07 de Janeiro de 2022 - 18h02

Tecnologias que causarão impacto no jornalismo

Por: Diário Popular

O jornalismo vivencia outra grande transformação: a inserção das novas tecnologias em seus meios de produção e circulação. Com o avanço das mídias digitais, os profissionais da comunicação precisam constantemente se adaptar em uma velocidade tão rápida quanto a tecnologia 5G.

De acordo com o ex-editor administrativo da Dow Jones Newswires, Terry Wooten, era comum no passado levar um tempo para que uma nova tecnologia fosse amplamente adotada. No entanto, isso mudou. 

Com o advento da revolução digital, o ritmo das mudanças acelerou à medida que tecnologias novas e antigas são adaptadas para usos múltiplos, explica Wooten.

Em suma, as tecnologias digitais transformaram as indústrias de mídia - positivamente e negativamente - e, conforme a transformação se intensifica nas redações, a adesão às tecnologias digitais se apresenta como uma das respostas para o jornalismo.

Tecnologias digitais para o jornalismo do futuro

A pesquisa Reinventando Edições Digitais (Reinventing Digital Editions), desenvolvida pela consultoria Twipe em parceria com alguns editores de importantes mídias ao redor do mundo, destacou a inteligência artificial (IA), a análise de dados e os aplicativos como as tecnologias de jornalismo digital com maior potencial de impacto para os próximos anos. 

No entanto, algumas mídias tradicionais continuarão sendo utilizadas na produção jornalística, como vídeo e áudio. O estudo apontou, por exemplo, que 87,5% dos entrevistados afirmaram produzir vídeos, enquanto 68,8% utilizam produtos de áudio.

Contudo, há uma queda no nível de importância dessas mídias. A razão disso explica-se pelos números: 57,5% dos editores destacaram os vídeos como tecnologias de impacto no jornalismo e apenas 53,8% indicaram o áudio.

Inteligência artificial no jornalismo?

Pode parecer coisa de filme de ficção científica, mas é a realidade. Segundo o levantamento, houve um aumento surpreendente no percentual de editores que entendem a inteligência artificial como uma das maiores tecnologias para o jornalismo (cerca de 68,8%).

Contudo, essa tecnologia ainda precisa ser inserida nos processos de produção. Atualmente, apenas 31,2% dos editores realmente utilizam algum recurso de IA. 

De qualquer forma, para os entrevistados, a inteligência artificial tem muito potencial para transformar o jornalismo. 

E como funciona na prática?

De acordo com Terry Wooten, alguns veículos midiáticos, como a Associated Press e o Washington Post, utilizam a IA para identificar dados para artigos complexos sobre transações financeiras, por exemplo. 

A IA também é utilizada para a produção de matérias mais simples nas editorias de negócios e esportes. A partir dos relatórios de dados corporativos ou das estatísticas de jogos, os textos são criados automaticamente, sem a necessidade de um jornalista. 

Mas é preciso ressaltar: o trabalho humano não é substituído pela inteligência artificial no jornalismo.

Estamos falando de textos simples sobre dados.  As coberturas mais extensas e que necessitam de análise de um profissional qualificado ainda são tarefas dos jornalistas.

A potência dos dados

Os dados têm muito poder em uma sociedade tecnológica. No jornalismo não é diferente: os dados exercem papel fundamental na produção atual.

Conforme o estudo, 87,5% dos veículos em que os editores entrevistados trabalham já utilizam a análise de dados nas redações. 

O principal objetivo é auxiliar na escolha de quais temas atraem maior audiência e engajamento entre os leitores/usuários. 

E não para por aí: a pesquisa aponta que a análise de dados tem um grande potencial de impacto para o jornalismo, e é a única que poderá superar os recursos de inteligência artificial em curto prazo. 

Aplicativos no jornalismo

Nos últimos anos, os acessos a aplicativos têm crescido exponencialmente ao redor do mundo. O Brasil, por exemplo, é o país onde a população mais acessa apps no cotidiano. 

Buscando acompanhar essa tendência, muitos veículos jornalísticos vêm criando aplicativos para que os leitores acessem as notícias de forma mais simples e fácil - e também para que a própria empresa mantenha sua posição em um mercado competitivo.

Segundo a pesquisa, seis em cada dez veículos entrevistados possuem um aplicativo para acesso às notícias. 

Segundo o LinkedIn, a importância das indústrias midiáticas e de entretenimento desenvolverem seus próprios aplicativos justifica-se por quatro razões principais: 

Visibilidade para marca, integração entre todas as redes da companhia, circulação dos materiais produzidos e preparação para o futuro. 

O digital é a resposta

Já faz algum tempo que a discussão sobre a migração do impresso para o digital é pauta recorrente. Mas agora, mais do que nunca, o digital tem se mostrado como a saída para o jornalismo do futuro. 

Sete em cada dez veículos entrevistados na pesquisa atestam que as edições jornalísticas digitais são (e continuarão sendo) imprescindíveis para as organizações midiáticas. 

O uso de tecnologias para impulsionar a inserção do jornalismo digital será cada vez mais importante para os veículos se manterem competitivos e para engajar os usuários em seus conteúdos. 

O processo não é fácil, mas, sem dúvida, esse é o caminho. 

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