Cinema

207 anos de cultura

Lançada em alusão ao aniversário da cidade, terceira e última parte da série de documentários Olhares sobre Pelotas aborda tradições locais

08 de Julho de 2019 - 11h16 Corrigir A + A -
Malha ferroviária impulsionou o progresso na região (Foto: Divulgação - DP)

Malha ferroviária impulsionou o progresso na região (Foto: Divulgação - DP)

Bondes passaram a circular pelo município (Foto: Divulgação - DP)

Bondes passaram a circular pelo município (Foto: Divulgação - DP)

Espaços de socialização foram criados, como o Theatro Sete de Abril (Foto: Divulgação - DP)

Espaços de socialização foram criados, como o Theatro Sete de Abril (Foto: Divulgação - DP)

Com sangue nas mãos, tanto de animais quanto de escravos, ergueu-se uma cidade. A indústria saladeril desenvolveu a economia de Pelotas e tornou-a em um dos principais centros do país. O apogeu propiciou também o incremento de práticas artísticas, um cenário efervescente que teve início a partir das últimas décadas do século 19. Todas essas transformações sociais, da opulência à queda, encontram-se retratadas no terceiro volume da série de documentários Olhares sobre Pelotas, intitulado Culturas e tradições da Princesa do Sul.

Lançado mês passado no YouTube, o vídeo compreende mais de duas horas resultantes de entrevistas e muita pesquisa. A abordagem inclui a participação dos imigrantes na formação da sociedade local; a instalação do setor hoteleiro; a incorporação da tecnologia através da malha ferroviária; o surgimento de espaços de socialização, como cinemas, jockey clube e parques; a criação do Banco Pelotense; a rivalidade entre os centros de educação públicos e privados; os antigos carnavais; a instalação do Calçadão da Andrade Neves e a edificação da Estação Rodoviária de Pelotas.

Idealizador do longa-metragem, o jornalista Leonardo Tajes Ferreira conta que a narrativa ainda oferece destaque para algumas personalidades, como os escritores Lobo da Costa e João Simões Lopes Neto; o operário Rodolpho Xavier, um dos fundadores do jornal A Alvorada, considerado o primeiro periódico voltado à representatividade negra no país; a cantora lírica Zola Amaro; e o cineasta Francisco Santos, responsável pelo mais antigo filme brasileiro de ficção ainda preservado.

Em comparação com os títulos anteriores, cuja panorama era mais rural, de um caráter rústico, o novo filme apresenta valores que se fazem presentes ainda hoje, como energia elétrica, calçamento e saneamento. Do trio de documentários, este é considerado o mais leve, com maior variedade de assuntos e, também, de maior identificação com o público.

Os últimos minutos de Culturas e tradições da Princesa do Sul são dedicados à reprodução de um vídeo norte-americano, produzido há cerca de um século, que mostra Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre como cidades prósperas do Brasil. Encerrar com essas imagens, segundo o diretor, visa estimular a reflexão: "Até que ponto a base da economia do passado trouxe progresso? E o que se fez com isso?".

Saga chega ao fim
O projeto de resgate histórico e cultural foi realizado sem qualquer apoio financeiro por Ferreira. Desta vez, ele assina a pesquisa, o roteiro e a direção. Natural de Dom Pedrito, o jornalista conta que veio para Pelotas ainda criança, vindo a se encantar pela cidade e suas diversas faces. 

A ideia para os documentários nasceu no momento em que quis conhecer mais sobre a história local e não encontrou um material mais dinâmico que jornais, livros e trabalhos acadêmicos. Motivado por sua formação na UFPel, o rapaz idealizou um primeiro vídeo, em 2015, sobre a praça Coronel Pedro Osório. Contou, inclusive, com cópias físicas e evento de lançamento no Casarão 8.

Três anos depois surgiu o segundo documentário, A sociedade do charque, que abrangeu o capítulo da indústria do charque na região, num período que compreende os anos de 1770 a 1912. "Foi o mais difícil de viabilizar, principalmente pela escassez de dados. Pior ainda em relação a imagens para cobrir os áudios", relata o jornalista.

Por outro lado, o novo projeto da série, justamente ao abordar uma fase mais recente, oferece um vasto material ilustrativo. Com narração de Jefferson Perleberg Rubira, Culturas e tradições da Princesa do Sul completa uma cronologia histórica sobre a cidade, desde sua formação até os dias atuais.

"É mais que a história local, é um produto artístico audiovisual, feito para sentar, assistir e absorver bem as informações. Por isso, o upload no YouTube, para cada um ver a seu tempo, com calma", comenta o idealizador do projeto. As duas primeiras partes da série somam mais de 50 mil visualizações na plataforma virtual. Para tal repercussão, Ferreira tem uma resposta: "Pelotas é uma cidade que consome muito a sua própria história".

ASSISTA
O documentário Culturas e tradições da Princesa do Sul (2019, 122 minutos) pode ser assistido no YouTube abaixo:


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