07 de Maio de 2022 - 05h00

Mãe saudade

Por: Rubens Amador

Embora a figura materna seja única, por sua condição física e espiritual, há diversas denominações para esta criatura inigualável.

Há a mãe rica, a pobre, a feliz, a infeliz, a Mãe Saudade!

É dessa que quero falar um pouco nesta data.

Quase todos nós, filhos, nunca tivemos a capacidade de retribuir o amor e o cuidado que esse Ser Especial teve para conosco.

Achávamo-las repetitivas e protetoras, às vezes - quando éramos jovens - ao nos lembrarem, por exemplo, para não esquecermos do cachecol em noite fria. Se chovia, era a capa. E a sua eterna advertência: “te cuida meu filho, não bebe muita coisa gelada!”

A gente respondia com enfado: “tá mãe, não te preocupes, não vou beber nada gelado.” Mas dávamos de ombros, fazíamos um muxoxo, e lá íamos, lampeiros, para a “brincadeira”, o aniversário ou o baile.

No outro dia era ela quem vinha com a aspirina, o chá de limão e o mel, porque havíamos feito na festa que participáramos exatamente o contrário do que ela nos tinha advertido.

E nos cuidava; nos agasalhava com o cobertor e ficava ao nosso lado sem nenhum queixume, porque nós representávamos um pedaço dela embora insistíssemos em não nos lembrar disso.

Quantas oportunidades perdemos - os da minha geração - de curtir a nossa mãe com a intensidade que ela merecia. Nós a queríamos com displicência em casa, embora, se na rua alguém a ofendesse com palavras, partíamos logo para a briga, que esse era o único desaforo que não aceitávamos levar para casa. Cobrávamos destemidamente o respeito de outrem para com alguém que era sagrada para nós. Só que ela nunca vinha a saber do ocorrido, e do quanto, reconditamente, nós lhe amávamos. Nosso único pecado foi que a maioria, tal como eu, não soube expressar o seu bem querer por aquela criatura que nos gerou, talvez porque acreditávamos que ela jamais nos deixaria, e não faltaria tempo para dizermos-lhe, agradecidos, o quanto a queríamos bem.

Esse dia, creio, foi sempre adiado pela maioria.

Deus fez todas as mães com a mesma massa, dando-lhes uma sabedoria instintiva, com a certeza de que o seu amor para com seus filhos a faria um ser diferenciado na face da terra.
É uma pena que descobrimos, quase sempre, tarde demais esta verdade: nossas mães eram dotadas da capacidade de saber o que era melhor para sua cria!

Hoje, passados tantos anos sem a minha Mãe, no seu dia, confesso que sinto um pouco de remorso por não ter sido mais cordato em pequenas coisas para com ela.

Desejo daqui homenagear a minha, e as demais Mães Saudade; como a mãe de meus filhos; que há doze anos nos deixou. Essas diferenciadas mulheres, com sua sempre sentida ausência, justificam o título de Mães Saudade, todas com a mesma veemência, para muitos dos que me lêem tenho certeza.
Um epigrama meu.

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