Funk

100% Carol

Em sua sétima realização, Festa Signos traz para Pelotas funkeira responsável por hits polêmicos

07 de Dezembro de 2018 - 14h00 Corrigir A + A -
Reconhecimento. MC tornou-se símbolo da luta feminista com letras de cunho social (Foto: Divulgação - DP)

Reconhecimento. MC tornou-se símbolo da luta feminista com letras de cunho social (Foto: Divulgação - DP)

No funk, ela é uma das representantes mais polêmicas. Ninguém fica imune as suas letras, que ora relatam brincadeiras sexuais de forma explícita, ora criticam a corrupção e a desigualdade no país. Somente este ano, a jovem de 25 anos foi candidata ao cargo de deputada estadual no Rio de Janeiro, sofreu tentativa de homicídio por parte de seu ex-namorado e ainda virou tema de documentário premiado. Em Pelotas neste sábado (8), MC Carol é a principal atração da sétima edição da Festa Signos no Maxi Eventos. 

“Eu acho que sempre fui muito polêmica. Quando uma mulher, gorda e negra, totalmente fora dos padrões, decide trabalhar com a visibilidade, colocando a cara, ela já se torna polêmica”, comenta a cantora ao Diário Popular. Com esta postura determinada, Carol afirmou-se como uma artista militante, conforme as músicas recentes 100% feminista e Marielle Franco (Desabafo). “Nasci feminista”, diz. 

A funkeira conta que descobriu o significado do movimento há cerca de dois anos, mas sua atitude inconformada com os padrões sociais já se faz presente desde pequena. Cita o exemplo de quando não podia jogar bola porque era “coisa só de menino”. “Achava isso uma babaquice. Então saía na porrada e eles tinham que me aceitar”, lembra. Conta também que foi criada para ter sua independência e não depender de ninguém. 

Essa visão aparece em diversas músicas de sua carreira, como o hit Meu namorado é mó otário. “Cheguei no funk cheia de marra, colocando a mulher no pedestal, pensando no meu prazer, deixando os homens abaixo de mim, falando que os caras iam lavar a minha calcinha”, comenta. Letras como essa geraram repercussão tanto positiva quanto negativa para a cantora. 

“Como eu enxergo as críticas? Eu não me importo nem um pouco”, afirma. Acredita que as pessoas falam sem saber o seu contexto, sobre viver na comunidade e passar por necessidades. Em compensação, conquistou um amplo público ao longo de oito anos no funk. Para o show em Pelotas são esperadas 1,6 mil pessoas. Carol adianta algumas músicas que não faltarão na apresentação: Não foi Cabral, FDP eu te amo, Meu namorado é mó otário, Jorginho me empresta a 12, Liga pro Samu, 100% feminista e a sua preferida Propaganda enganosa. 

Esta é a primeira vez que a Festa Signos recebe uma atração nacional. O evento open bar contará ainda com cabine fotográfica, algodão doce, tobogã de quatro metros, cama elástica, balões surpresas, brincadeiras no palco, flash tattoo, café da manhã, decoração temática e muito mais. Em entrevista a seguir, a MC responsável pelo auge da noite comenta sobre o seu apelido Bandida, o conteúdo das composições e as novidades musicais previstas para serem lançadas no próximo ano. 

Diário Popular - De onde vem o apelido Carol Bandida? É daí o título do teu primeiro álbum?

MC Carol - O apelido Carol Bandida vem de criança, pelo meu jeito de ser. Já era uma criança muito autoritária, mandona, obstinada, brigona. Resolvi colocar no álbum, por que eu acho que esse apelido casou bem comigo, porque tenho uma personalidade muito forte. O meu entendimento - e das pessoas que me conhecem e que me chamam assim - não é entendimento de bandida, de crime. É de gênio forte, de ser uma pessoa inteligente, estrategista, que pensa antes. Sou também vingativa.

DP - As letras dos teus funks mudaram ao longo dos anos, oferecendo mais destaque para questões sociais do país, como intervenção militar, feminismo, negritude. Como esse posicionamento surgiu na tua música?

MC Carol - Eu acho que minhas letras não mudaram. A minha primeira letra se chama Vou largar de barriga, que era uma resposta para um cara que me falava que ia me largar de barriga. Tinha 15 anos quando escrevi e essa música é feminista. Não sabia o que era feminismo na época. Depois dessa, fiz Minha vó tá maluca, um tema engraçado, e Meu namorado é mó otário, que é uma música extremamente feminista. Sempre quis falar da violência policial, da violência dentro de casa, mas os meus temas são aleatórios, vem a frase na cabeça e aí acontece. Não é premeditado. Já parei para analisar minhas letras de antigamente. Mudaram a forma de se falar, mas o que eu queria dizer na época e agora são a mesma coisa. 

DP - Algumas composições tuas são bastante elogiadas, como o trio poderoso formado por 100% feminista, Delação premiada e Marielle Franco, sem esquecer da aula de história que é Não foi Cabral. Como é transitar por esses extremos, das canções mais bagaceiras para as que possuem um compromisso social?

MC Carol - Sou muito eclética. Ouço samba, pagode, música evangélica, tango, flamenco, música grega. Por ser eclética, acho que isso influencia nas minhas letras. Uma hora estou falando de sexo, do meu prazer, e outra hora estou falando do descobrimento do Brasil. Eu canto o tema que vier na minha cabeça, tento não ir muito para o lado romântico. Não existe uma direção certa para mim, gosto das coisas baseadas em fatos reais, do cotidiano, da realidade, do cômico, da parada engraçada. Também tenho noção de que tem que falar em coisas sérias que estão acontecendo, coisas absurdas.

DP - O que podemos esperar da MC Carol para 2019? Vem novas músicas? Novo álbum? O que tem te motivado ultimamente a compor?

MC Carol - Em janeiro eu pretendo lançar uma música que fala de um relacionamento bom que eu tive, misturado com algumas coisas erradas que eu fiz com essa pessoa. Se chama Sem pudor. Tem outra música também, que é extremamente forte, que machuca e dói. Fala sobre a tentativa de feminicídio que eu sofri, e algumas frases que eu ouvi no dia, na hora. Uma música muito pesada, é uma música de ódio. Não gosto de escrever esse tipo de música, mas é a realidade. A maldade existe e a gente tem que falar sobre isso.

Serviço

O quê
Festa Signos com show da MC Carol

Quando
Amanhã, às 23h

Onde
Maxi Eventos, na avenida Presidente João Goulart, 4.251

Ingressos
À venda por R$ 60,00 (terceiro lote e open bar) na loja Gang ou pelo site www.sympla.com.br


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados