24 de Abril de 2021 - 07h51

A importância da checagem de fatos para o jornalismo e para a sociedade

Por: Diário Popular

Como você julga a veracidade das notícias que lê por aí, seja online ou em jornais impressos? Você é do tipo que acredita fácil em qualquer conteúdo que aparece diante dos olhos ou sempre mantém um pé atrás quando uma manchete polêmica se destaca em meio a tanta informação?

Mesmo para os leitores mais ingênuos (ou preguiçosos), a existência das fake news é um fato incontestável. Até quem se “informa” exclusivamente em grupos de Whatsapp ou em posts de redes sociais sabe que há ações muito bem orquestradas para a disseminação da desinformação.

Então, o que podem fazer as pessoas que ainda se preocupam com a integridade do conteúdo que estão lendo?

  • Outra possibilidade - que dá mais trabalho, mas enriquece o processo de formação de opinião sobre o assunto - é a leitura do mesmo assunto em ao menos duas fontes distintas, de diferentes orientações político-ideológicas.  

  • A outra é ficar de olho nas verificações feitas pelas agências de checagem de fatos (ou fact-checking).

E é sobre essa última que iremos conversar agora.

De acordo com a Aos Fatos, 

A checagem de fatos é um método jornalístico por meio do qual é possível certificar se a informação apurada foi obtida por meio de fontes confiáveis e, então, avaliar se é verdadeira ou falsa, se é sustentável ou não.” 

Resumindo, você pode entender o fact-checking como um antídoto para a desinformação/fake news ou, pelo menos, um remédio para evitar que o problema se espalhe.

Demorou! Por que só agora? 🤔

Você pode estar se perguntando: “Se a prática do jornalismo é secular, por que só agora surgiu a necessidade de termos empresas especializadas na averiguação das notícias?”.

Mais uma vez, recorremos à Aos Fatos para obter a resposta:

Da década de 2000 para cá, o dinamismo da internet fez com que etapas essenciais do método jornalístico fossem negligenciadas. Seja por conta do advento de coberturas em tempo real, seja por causa da diminuição da mão de obra disponível nas redações tradicionais, a checagem de fatos ante hoc (ou seja, feita antes da publicação) tornou-se etapa secundária da apuração e reservada apenas a grandes esforços de reportagem.

A diminuição da importância da checagem dos fatos mostra seus efeitos no nosso dia a dia. Afinal, quando o gato sai de casa, os ratos tomam conta. As duas últimas décadas facilitaram o caminho para quem quer dizer o que bem entender - seja a pequena distorção de um fato ou um absurdo completo - sem que haja a devida responsabilização pelo ato.

Preparamos uma lista de sites que podem ajudar você a filtrar os conteúdos que merecem a sua confiança ou, pelo menos, para dar uma conferida nas notícias que te deixaram com a pulga atrás da orelha.

As principais iniciativas de checagem de fatos no Brasil

A seguir você conhecerá 10 das principais iniciativas brasileiras de checagem de fatos, listadas nos sites Guia do Estudante, Inova Social e Portal Imprensa

Agência Lupa

É considerada a primeira agência de fact-checking criada no Brasil. Fundada em 2015, a Agência Lupa é incubada no site da Folha e do UOL, mas afirma não ter vínculo editorial com esses portais.

A Lupa usa 9 diferentes etiquetas para classificar as notícias, entre elas “falso”, “verdadeiro”, “contraditório” (quando a informação divulgada é contraditória à outra difundida pela mesma fonte anteriormente), “ainda é cedo para dizer”, “insustentável” e “de olho”, quando o conteúdo está em monitoramento. 

Aos Fatos

A agência Aos Fatos começou em 2015, mesmo ano da Lupa. É baseada no conceito do jornalismo independente e conta com o financiamento coletivo de apoiadores (crowdfunding).

São dois os principais critérios de escolha dos conteúdos a serem checados: terem como origem uma autoridade pública ou um alto engajamento nas redes sociais.

Boatos.org

Sua plataforma é atualizada diariamente por - como eles mesmos definem - “uma equipe de jornalistas ávidos em descobrir a verdade”. A Boatos.org  conta com uma área exclusiva para combater as fake news sobre a COVID-19.

Comprova

Financiada pelo Google News Initiative e pelo Facebook Journalism Project, a Comprova reúne 28 jornalistas de diferentes veículos de comunicação e conta com parceiros como Estadão, Exame, Nexo e Nova Escola.

A iniciativa adota a técnica do cross-checking, na qual as informações são checadas por, pelo menos, 4 redações diferentes. 

E-Farsas

Apesar de ter um foco maior no entretenimento, o E-Farsas possui um dos maiores acervos de checagem do país.

Estadão Verifica

Blog que faz checagem de fatos e desmonte de boatos, com a intenção de "conter a disseminação de conteúdo falso com potencial nocivo para a sociedade". Em abril de 2019, o Estadão Verifica tornou-se parceiro do programa de checagem de fatos do Facebook no Brasil.

Fato ou Fake

Serviço de checagem oferecido pelo grupo Globo, o Fato ou Fake usa 3 tipos de categorias: “fato” (conteúdo totalmente verídico), “não é bem assim” (quando o conteúdo está incompleto, exagerado ou parcialmente verdadeiro, exigindo mais contextualização) e “fake” (quando o conteúdo não se baseia em fatos comprovados). 

Com foco nas notícias em destaque nas redes sociais, seus jornalistas investigam a origem do conteúdo e se as imagens realmente se referem ao que foi noticiado. 

Painel do CNJ

O Painel do CNJ foi lançado em 2019 por representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), das associações da magistratura e dos tribunais superiores e da imprensa.

A iniciativa, além de checar dados, realiza ações de alerta à sociedade sobre o perigo da informação falsa. 

O Painel do CNJ funciona mais como uma chancela das plataformas do que uma plataforma de checagem em si. Suas notícias são publicadas em sites parceiros, como Folha de S. Paulo, Estadão e UOL.

Truco

O Truco é o projeto de fact-checking da Agência Pública que escolhe as frases para checagens a partir das declarações de figuras públicas e boatos que circulam sobre os temas eleitorais. 

UOL Confere

O UOL Confere é uma iniciativa do UOL que tem como meta não apenas desmentir as fake news, mas também contextualizar fatos com dados e números, mostrando seus desdobramentos.

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Quer uma dica final?

Você já sabe que o DP leva a sério o escrutínio do conteúdo publicado. Afinal, estamos nessa há 130 anos, e com um público cada vez maior.

Caso você se depare com uma notícia que não te convenceu de primeira em outro portal ou rede social, dê uma conferida nesses sites de checagem. Assim você terá a certeza de que está formando a sua opinião de forma embasada, e não simplesmente reproduzindo um factóide criado por alguém com interesses duvidosos.

 

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