Estilo
Retrospectiva

Como foi a cultura

Tradição doceira de Pelotas reconhecida como patrimônio imaterial pelo Iphan foi um dos destaques de 2018

22 de Dezembro de 2018 - 13h17 Corrigir A + A -
Iphan reconheceu tradição doceira do município (Foto: Infocenter DP)

Iphan reconheceu tradição doceira do município (Foto: Infocenter DP)

Ânima Cultural se tornou ponto de cultura pelo governo federal (Foto: Infocenter DP)

Ânima Cultural se tornou ponto de cultura pelo governo federal (Foto: Infocenter DP)

Festival Internacional Sesc de Música foi novamente um presente para a população (Foto: Infocenter DP)

Festival Internacional Sesc de Música foi novamente um presente para a população (Foto: Infocenter DP)

Difícil é fazer uma retrospectiva do ano cultural da cidade com a maior efervescência em termos de cultura no interior gaúcho. Os destaques são muitos, das questões relacionadas ao patrimônio, à abertura de novos espaços, o que também não deixa de ser patrimônio. O caderno Estilo tentou e aqui estão elencados alguns destaques de 2018, dentro deste segmento, em nível municipal.

É seguro dizer que o principal acontecimento cultural em Pelotas em 2018 foi o reconhecimento do Iphan em relação a duas características da cidade: a tradição doceira e o conjunto histórico, formado por quatro praças, um parque, a Chácara da Baronesa e a Charqueada São João.

A declaração como patrimônio brasileiro - material e imaterial, respectivamente - ocorreu em 15 de maio, após pedido da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e da Secretaria de Cultura de Pelotas. Durante votação do Conselho Consultivo do Iphan, em Brasília, o projeto foi aprovado por unanimidade. Assim, delícias como o quindim, o bem-casado, o camafeu e também doces de tacho, como a figada, fizeram com que a região fosse reconhecida como a Terra do Doce. Região, pois o reconhecimento se estendeu aos municípios de Arroio do Padre, Capão do Leão, Turuçu e Morro Redondo - juntamente com a cidade-polo, estes formam a Antiga Pelotas.

Dentro dos benefícios que o reconhecimento pode trazer, está a criação de um plano de preservação do modo de produção de doces, a partir de ações para manutenção e transmissão do conhecimento para as próximas gerações, bem como, a exploração do turismo na região.

Também relacionado ao resgate do patrimônio local, dois fatos foram marcantes. O primeiro foi a recuperação do Castelo Simões Lopes. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), o prédio teve em 2018 o início das obras de restauro que devem seguir até 2032, através de parceria público-privada entre a prefeitura de Pelotas e o Instituto Eckart, vencedor de licitação para uso criativo.

O prédio foi propriedade da família que dá nome ao local de 1920 a 1990, quando foi adquirido pela prefeitura de Pelotas e tornou-se o Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas (IHGPel), a Academia Sul-Brasileira de Letras, o Centro Literário Pelotense, a 26ª Região do Movimento Tradicionalista Gaúcho, o Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, a Guarda Municipal e um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Desde 2000, porém, está sem uso e sofrendo a ação do tempo.

Outra boa notícia relacionada ao patrimônio em 2018, foi a recente aprovação, por parte do Iphan, do orçamento para o restauro do Theatro Sete de Abril, um dos mais antigos do Rio Grande do Sul e o único público em funcionamento na cidade. O local foi interditado em 2010 pelo Ministério Público, por risco de desabamento, e em 2014 uma reforma recuperou o telhado do prédio. Desde então, porém, nada foi feito em termos de reformas.

Após longo trâmite burocrático que envolveu Secult, órgãos públicos, como o Corpo de Bombeiros e o Iphan, a primeira parte do projeto de restauro foi aprovada no início de dezembro, com orçamento dividido em duas partes: R$ 7,8 milhões para a parte de obras estruturais, e mais R$ 6 milhões destinados à compra de equipamentos - esta ainda precisará ser também aprovada.

Nos cálculos da Secult, a licitação deve ser lançada ainda em 2018, com as obras tendo início em março e se estendendo por 18 meses. A expectativa é de entregar o teatro de volta à população no final de 2020.

Eventos
Não faltou o que se fazer em Pelotas neste ano. Eventos públicos e privados, de música e teatro, passando até pelo cinema, ocorreram para todos os gostos em uma das cidades com mais efervescência cultural do Rio Grande do Sul.

E começou cedo, logo em janeiro, com a oitava edição do já tradicionalíssimo Festival Internacional Sesc de Música. Em 2018, 30 mil pessoas assistiram aos 50 espetáculos gratuitos espalhados por todos os cantos da cidade - sem contar as oficinas que foram ministradas pelo município. Foram 300 alunos inscritos em 24 cursos com profissionais renomados no mundo da música de concerto.

Um dos grandes destaques da última edição foi o encerramento, no dia 26 de janeiro. O largo do Mercado Central ficou tomado de gente interessada no espetáculo Trilha de Cinema, que contou com regência do maestro Evandro Matté; a Orquestra Acadêmica do Festival apresentou programa que passou por clássicos como O poderoso chefão, Grease e Footlose e novos sucessos como Piratas do Caribe.

O ano de 2018 também teve como destaque a segunda edição do Festival de Teatro de Rua de Pelotas (Teatrua). Em um tenso e dolorido período eleitoral, as montagens pelas praças e largos da cidade serviram como fôlego e resistência em forma de arte.

Entre os dias 17 e 21 de outubro, foram desenvolvidas diversas oficinas e peças de grupos pelotenses e de outras tantas cidades do Rio Grande do Sul. Logo no lançamento, o público teve a possibilidade de se emocionar com a performance de Lama, de Maria Falkenbach e Daniel Furtado, no meio da praça Coronel Pedro Osório. Houve ainda, na programação dos finais de semana, a encenação de Circo de horrores e maravilhas, peça com tradução em libras de autoria do grupo porto-alegrense Oigalê.

Foi interessante também perceber a chegada de diversas bandas internacionais em Pelotas no ano de 2018. Espanha, Colômbia, Áustria e até China estiveram por aqui, em uma proveitosa troca de experiências com os grupos atuantes na cena autoral da cidade.

Dentre todas, duas se destacam. A Struggle Session veio para Pelotas em junho, trazida pelo produtor Marcelo Rubira, e botou a baixo o Galpão Satolep. Já em novembro, a austríaca Nufo invadiu o Diabluras em uma grande celebração do underground. Ela dividiu o palco com as locais Marinas Found, Suburban Stereotype e Freak Brotherz. O evento foi também a consolidação do Movimento Apoie o Underground (AMU), como representante da luta de quem faz música própria no município.

Novos espaços
Conhecida pelos muitos e ao mesmo tempo poucos espaços culturais, Pelotas viu em 2018 o surgimento e o apagamento de diversas iniciativas cujo objetivo era servir de casa para as artes na cidade.

O mais célebre talvez seja o Ânima. Localizado na praça Coronel Pedro Osório em prédio que anteriormente abrigou o Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFPel, o local se tornou ponto de cultura via Rede Cultura Viva, do governo federal. Funciona como uma espécie de coworking e local de difusão cultural, promovendo programações de música, literatura, gastronomia, entre outros.

Apareceu como uma alternativa também o M-qd, que apesar de altos e baixos recebeu interessantes eventos, como uma feira gráfica, e foi o palco para novos projetos, como uma discotecagem semanal da DJ Helô com convidados, e shows memoráveis, como o que lançou o disco Alexitimia, da banda pelotense The Woods.

Mais voltado à cultura negra, o Omze também surgiu em 2018, na região portuária. Foi palco de shows de rap e de eventos, como o Slam das Minas, e buscou dialogar com diferentes formas de expressão, da música à moda, sempre de maneira contestadora. No início de dezembro, porém, o espaço foi fechado.

Comentários Comente

REDES SOCIAIS

Diário Popular - Todos os direitos reservados