dois servidores fixos do quadro da UFPel, mas nenhum com formação em Museologia. Ainda de acordo com o diretor, é necessário também atenção à acessibilidade, e à digitalização do acervo.


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