Estilo
Crônica

Renovando

20 de Abril de 2019 - 08h50 Corrigir A + A -

Por Maria Alice Estrella - malicestrella@yahoo.com.br 

Pode até ser uma forma do desenvolvimento de algum mecanismo de aprendizagem, que faz com que se processe, em mim, certo hábito de associar ideias e sentimentos a fatos reais e concretos.

Exatamente nesse período do ano, acontecem comigo, e a meu redor, mudanças, nascimentos, partidas. Tudo muito significativo porque se cria um paralelismo com a ocorrência da Páscoa.

O retorno à vida, o voltar de novo, têm um sentido de fim e de início. No fundo, assinalam que a esperança é o ponto forte de qualquer situação e de que os pequenos e grandes naufrágios da alma trazem à tona tudo o que sobrevive por força do que está determinado. Acreditar que a vida sobrepuja a morte é um desafio que só a fé sustenta. Ter fé é ter coragem em meio da fragilidade e das limitações inerentes ao ser humano. Precisa só saber se entregar nas mãos do Invisível sem receio maior. É impossível não sofrer. O diferencial é saber escolher entre abraçar a dor ou fugir dela através de subterfúgios enganosos.

E o resgate acontece no tempo de renascer. Voltar à vida. Deixar que antigos invólucros cedam lugar às transformações. Libertar a alma da escravidão dos limites. Encarar o que passou como etapa já cumprida e finalizada. Deixar de lado os resquícios do antes e abrir os braços para o agora.

Renascer traz implícito um retomar de novas posturas. Restaurar o que vive latente e submerso em labirintos invisíveis e requer cuidados muito especiais.

Renasço em cada abril numa comemoração particular. E não existe razão exata e definida para explicitar ou justificar de onde me vem essa maneira de encarar a realidade. Recebi um arsenal de bênçãos e me foi confiada a tarefa de utilizá-las. Cumpro, pois, com o que me foi confiado. Num parto que dói passo por uma metamorfose outonal que me transforma de larva em borboleta e me liberta do casulo de um ano para outro.
Em abril a renovação é um constante sinal de que a vida é inesgotável fonte de energia. Os ciclos se repetem num desenrolar natural e irreversível.

Agora, presencio mais uma Páscoa e deixo que velhas e amarelecidas folhas se apartem de mim para cederem lugar e espaço ao diverso, ao ressurgimento de tenras novidades. A celebração de mais um nascimento no meu seio de amor cumpre o ritual de renovação.

Afinal, Páscoa significa passagem. Passagem do velho para o novo, num ritual silencioso e produtivo, do que somos para o que seremos. E que assim seja!

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