Polícia
16-01-2010 | 15h06min
Pelotas
Brigada começa preparação para evitar violência no Carnaval
carolina@diariopopular.com.br
Nem só de folia é feito o Carnaval. Nos quatro dias seguidos de festas os foliões aproveitam para extravasar e acabam exagerando na bebida e muitas vezes caem na tentação das drogas. Ou então, os já usuários, consomem ainda mais entorpecentes. A Brigada Militar (BM) tem a consciência dos perigos desta época e começa a se estruturar, como em anos passados, para evitar a violência. No entanto, as operações policiais de 2009 não foram suficientes para combater crimes como o tráfico já que apenas um grama de droga foi apreendida.
De acordo com o comandante interino do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM) major Eduardo Perachi, as operações durante o Carnaval levam muitos policiais militares para as ruas e isso pode impedir as apreensões de entorpecentes. "Ninguém consome droga na frente de brigadianos", argumentou. Ainda segundo o major, a Brigada tem trabalhado no combate ao tráfico diariamente com a média de duas prisões por dia. Além disso opera com formas de prevenção através do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) voltado para crianças. "Fazemos ações de longo prazo para que daqui a sete anos o consumo de entorpecentes diminua. Até agora já trabalhamos com 1,2 mil crianças e pretendemos chegar a dois mil neste ano", afirmou.
O Major não se preocupa com a estatística do ano passado e afirma que o maior perigo do tráfico não está no Carnaval e sim ao longo do ano. "A explosão de crack não é exclusividade de festas", definiu. Os usuários de crack, que são a maioria dos dependentes químicos, enxergam em tudo a possibilidade de cometer um delito para comprar pedras. E assim assaltos e furtos já fazem parte do cotidiano. Mas, sendo época de folia ou não, a população está por todos os lugares e se torna uma aliada das forças policiais para denunciar os crimes à Brigada. "Precisamos que a comunidade nos informe", alertou.
No entanto, Perachi não ignora os perigos de drogados e bêbados no Carnaval. O major completou que a época é complicada e perigosa. "Muitas pessoas perdem a individualidade e começam a agir em grupo, o que pode gerar violência e conflitos", afirmou. As aglomerações, normais durante as festas, é outra preocupação policial. Já que os usuários de drogas se aproveitam do descuido dos foliões para furtar carteiras, óculos, relógios e qualquer outro objeto que suas vítimas carreguem. E a falta de senso crítico causada pelas drogas, e também pelo álcool, pode levar a tragédias como homicídios e acidentes de trânsito.
Para impedir o aumento do número de crimes durante o Carnaval, a Brigada mantém reuniões com a prefeitura desde o ano passado. O policiamento será reforçado na região da passarela do samba e haverá ações específicas de prevenção, as quais também incluirão o controle à venda de tóxicos. Além disso são preparados folders informativos que serão distribuídos durante os dias de festa.
Para a parte de combate estão sendo preparados 76 policiais que agora passam pelo curso de formação mas já estarão prontos para estagiar durante fevereiro. Os policiais da força de inteligência da Brigada também estão preparados para voltar suas atenções às denúncias que envolvam tráfico.
Lança-perfume
"Lança menina, lança todo esse perfume", a música de Rita Lee e Roberto de Carvalho embalou a geração que dançava nos anos 80, mas também era um hino para jovens usuários do entorpecente conhecido como lança-perfume. A droga, permitida nos anos 60, era jogada entre os foliões nos bailes de Carnaval. Mas quando foram descobertos seus malefícios e o poder alucinante, o lança-perfume foi proibido. No entanto, a droga nunca parou de ser usada.
Segundo o major Perachi, após sua proibição, o consumo da droga caiu drasticamente e o número de usuários não deve chegar a 1% da quantidade de consumidores do crack. Porém, todos os entorpecentes precisam ser combatidos. E embora não haja, nas estatísticas da BM, apreensões de lança-perfume no último ano, a Brigada reforçará a fiscalização em todas as regiões onde ocorram bailes de Carnaval.
E a prevenção será ainda mais intensiva em cidades do interior, onde a polícia percebe um interesse maior dos jovens em consumir o lança-perfume. O major complementa que o trabalho deste ano será para apreender a maior quantidade de droga possível e impedir os crimes de furto, roubo e contra a vida nos dias de folia.



