12 de Fevereiro de 2022 - 08h41

Há futuro para o jornalismo local?

Por: Diário Popular

Há quem acredite que as iniciativas de jornalismo local nasceram em massa com as transformações digitais. No entanto, os veículos de notícias independentes locais são mais antigos do que se pensa. 

O próprio Diário Popular é um símbolo da independência jornalística, do alto dos seus 131 anos de atividade, sem nunca ter sido vendido ou incorporado por algum grupo midiático.

É claro que, com o avanço das tecnologias digitais, o jornalismo local ganhou mais alcance.Contudo, esse crescimento começou a ser ameaçado durante a maior crise de saúde dos últimos tempos: a Covid-19.

Em um cenário como esse, há possibilidades de existência para o jornalismo local? E como esses veículos se mantêm em contextos de instabilidade?

Como destaca a Knight Foundation, em tempos de crise, as pessoas recorrem aos meios de comunicação locais para entenderem o que está acontecendo e descobrirem como obter ajuda. 

As mídias locais, por exemplo, foram as maiores responsáveis pela divulgação de informações sobre o vírus e, posteriormente, sobre os pontos de vacinação em cada cidade do Brasil.

Informação é direito, mas não alcança todo mundo 

O acesso à informação, além de ser um direito básico, é a principal forma de qualificar a população e garantir uma participação mais ativa nas políticas públicas que envolvem suas comunidades. 

No Brasil, entretanto, o acesso não é para todas as pessoas. Conforme o Atlas da Notícia de 2020, aproximadamente 34 milhões de brasileiros não possuem acesso à informação jornalística sobre o local onde vivem. 

Mais de três mil municípios são considerados desertos de notícias, isto é, cidades que não possuem nenhum veículo de comunicação. O cenário é preocupante, pois seis em cada dez municípios no Brasil vivenciam essa situação.

Há outra ocorrência frequente em terras brasileiras, que são os chamados quase desertos de notícia'', ou seja, locais que possuem apenas um ou dois veículos jornalísticos. Essa situação traz uma problemática importante a ser discutida: a qualidade do jornalismo do local.

Com pouca ou nenhuma concorrência, iniciativas locais estão mais vulneráveis a interferências políticas ou empresariais, por exemplo, embora isso seja difícil de apurar caso a caso, destaca relatório do Atlas da Notícia. 

Jornalismo local faz a diferença

Diversos setores foram afetados pela pandemia, incluindo o jornalismo. No entanto, vários veículos de jornalismo local cresceram ao redor do mundo.

Este é o caso do 100Fronteiras, um veículo da cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, que em 2021 dobrou sua equipe. Enquanto grandes redações fechavam ou demitiam funcionários em massa, o veículo teve um aumento de 80% na receita em apenas 10 dias.

Outro exemplo é o próprio Diário Popular. Em meio à crise ocasionada pela pandemia, consolidamos a posição de 3º maior portal de notícias do Estado, atrás apenas da GZH e do Correio do Povo (os quais integram grandes grupos empresariais).

Além disso, em 2021, nosso site superou em 200 mil o número de acessos ocorridos em 2020 e ultrapassou a marca de 6,7 milhões de visitas, quebrando o recorde histórico.

As razões que explicam os porquês de vários veículos locais sobreviverem às consequências negativas da pandemia são muitas: melhor alinhamento com a comunidade local, engajamento com o público, utilização de recursos multimídia e atualização constante são algumas delas. 

De acordo com a Knight Foundation, mesmo em tempos economicamente difíceis, muitas pessoas resolveram fazer doações e se inscrever em portais de informação locais como uma forma de apoio. 

As pessoas perceberam o quão importante as notícias locais foram durante a pandemia, o quão vital é entender como o vírus está se espalhando nas comunidades e onde obter apoio de bancos de alimentos e outros serviços de rede de segurança social”, afirmou a Knight Foundation.

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