11 de Dezembro de 2021 - 07h17

Acessibilidade no jornalismo digital: por que é importante e como fazer

Por: Diário Popular

Em um mundo cada vez mais digital, o jornalismo parece ser acessível. Afinal, as notícias circulam rapidamente, há milhares de mídias e muitas maneiras diferentes de tratar um acontecimento – seja em vídeo, áudio, texto ou imagem.

Isso faz parecer que se atualizar sobre o que está acontecendo no mundo é muito fácil. Contudo, para as pessoas com deficiências físicas, isso não é tão simples.

A falta de acessibilidade é uma realidade no jornalismo digital brasileiro.

Um estudo realizado pelo BigDataCorp, em parceria com o Movimento Web para Todos, analisou os 16,89 milhões de sites que estão ativos no Brasil em 2021. O levantamento constatou que somente 0,89% desses sites são acessíveis.

Um número muito baixo, levando em conta um país com uma população de aproximadamente 45 milhões (cerca de 25%) de pessoas com algum tipo de deficiência.

Nos sites avaliados foram observados os textos, formulários, links, imagens e outros elementos. A partir disso, constatou-se que a maior parte desses itens precisava de uma adaptação e revisão para garantir a acessibilidade do conteúdo.

Acessibilidade no digital é um bicho de sete cabeças?

Há uma concepção equivocada de que, para garantir acessibilidade de um conteúdo digital, é preciso inúmeros instrumentos, profissionais e processos diferentes.  

Mas, na verdade, a implementação de padrões de acessibilidade digital pode ser mais fácil do que se imagina.

Como aponta o New York Times, há inúmeros elementos que designers e desenvolvedores podem incorporar como princípios de acessibilidade em suas aplicações na web.

Quer entender como isso funciona na prática? Trouxemos para você alguns exemplos.

HTML semântico

Nas aulas de língua portuguesa aprendemos que semântica é o estudo do significado e interpretação das palavras. Mas o que isso significa para o HTML?

Aplicar a semântica no HTML significa buscar uma melhor compreensão do HTML para o computador.

Além disso, o HTML semântico também facilita o entendimento de leitores de acessibilidade.

Isso faz toda a diferença para pessoas deficientes que precisam utilizar de leitores de acessibilidade para acessarem um site na internet. Afinal, em um HTML desorganizado e sem sentido, as informações contidas ali não serão compreensíveis para o leitor.

#PraCegoVer: acessibilidade para pessoas com deficiência visual

Ao navegarmos pelo espaço digital nos deparamos com inúmeras imagens. Mas você já parou para pensar como as pessoas com deficiência visual acessam essas imagens? E, ainda, como os profissionais que trabalham em websites podem tornar essas imagens mais acessíveis?

É nesse contexto que surge o movimento #PraCegoVer. A ideia é descrever as imagens – geralmente nas legendas – de forma detalhada, adicionando antes da descrição a hashtag #PraCegoVer.

E por que isso faz diferença? 

Tais informações podem ser lidas em aplicativos de audiodescrição. Esse recurso não é útil apenas para pessoas com deficiência visual, mas também com deficiência intelectual, déficit de atenção e dislexia.

Legendas em materiais audiovisuais

Os recursos para que os conteúdos audiovisuais sejam mais acessíveis são orientados por lei no país – Lei Brasileira de Inclusão, no 13.146/2015. A audiodescrição, janela de libras e legenda oculta são as alternativas recomendadas.

Para pessoas com deficiência auditiva, consumir materiais audiovisuais não é uma tarefa fácil. Em espaços digitais realmente acessíveis, o certo seria que todo o produto audiovisual possuísse uma janela de libras – espaço destinado para intérpretes de Língua Brasileira de Sinais – e audiodescrição. 

No entanto, essas opções são pouco utilizadas no Brasil por diversas razões, como falta de recursos e investimento. A alternativa é a legenda, que se torna essencial para uma maior acessibilidade do conteúdo, mas que, ainda assim, não é totalmente efetiva.

Palavras que conferem acessibilidade

A base do jornalismo são as palavras. Elas podem ser escritas, narradas e ouvidas.  O trabalho com a língua faz parte da rotina diária dos jornalistas.

Quando falamos em acessibilidade, abordar a relevância da língua é imprescindível.  Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas  46,6% da população de 25 anos ou mais têm até o ensino fundamental completo.

Nesse contexto, a acessibilidade também deve estar na escolha das palavras no jornalismo. Uma notícia desenvolvida em uma estrutura linguística gramatical muito rígida dificilmente vai ser entendida pela maior parte da população.

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E você, já acessou algum site com acessibilidade digital? Acha que a acessibilidade recebe a atenção devida nas plataformas digitais? Deixe o seu comentário! ✍🏻

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