09 de Outubro de 2021 - 08h23

Menos conversa e mais imagem ajuda a conquistar assinantes?

Por: Diário Popular

Sinceramente, não temos dados suficientes para responder com exatidão à pergunta feita no título deste artigo.

O que podemos dizer é que esta estratégia foi adotada pelos prestigiados jornais britânicos The Times e The Sunday Times, da empresa News UK, que, por sua vez, pertence à News Corp, um dos maiores conglomerados mundiais de comunicação.

A estratégia editorial aposta em um maior volume de coberturas ao vivo, em tempo real, nas plataformas digitais destes jornais. Desta forma, há uma concentração no uso de imagens e vídeos, em detrimento do texto escrito.

Ambas as publicações estão em processo de decisão sobre como irão formatar as coberturas em suas editorias. Edward Roussel, responsável pela estratégia de desenvolvimento digital da empresa, está mirando seus esforços no jornalismo digital, com forte componente visual, dentre os novos formatos para a cobertura de notícias.

Para entender a estratégia

 “Publicar menos reportagens, mas fazê-las melhor”.

Este é o objetivo central da nova orientação editorial dos jornais The Times e The Sunday Times.

Atualmente, as redações desses jornais produzem cerca de 150 artigos (em formatos multimédia) por dia, os quais alcançam 14 milhões de visualizações por mês. 

Roussel quer mudar esse cenário, privilegiando a qualidade e a capacidade de alcance destes conteúdos, em detrimento da quantidade produzida, sem abrir mão de critérios de edição concretos.

Com isso, Roussel acredita que ambas as publicações conseguirão acompanhar a mudança ocorrida nos hábitos de consumo e de visualização dos leitores.

Para ele, a receita para o sucesso está em atender a preferência por mais imagens e textos mais sintéticos, sem perder a qualidade da informação veiculada. 

Apostas na nova orientação editorial

John Witherow, editor do The Times, criou em setembro passado uma nova área da redação, dedicada exclusivamente ao jornalismo visual.

Witherow habilitou a equipe a produzir maior quantidade de recursos visuais, como gráficos, imagens e vídeo.

Além disso, o editor passou a contar com especialistas em construção de audiências, os quais têm a responsabilidade de captar e compreender as preferências dos leitores, analisá-las e sugerir de volta à redação pautas que estejam de acordo com os seus hábitos de leitura.

Estes insights, elaborados a partir da inteligência de dados, passam a nortear também o trabalho nos perfis das redes sociais do jornal. 

A nova postura editorial acabou criando 12 novos empregos, entre jornalistas e especialistas digitais.

Na contramão do que vem acontecendo na indústria jornalística, Edward Roussel disse que, ao invés de focar na contenção de custos, ambos os jornais estão investindo em estrutura. A diretoria da empresa está ciente da necessidade de investir no jornalismo contemporâneo, pois, sem isso, dificilmente conseguirão captar mais assinantes e aumentar a entrada de receita.

O estrategista explicou que a orientação “menos conversa e mais imagem” deve proporcionar à redação "a capacidade e a sofisticação de antecipar como uma determinada história pode ser disseminada da forma mais eficaz através da internet".

Neste processo, cabe aos editores a decisão sobre qual será o formato mais adequado para cada publicação. Estar no lugar certo é um elemento chave para a eficácia dos conteúdos.

"Quanto maior for a capacidade de publicar as nossas notícias nos sites onde as pessoas focam a sua atenção, maiores são as possibilidades de ganhar audiência. Temos que nos focar na melhor forma de captar a atenção dos leitores e levá-los a tornarem-se assinantes,  para que possam ler sem limitações os conteúdos que carregam a nossa marca de qualidade", explicou Roussel.

Números do The Times

Atualmente, o jornal tem 367 mil assinantes digitais - o dobro dos assinantes da edição impressa.

Com a pandemia de Covid-19, houve um aumento significativo no número de assinantes. 

Além disso, está em curso uma renovação dos leitores online: 52% dos novos assinantes digitais são mulheres e 40% têm menos de 30 anos. Ao que parece, a linha editorial está alinhada com as expectativas do seu público mais jovem.

Resumindo…

A estratégia “menos conversa e mais imagem” não é uma unanimidade, nem no campo dos negócios, nem no campo ideológico.

Recentemente publicamos um artigo mostrando uma abordagem totalmente oposta, aplicada por uma start-up também da Inglaterra: textos longos e nada de anúncios

O modelo de negócios do The Mill direciona seus esforços para um nicho de mercado que paga a assinatura justamente para consumir conteúdos mais extensos e aprofundados.

No campo ideológico, a crítica feita à abordagem “menos texto e mais imagem” é a escravidão das redações a algoritmos e às melhores práticas impostas pelas plataformas digitais, uma vez que a relevância de uma notícia perde em importância para a sua capacidade de alcance e de engajamento.

Como dissemos no início deste artigo, não temos uma resposta pronta para este dilema. 

Obviamente, acreditamos na qualidade da informação e na sua capacidade de melhorar, em algum grau, as vidas das pessoas.

Mas, e se nessa cruzada pelo jornalismo ideológico, o descuido com as preferências do público e com as melhores práticas do ambiente digital acarretar em perdas de receita, até o ponto do insustentável?

Por isso, aqui no DP continuamos acreditando no equilíbrio - ou, como diriam os budistas, no “caminho do meio”. Não vamos deixar as pautas serem ditadas por algoritmos, mas também não seremos ingênuos a ponto de decretar que eles não nos interessam. 🔎

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E você, o que acha disso tudo? Prefere a abordagem "menos texto e mais imagem" ou gosta de mergulhar a atenção em um bom artigo escrito? Sua opinião nos interessa muito! Diga o que você acha nos comentários. ✍️

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