Estilo
Música

Diversas sonoridades

A partir de segunda-feira (14), temporada de aulas e concertos começa em Pelotas com nova realização do Festival do Sesc

12 de Janeiro de 2019 - 15h01 Corrigir A + A -
Cidade irá respirar música ao longo de 12 dias (Foto: Flávio Neves)

Cidade irá respirar música ao longo de 12 dias (Foto: Flávio Neves)

Theatro Guarany recebe nove espetáculos; ingressos já podem ser retirados na bilheteria (Foto; Flávio Neves)

Theatro Guarany recebe nove espetáculos; ingressos já podem ser retirados na bilheteria (Foto; Flávio Neves)

Com repertório clássico, Sphaera Mundi Orquestra é atração da primeira noite (Foto: Divulgação)

Com repertório clássico, Sphaera Mundi Orquestra é atração da primeira noite (Foto: Divulgação)

A cidade está enfeitada com cartazes, totens e banners espelhados por diversos locais. A capacidade hoteleira encontra-se praticamente esgotada. Os visitantes não devem parar de chegar durante este fim de semana. Enquanto isso, o público retira seus ingressos com antecedência. Toda essa mobilização ocorre a cada início de janeiro em virtude do Festival Internacional Sesc de Música, um dos maiores eventos de música de concerto da América Latina. A partir desta segunda-feira (14), uma nova edição promete repetir o sucesso dos anos anteriores com uma série de cursos e concertos gratuitos.

"Diante de tantas ameaças à cultura, chegamos à nona edição fortalecidos", comenta o gerente de cultura do Sesc/RS, Silvio Bento, durante visita ao Diário Popular. Apesar da crise econômica nos últimos anos, o evento não deixou de ser realizado, comprovando o empenho da organização. O futuro, mesmo incerto, não desanima o diretor artístico Evandro Matté, que destaca o oferecimento de 60 espetáculo gratuitos, número recorde desde o início do festival.

O aumento pode ser creditado à participação de orquestras jovens de Minas Gerais, Piauí e Sergipe, que, além de aulas, realizarão apresentações dentro das atividades do projeto Festival na Comunidade. Os grupos já haviam integrado o evento na edição anterior, mas ampliaram sua estadia na cidade de uma para duas semanas. A presença culmina com um encontro das três orquestras em uma noite no Theatro Guarany.

Viés acadêmico
A edição 2019 permanece com a mesma estrutura. As aulas ocorrem nos turnos da manhã e da tarde. Desta vez, foram mais de 1,1 mil candidatos de diferentes estados e países na disputa de 400 bolsas. "Todo ano aumenta o número de inscritos, o que eleva o nível de exigência na seleção", avalia Matté. 

Uma novidade na grade dos cursos é a implementação do Choro, tendo foco no aprendizado de violão, acordeom, bandolim e cavaquinho, além dos sopros e percussão. Em 2018, a modalidade estava ofertada apenas como oficina. Ao total, esta edição dispõe de 24 cursos voltados para o ensino de diversos instrumentos musicais. O corpo docente será composto por 52 professores, oriundos de 14 nacionalidades. 

O período da tarde costuma ser dedicado aos ensaios para as apresentações no formato de núcleos (madeiras, cordas, percussão, canto e metais) ou junto da Banda Sinfônica Acadêmica. Ambas atividades ocorrem no Theatro Guarany. Também há a reunião geral da Orquestra Acadêmica no concerto de encerramento.

Imersão sonora
A abertura oficial da programação inicia-se nesta segunda-feira, a partir das 18h, com o tradicional cortejo musical, com saída do largo do Mercado Central e percorrendo as principais quadras do Calçadão. À noite, às 20h30min, a Sphaera Mundi Orquestra (POA) se apresenta no Theatro Guarany com repertório de gênios como Vivaldi, Handel e Bach.

Matté destaca outras atrações do festival, como a apresentação de Tangos: ontem, hoje e sempre, pela Orquestra de Câmara Theatro São Pedro, na segunda noite. Como solista, o argentino Carlos Buono, que pertenceu ao grupo de Astor Piazzolla, será presença especial no bandoneon. 

Na quinta-feira, 17, o teatro recebe o espetáculo Brasil sim senhor!, do grupo Yangos. Recentemente, o quarteto de Caxias do Sul foi indicado ao Grammy Latino pelo seu quarto álbum, Chamamé. Já no fim de semana, a praia do Laranjal recebe a Banda Sinfônica na sexta-feira, e a dupla de espetáculos O choro é livre e Jazz em concerto no sábado. 

O domingo tem como atração um palco no formato de estrado, montado no Parque da Baronesa. Uma maratona de recitais será realizada das 16h às 19h30min. A ideia, de acordo com Bento, é aproveitar o público que frequenta o local durante seu momento de lazer. 

No dia 24, a Banda Sinfônica Acadêmica será regida pelo maestro norte-americano Glen Hemberger e contará com o trompetista James Thompson, conhecido por sua participação na abertura das Olimpíadas de Atlanta, em 1996. O encerramento do Festival, sob a responsabilidade da Orquestra Acadêmica, terá como convidados o quinteto Voice In e o grupo Tholl. A despedida está marcada para ocorrer no largo do Mercado Central.

O LADO DOCE
Pela primeira vez, uma edição do festival recebe um slogan: "O lado doce da música". Esta foi uma forma de valorizar o título de patrimônio imaterial do Brasil concedido à tradição doceira de Pelotas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Também apresenta-se como uma possibilidade de reforçar a união do evento do Sesc com a cidade. 

Neste sentido, o material de divulgação desenvolve a relação entre esses dois prazeres de Pelotas, o doce e a música, através da fusão de uma queijadinha e da surdina de um eufônio, uma colher de pau e a campana de um trompete, um batedor de claras e o braço de um violino. 

Para o gerente de cultura do Sesc/RS, o trabalho contribui na ampliação tanto da visibilidade do festival quanto do turismo na cidade. "Pelotas acolhe muito bem os músicos e os turistas. Tem esse lado doce também", acredita.

Neste sentido, a cidade precisa aproveitar melhor a oportunidade de receber um evento dessa complexidade e desenvolver ações a fim de incentivar o turismo durante o mês de janeiro. O público presente nas atividades realizadas pelo festival, nos últimos anos, tem sido formado majoritariamente pela comunidade local. 

O secretário de Desenvolvimento, Turismo e Inovação Gilmar Bazanella acredita que é necessário utilizar o festival como ferramenta para trazer pessoas para Pelotas, podendo associar ao veraneio nas praias do Laranjal. Ainda assim, a realização movimenta bastante a economia do município, principalmente pela vinda de alunos, professores, convidados e equipe do Sesc, que gira em torno de 500 pessoas.

O LADO AMARGO
Nem tudo é açucarado na trajetória do Festival Internacional Sesc de Música. Atualmente, o evento enfrenta uma realidade amarga com uma possível restrição do governo às ações do Sistema S. O gerente Silvio Bento esclarece que o recurso do Sesc não é público. São empresários que realizam contribuições diretamente da sua folha de pagamento. 

Ainda assim, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o repasse deve sofrer cortes entre 30% e 50%. "Concretizando essa ameaça, teremos que reavaliar todos os setores, inclusive o da cultura, mas não queremos deixar de realizar o festival", fala. Para isso, será preciso um esforço coletivo entre prefeitura, universidades e empresas particulares a fim de viabilizar o evento. Talvez seja preciso rever o formato, com menos dias, atrações e bolsas. 

Conforme dados do gerente de cultura, somente em 2018 o Sesc realizou eventos artísticos para mais de três milhões de gaúchos. "Isso já justificaria nossos recursos. Tem cidades no interior do Estado que, se não for o Sesc, não acontecem ações de cultura. Além disso, realizamos distribuição de toneladas de alimentos", cita Bento. 

Enquanto a nona edição transcorre em sua integralidade, a realização de 2020, que totalizaria uma década de festival, apresenta-se indefinida. "Estamos imbuídos em fazer o nosso trabalho. Este é um dos maiores eventos da programação cultural do Sesc em âmbito nacional", almeja.

O quê: 9º Festival Internacional Sesc de Música
Quando: de 14 a 25 de janeiro de 2019
Onde: ações espalhadas pela cidade, conforme programação disponível em sesc-rs.com.br/festival
Ingressos: as apresentações no Theatro Guarany necessitam da retirada antecipada de bilhetes conforme cronograma: dias 14, 15 e 16/01 - retirada de ingressos para espetáculos de 14, 15 e 16/01; dias 14, 15, 16, 17, 18, 19 e 21/01 - retirada de ingressos para espetáculos de 17, 20 e 21/01; e dias 17, 18, 19, 21, 22, 23 e 24/01 - retirada de ingressos para espetáculos de 22, 23 e 24/01. Sugere-se a doação de um quilo de alimento não perecível. O horário para buscar os ingressos é das 9h às 12h e das 13h30min às 18h30min na bilheteria do teatro.

Comentários Comente

REDES SOCIAIS

Diário Popular - Todos os direitos reservados