Cultura
02-02-2010 | 10h07min
Cinema
Pelotas tem poucas opções de filmes e muita reclamação
ricardo@diariopopular.com.br
Fragata, Tabajara, Esmeralda, Pelotense, Glória, Coliseu, Apollo e, mais recentemente, Capitólio. Do auge nas décadas de 60 e 70, com inúmeras opções de filmes e salas lotadas, ao completo abandono nos últimos anos. Aos poucos os cinemas de Pelotas sucumbiram à queda de público e fecharam, transformando-se em estabelecimentos comercias ou religiosos. Como resultado, pequena oferta de salas, poucas opções de filmes e muita reclamação por parte do público.
“Os filmes demoram semanas para entrar em cartaz em Pelotas, muitas vezes não entram e, às vezes, são dublados”, critica a estudante Juliana Rodrigues, que lamenta ainda a falta de uma sala de exibição 3D.
Para Maria Laura Rocha, que costuma ir ao cinema todas as semanas, o problema é a dificuldade de conciliar público e renda. “É comum a gente esperar um filme e ele não entrar em cartaz na cidade”, lamenta a estudante. “Mas é claro que o cinema não colocará em cartaz um filme que não tem público”, pondera.
O gerente da Arcoíris Cinemas em Pelotas, empresa que administra o CineArt, Geraldo Cortez Sica, explica que a programação das salas é escolhida em Porto Alegre, de acordo com o sucesso dos filmes nas bilheterias internacionais. “Quem define se o filme permanecerá em cartaz ou não é a procura do público”, argumenta. Segundo ele, filmes desconhecidos do grande público tornam-se inviáveis, pois demandam grande custo e não oferecem retorno financeiro. Assim, são os filmes de grande público que garantem a arrecadação do cinema.
Sica explica ainda que o faturamento é dividido proporcionalmente com as distribuidoras, o que, somado aos custos elevados que as salas demandam, encarece a exibição. “Temos que pagar impostos, salários de funcionários, luz e outras despesas”, justifica. Como exemplo, cita o Cine Capitólio, fechado em 2007 para dar lugar a um estacionamento. O cinema era muito grande, havia muito gasto e pouco público. No fim das contas, a arrecadação era menor que os gastos.
Além disso, segundo ele, a facilidade de acesso à internet e a pirataria diminuem a procura do público e prejudicam a arrecadação dos cinemas. O filme é lançado nos Estados Unidos e uma semana depois já está sendo vendido em Pelotas. As pessoas assistem ao filme antes dele entrar em cartaz.
Já a comerciante Virgínia Corrêa, que também recorre ao computador para procurar filmes, discorda. “Uma coisa não substitui a outra. Nada se compara ao cinema. Semana passada, por exemplo, assisti a um filme em casa e estou esperando ele entrar em cartaz para assisti-lo no cinema”, conta.
“O que se percebe é que normalmente existe muita coisa comercial em cartaz. Filmes desconhecidos ou alternativos não chegam aqui”, lamenta o estudante Michel Abelaria.
Tendência
Para Geraldo Sica, a realidade de Pelotas, que atualmente conta com apenas três salas de exibição localizadas no Shopping Calçadão, na Andrade Neves, segue uma tendência nacional: o fim dos cinemas de calçada. “Os grandes não têm mais espaço, pois custa caro mantê-los. Mas o problema de Pelotas é que não temos sequer shoppings, o que comportaria mais salas de cinema”, afirma.
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Concordo que um shopping ajudaria, mas na verdade não temos e não deveremos ter um pelo menos a curto prazo, justamente devido à mentalidade local e à falta de dinheiro da população em geral.
Rebeca - 03-02-2010 - 14h59min
Falta aqui empreendedorismo. Para ver Avatar 3D fui a POA. Esta é a tendência futura. Se não acompanharmos o progresso ficamos para trás, como vem ocorrendo aqui há mais de 20 anos.
Acorda Pelotas!! Quem vai vir aqui para comer doce e ver casarão antigo?
Temos que oferecer bem mais... -
A qualidade das salas é péssima. Bancos mofados, som deficiente, projeção ruim. A programação deixa muito a desejar. Filmes de sucesso, e bons, mas de menor apelo comercial não chegam à cidade. A sala 3 que seria para a programação alternativa é utilizada como as demais salas. Nos períodos de férias escolares o cinema pelotense se transforma num zoológico: nas nossas telas somente filmes de pinguins, abelhas, macacos, baleias, cachorros e outros animais representantes do reino animal.
Paulo Soares - 03-02-2010 - 14h12min -
É um fiasco!! Eu ainda não consegui assistir Lula Filho do Brasil!! Será que vou ter que ir até Lajeado assistí-lo????
Guina de Carli - 03-02-2010 - 12h45min -
Aqui em Pelotas, infelizmente, as pessoas têm este pensamento provinciano. Em todos os lugares onde há boas salas de cinema, o que se vê é lotação completa! Aqui o cinema fica vazio porque oferece acomodação, som e conforto ruins, e não porque há internet, pirataria ou equivalentes! O mundo mudou e não adianta ficar lamentando as mudanças! Temos é que acompanhá-las! A qualidade mantém um bom fluxo nas salas... Também concordo que um shopping ajudaria... por falar nisso, a quantas anda o nosso?
Eduardo - 03-02-2010 - 11h47min -
Concordo em parte com o que foi dito, porém, como explicar a boa atuação de salas em outros locais? Para ser sincero, acredito que deverá haver melhor qualificação dos filmes e das salas, que já estão deixando a desejar. Por outro lado, concordo que a ausência de shoppings e assemelhados (estacionamento e segurança) contribui para a menor procura da Sétima Arte. Sugestão: não seria conveniente ampliar os locais de anúncio dos filmes? Exemplo: cartazes em super-mercados e lotéricas?
Wladimir - 03-02-2010 - 11h39min -
Adoro ir ao cinema com minhas filhas, às vezes tenho medo de que as únicas salas que ainda nos restam fechem as portas. Aí acabam com a magia, com o encantamento, com o romantismo de uma tarde de domingo...
Patrícia Reis - 02-02-2010 - 13h34min



