23 de Outubro de 2021 - 08h54

O que é o jornalismo na era digital? | Parte 1

Por: Diário Popular

Recentemente, a Maryville University (St. Louis, Missouri - EUA) publicou um artigo intitulado The Rise of Digital Journalism: Past, Present, and Future, no qual faz um retrospecto do jornalismo, desde os seus primórdios até a transformação digital, além de fazer algumas projeções para o futuro da atividade.

Vamos focar na parte do artigo que conceitua a prática jornalística no ambiente virtual.

Para entender o jornalismo online

O texto da Maryville University explica as mudanças dos tempos apontando que, poucos séculos depois que os livros se popularizaram, as pessoas passaram a se mover pelo mundo tendo em mãos dispositivos capazes de conectá-los a outras pessoas ou a qualquer fonte de informação, sobre qualquer assunto que seja - tudo isso em tempo real.

Inevitavelmente, essas transformações afetaram a prática jornalística.

Hoje, jornalistas e repórteres ao redor do mundo operam de maneiras quase irreconhecíveis em comparação com a conduta de um século atrás. E, de acordo com o artigo, “...diferentes tipos de jornalistas e meios de comunicação continuarão a evoluir em resposta às tendências do jornalismo digital”.

O antigo ideal do jornalismo já não serve mais

O texto da Maryville University explica que, no ideal tradicional do jornalismo, repórteres serviam a fontes independentes, com a missão de entregar notícias objetivas e baseada em fatos. 

Embora essa tradição permaneça intacta em alguns meios de comunicação, o maior acesso às tecnologias levou à proliferação de cidadãos e jornalistas ativistas que abertamente têm um viés ou ponto de vista, mas ainda tentam promover essa perspectiva através de uma lente que inclui enquadramento justo, edição e relatórios”, contextualiza o artigo.

Também precisamos levar em consideração o fato de que a internet permitiu que qualquer pessoa se tornasse produtora de conteúdo, seja criando um blog ou um perfil em uma rede social para expressar suas opiniões, podendo viralizar as suas ideias sem qualquer filtro ou verificação de fatos.

Sendo assim, os jornalistas na era digital enfrentam o desafio diário de acompanhar a velocidade vertiginosa do ciclo de notícias. Para isso dar certo, é preciso dispor de uma caixa de ferramentas que ajude a dar conta do recado.

É isso que veremos a seguir.

Principais ferramentas do jornalista digital

O artigo da Maryville University elenca o “kit básico de ferramentas” que o jornalista atual precisa ter a mão para conseguir fazer o seu trabalho.

E ele é composto dos seguintes elementos:

  • Computadores + internet: computadores com acesso à internet permitem que os jornalistas escrevam e arquivem suas matérias e executem softwares profissionais de edição de áudio, vídeo e texto. Com a internet, é possível enviar as notícias de última hora, de modo que as empresas jornalísticas possam publicar o conteúdo em seus sites poucos minutos depois de terem acontecido.

  • Softwares especializados: programas e aplicativos modernos permitem que jornalistas façam tudo, desde edição de vídeo a trabalhos gráficos, pesquisa e transcrição, a partir do conforto de suas casas.

  • Software de videoconferência: é necessário se conectar com as fontes e equipes editoriais geograficamente distantes. Aplicativos como Zoom e Google Meet permitem que jornalistas conduzam entrevistas e reuniões remotamente.

  • Smartphones: provavelmente, a ferramenta mais importante no jornalismo moderno. Por serem capazes de capturar imagens e vídeos, gravar áudio, acessar a internet e muito mais, os jornalistas podem produzir trabalhos profissionais usando apenas seus smartphones. Além disso, estes dispositivos facilitam o envolvimento dos cidadãos no processo de participação das pautas. 

  • Gravadores digitais e serviços de transcrição: há alguns anos atrás, os jornalistas precisavam lidar com a necessidade de resumir assuntos ao vivo, em situações difíceis como um discurso de um político ou uma entrevista pós-jogo de um jogador famoso. Agora, gravadores com preços super acessíveis podem facilmente gravar, armazenar e reproduzir dezenas de horas de áudio com uma única carga, e os softwares de reconhecimento de voz podem gerar transcrições de arquivos de áudio com precisão.

  • Redes sociais: os jornalistas usam redes sociais como Twitter, Instagram e Facebook para promover seu trabalho, ficar por dentro das últimas notícias, buscar fontes e interagir com o público.

  • Rastreamento de dados de redes sociais: análises detalhadas de cliques, compartilhamentos e interações informam aos jornalistas quais histórias estão em alta e onde a pesquisa é necessária.

  • Câmeras digitais (fotos e vídeos): quando as câmeras eram baseadas apenas em filmes, a fotografia jornalística era uma prática cara e demorada, reservada quase exclusivamente para profissionais. Agora, com a proliferação de câmeras digitais e de smartphones, quase todo mundo tem um dispositivo que pode tirar fotos e gravar vídeos de alta definição. A maioria dos profissionais ainda conta com câmeras DSLR mais avançadas, com sistemas de lentes intercambiáveis que permitem registrar praticamente tudo, desde close-ups até um campo de futebol distante.

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Assim encerramos a parte do texto da Maryville University focada nos jornalistas e nas ferramentas necessárias para o exercício da profissão no ambiente online.

Na semana que vem, abordaremos a parte do material que se refere a como os diferentes tipos de jornalismo se ajustaram à era digital.

Até lá!

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