01 de Março de 2021 - 10h18

Você lembra da bicicleta na hora de sair de casa?

Por: Diário Popular

Por: Felipe Gonçalves
Psicólogo, ciclista e colaborador 

@felipesgoncalves_   /  felipesg5@yahoo.com.br

Com exceção de quem está em Home Office, muitos de nós saímos diariamente para os afazeres da rotina que demandam a presença física. Com o advento da pandemia, o transporte (especialmente o coletivo) ficou bem mais preocupante: ônibus lotados, movimento intenso... embora de máscara, muitos de nós ainda ficam com receio do contágio pelo Covid-19. Dessa forma, uma modalidade de transporte vem se popularizando: a bicicleta.

A pandemia aumentou a demanda por bicicletas e cidades adaptadas para o seu uso. Apesar de alguns problemas que ainda insistam em permanecer, nossa Pelotas se mostra um centro urbano propício a ciclomobilidade. Vivemos em uma cidade plana com muitos quilômetros de ciclovia. Atualmente, contamos oficialmente com 60 Km somados entre ciclovia e ciclofaixas (e o PlanMob propõe chegar em 226 Km até 2028). Projetos como a Ciclovia da Inovação, lançado em outubro de 2020 com o intuito de ligar o Parque Tecnológico, as Instituições Acadêmicas e demais ambientes de inovação é um exemplo de iniciativa para fomento ao uso da bicicleta durante a pandemia.

Com a ciência da necessidade de evitar aglomerações, combater o sedentarismo e praticar atividades ao ar livre, é responsabilidade do governo implementar na cidade mudanças estruturais e permanentes que possibilitem a locomoção de bicicletas. No Brasil, temos o exemplo de algumas cidades que entenderam a mensagem: Curitiba trabalha para adaptar paradas de ônibus para ciclistas. Belo Horizonte criou uma ciclovia de 30 Km que conecta a cidade ponta-a-ponta. Para estimular o uso da bicicleta, é necessário que as reformas sejam feitas de forma consistente e pensando também na segurança do ciclista. prevendo riscos em cruzamentos perigosos e sinalizando a preferência do ciclista, por exemplo.

Observamos o aumento do uso da bicicleta de forma empírica, ao transitar pela cidade e ver todo dia um movimento maior nas ciclovias e ciclofaixas pelotenses. Infelizmente carecemos de pesquisas que possam servir de base para comparação entre o momento atual e o pré-pandêmico. De qualquer forma, sabe-se que a bicicleta é não somente um veículo mais seguro (pensando na transmissibilidade do coronavirus) como também uma aliada no combate ao estresse, depressão e ansiedade. Todos nós temos momentos complicados ao longo do dia, e as pesquisas já apontam um maior índice de adoecimento mental na última década. A velocidade do mundo e as cobranças incessantes por sobrevivência e sucesso, em dissonância com as dificuldades de contato pessoal, verdadeiro e autêntico que observamos hoje em dia têm um custo alto para nossa saúde mental. Quem sabe a bicicleta pode ser sua aliada também nessa causa? Seu cérebro e seu planeta agradecem.

Talvez seja agora o momento de pegar do fundo da garagem aquela bicicleta que você não usa a anos. Ou finalmente tomar a iniciativa que volta e meia passa em sua cabeça, comprar aquela bicicleta que você "namora" na vitrine da loja. Talvez o seu caso seja o de buscar usar a magrela aos fins de semana, quem sabe. De qualquer forma, com a frequência que for, dê uma chance a você, sua saúde e o planeta: vá de bicicleta.

 

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