08 de Janeiro de 2022 - 05h00

A batalha de Graf Spee - I

Por: Rubens Amador

Logo no começo da 2ª guerra, pelo Atântico, verdadeiras trilhas formadas por comboios de navios ingleses levavam o famoso “corned beef” (carne enlatada) da Argentina para a Inglaterra. Também daqui do Anglo Pelotas, enlatávamos tal carne para a Velha Albion. Mas os alemães trataram logo de destruir aqueles comboios que alimentavam o inimigo. Pouco antes da guerra ser declarada, à socapa, os germânicos já tinham construído três encouraçados de bolso, rápidos como cascavéis, pesadamente armados, e capazes de, com seus canhões de ll polegadas, despejar 500 quilos de explosivos de dez em dez segundos, tudo isto sob as doze toneladas de cada barco. Eram “monstros” na sua categoria, até então jamais vistos na arte bélica do mar. Em dois meses e meio tinham afundado dos ingleses mais de 50.000 toneladas, de importantes navios, sempre sumindo sem deixar pistas.

Os três corsários alemães chamavam-se: “Deutshland”, “Admiral Scheer”, e “Admiral Graff Spee”. Este, como bom corsário, operava nos atlânticos Norte e Sul, indo até o Índico. E sempre que se deparava com um comboio navegando para a Inglaterra, o destruía. Os ingleses estavam preocupados, porquanto o fluxo de carne e cereais da Argentina estava sendo sufocado literalmente pelo couraçado alemão. Os ingleses, com seu excelente serviço secreto já conheciam muito do “Graff Spee”. Examinada sua rota aproximada, pelos repetidos ataques na área, os britânicos destacaram três pequenos navios: o “H.M.S. Exeter”, de 8.400 toneladas, o “H.M.S. Ajax”, de 6.200, e o “H.M.S. Achilles”, de 5.600, para localizarem o temível “Graff Spee”, e, se possível, atacarem-no. Por dias seguidos, os três navios de Sua Majestade, procuravam um sinal diferente no horizonte. Até que, às 5 horas da manhã de 13 de dezembro de 1939, dia claro e sem vento, foi avistada uma fímbria de fumaça, ao longe, que marcaria o início da primeira grande batalha da Segunda Guerra nos mares. Isto tudo acontecia no Estuário do Rio da Prata, que separa o Uruguai da Argentina. O Oficial Britânico, da ponte, gritou para o imediato: “Inimigo à vista!”. E completou: “Deve ser a nossa caça.”

O alvoroço foi enorme entre os homens. E vinham mais informações: "Fumaça a 324 graus pelo través de bombordo"! "Homens a postos!". Pelo radio e em código acertaram um plano de combate: em vez de manterem os navios juntos, para o ataque, foi acertada uma manobra destinada a fazer o inimigo dividir o seu fogo, lutando em duas frentes. O “Ajax” e o “Achilles” deslocando-se juntos, deveriam tentar chegar o mais perto possível do “Graff Spee”, para lançarem-lhe torpedos. O “Exeter” se afastaria e lutaria de bordada. O que equivalia dizer que ficaria à própria sorte, pois com apenas seis canhões de oito polegadas atacaria a um encouraçado de bolso com alta capacidade de fogo, capaz de fazer voar pelos ares qualquer navio menos pesado que um couraçado verdadeiro.

Após uma troca de salvas, os navios avançaram, um para o outro, a toda força. Exatamente às 6h23m, uma granada do “Spee” matou a maioria do pessoal dos torpedos de estibordo, cobrindo o “Exeter” com uma chuva de estilhaços. Mais seis salvas foram disparadas pelo “Graff Spee”. Uma granada caiu bem no meio da torre, borrifando o passadiço com outra chuva de estilhaços afiados como navalhas. Todos os sistemas de comunicação com a praça das máquinas haviam sido destruídos; o leme não funcionava; a principal bússola giroscópica, que dirigia o navio, fora posta fora de ação. Pois assim, todo estropiado, com suas máquinas a toda força, desgovernado, o “Exeter” avançava contra o “Spee” como um cavalo desenfreado.

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