29 de Janeiro de 2022 - 08h30

Nômades digitais ganham visto temporário para trabalharem no Brasil

Por: Diário Popular

Medida publicada no Diário Oficial da União incentiva profissionais que trabalham de qualquer lugar do mundo a virem para o Brasil

Já imaginou trabalhar durante um mês em uma cidade à beira mar na Europa? Ao completar os 30 dias, você resolve se mudar para outro local, uma cidade moderna e industrializada na Ásia. Você segue esse modelo por 12 meses e, ao final do ano, ganha uma coleção de carimbos em seu passaporte. ✈️🌎

Essa é uma pequena amostra da vida de um profissional que é nômade digital. Mas o que isso significa? 

Nômade digital é a pessoa que vive e trabalha em qualquer lugar à sua escolha. 

No entanto, não é a mesma coisa que um profissional que trabalha remotamente e tem seu lugar de trabalho estabelecido. O nômade digital normalmente muda de localização com frequência e trabalha em qualquer lugar do mundo. 

Brasil adota medidas para incentivar nômades digitais 

Recentemente, o Conselho Nacional de Imigração do Ministério da Justiça e Segurança Pública regulamentou através do Diário Oficial da União a liberação de um visto temporário e autorização de residência aos imigrantes sem vínculo empregatício no Brasil e que utilizam tecnologias para executar o trabalho para empresas estrangeiras.

O principal intuito do visto é incentivar as atividades dos nômades digitais. O prazo inicial para esses profissionais trabalharem em terras brasileiras é de um ano, sendo que esse período pode ser renovado. 

Além disso, há critérios específicos para a liberação do visto. Não basta se intitular nômade digital. É necessário seguir algumas prerrogativas apresentadas na medida disposta no Diário Oficial da União:

  • Documento de viagem válido ou outro documento que comprove a identidade e nacionalidade, conforme os termos dos tratados de que o país faz parte;

  • Seguro de saúde válido no Brasil;

  • Comprovante de pagamento de emolumentos consulares;

  • Formulário de solicitação de visto preenchido;

  • Comprovante do meio de transporte utilizado para entrar no Brasil;

  • Atestado de antecedentes criminais;

  • Documentação comprovando que é um nômade digital.

Algumas cidades brasileiras estão buscando adaptar seus espaços para incentivar a vinda de estrangeiros. Contudo, nem todas são alvo da procura desses profissionais. Em geral, os locais com maior apelo turístico recebem mais nômades digitais, como o Rio de Janeiro, por exemplo. 

Em 2021, a Prefeitura do Rio de Janeiro lançou o programa Rio Digital Nomads, que oferece um selo a hotéis, pousadas e coworkings com infraestrutura adequada e pacotes de longa permanência para profissionais que trabalham nesse modelo. 

A pandemia de Covid-19 e a aceleração da tecnologia foram os impulsionadores do aumento do trabalho remoto ao redor do mundo. De acordo com o site Nomad Life, até 2035 haverá aproximadamente 1 bilhão de profissionais nômades digitais. 

Segundo o jornalista freelancer Ollie Williams, há uma grande razão para vários países estarem lançando os vistos de nômade. A principal recompensa não são as hospedagens a curto prazo, mas a ideia de convencer esses profissionais a ficarem mais tempo e trazerem consigo seus negócios. 

Nomadismo digital não é para todo trabalhador

Aplicativos como Zoom e Google Meet se tornaram parte da vida de muitos profissionais que precisam trabalhar remotamente ao redor do mundo. E mesmo com a reabertura dos espaços de trabalho, várias pessoas incorporaram o trabalho remoto ou trabalho híbrido em suas vidas.

No entanto, essa não é uma realidade para todos os trabalhadores. Apesar do surgimento de novos formatos, muitos profissionais ainda precisam trabalhar presencialmente.

Como aponta o The Guardian, nos Estados Unidos, apenas 35% dos profissionais trabalharam em casa no ápice da pandemia (maio de 2020) e só 13,4% estavam trabalhando remotamente no segundo semestre de 2020. 

No Brasil, o número é ainda menor. Em 2020, somente 11% da população empregada trabalhou remotamente, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Uma coisa é certa: o nomadismo digital beneficiará muitos profissionais, mas ainda não será uma realidade para todas as pessoas. 

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