13 de Novembro de 2021 - 15h53

O que acontece quando mídias alternativas dizem que ser politizado é não participar da política?

Por: Diário Popular

Com a popularização das iniciativas digitais de jornalismo, tornou-se comum o surgimento de portais de notícias que escondem por trás de suas posturas extremistas a justificativa de existirem para "corrigir'' a orientação supostamente enviesada dos meios de comunicação tradicionais.

Assim, em muitos casos, a mídia alternativa que levanta a bandeira da batalha contra a parcialidade de pautas acaba exagerando a dose justamente no comportamento que dizem combater.

Segundo um novo estudo publicado no Digital Journalism, o resultado da exposição ao conteúdo destas mídias afasta as pessoas da política, devido à demonização do tema.

"As mídias digitais alternativas — de esquerda ou direita — desafiam e também visam superar o poder e a autoridade da grande mídia em retratar a realidade social”, cita o estudo.

Nessa disputa de narrativas, o interesse pela política vai sendo corroído aos poucos, ocasionando o empobrecimento da capacidade de entender as peças em jogo e, no caso mais agudo, a repulsa total pelo assunto.

A contradição deste discurso é flagrante: para essas mídias alternativas extremistas, ser politizado é não participar do jogo da política.

Acontece que essas plataformas esquecem - ou ignoram premeditadamente - que a vida em sociedade é regida pela prática da política. Ao manifestar sua opinião em um diálogo, a pessoa está exercendo a política. Assim como ao decidir se vai se vacinar ou não, se vai jogar um papel na lixeira ou atirá-lo na calçada… 

Ser consciente de que suas ações têm impacto na coletividade é uma escolha política, assim como viver no piloto automático sem se importar com o que acontece à volta também é.

O mesmo acontece na política tradicional, aquela exercida pelos representantes eleitos nas esferas municipais, estaduais e federais. Como não se interessar pelas decisões que impactarão diretamente nossas vidas?

Votar errado é o resultado mais óbvio da ignorância política. Se algum meio de comunicação incentiva o desinteresse, pode saber que alguma vantagem está levando nisso  - o que, provavelmente, representará uma desvantagem para você.

A mídia tradicional tem sim os seus vieses

Não estamos aqui para defender cegamente a utopia da isenção jornalística dos grandes meios.

Já vimos ao longo da história gigantes do jornalismo brasileiro apoiarem a ditadura militar, a erguer e a derrubar presidentes, ao sabor de seus interesses econômicos.

De qualquer forma, os jornais tradicionais apresentam a característica da accountability, termos inglês que pode ser traduzido por “responsabilização”: é a iminência de ser cobrado pelas ações tomadas, tanto nas esferas políticas quanto empresariais e privadas.

Trocando em miúdos, há um maior escrutínio das notícias veiculadas pelos grandes meios, devido ao tamanho dos seus públicos e do volume de dinheiro em circulação por parte de investidores e anunciantes.

Já as iniciativas menores da mídia alternativa facilmente passam por baixo do radar da accountability. Assim, criam-se “guetos” digitais, a exemplo de grupos do WhatsApp e do Telegram, onde factóides escabrosos circulam livremente com o status de “notícias”.

E daí, o que fazer?

Se você quiser aumentar seu repertório crítico sobre política, a melhor coisa a ser feita é se informar em ambos os lados. Pegue a mesma manchete e leia o que os espectros ideológicos opostos têm a dizer.

O mínimo que vai acontecer é você formar sua própria visão acerca do tema. E é exatamente isso que os meios que lucram com a desinformação não querem que aconteça.

É possível encaixar essa prática no dia a dia, sim. Assine newsletters como a do Meio, por exemplo. Chega cedinho no email com todasas notícias essenciais do dia, de forma resumida (cabe em 8 minutos de leitura).

Outra forma interessante de se manter informado é seguir as agências de checagem de fatos nas redes sociais. 

Resumindo, a única coisa que você não deve fazer é se afastar da política. 

Se você está insatisfeito com o panorama brasileiro atual, fique sabendo que ele foi sendo construído ao longo dos anos por pessoas que, gradativamente, desistiram de defender os reais interesses do povo por não entenderem o que estava acontecendo no campo político. 

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