CADERNO ESTILO
Turismo
Berlim, passado e presente em comunhão
Foto: Carolina Malhão - Especial DP
Difícil saber por onde começar a desvendar a capital
A organizada Berlim tem grandes traumas registrados na história. Primeiro os terrores do holocausto seguidos pela 2ª Guerra Mundial e a separação da cidade em duas durante a Guerra Fria: a oriental (socialista) e a ocidental (capitalista). Mas ao invés de deprimir, o passado da capital germânica a faz ainda mais interessante. Na cidade há grandes avenidas de comércio intenso com cafés e restaurantes sofisticados, transporte público que facilita, e muito, a vida do turista. Existem ainda prédios de uma arquitetura fabulosa e um dos pontos mais importantes: a cidade é segura.
Difícil é saber por onde começar a desvendá-la. A cidade pode ser dividia em regiões e ser aproveitada assim: um turno em cada lugar. Para iniciar, o entorno da avenida Kufursterdam, apelidada de Ku’Damm, é uma ótima pedida. Butiques e cafés com cadeiras na rua são uma opção para a primeira refeição do dia, já que muitos hotéis cobram separado o café da manhã, o que encarece as diárias. Também na avenida está a famosa Kranzler, cafeteria que está no último andar de uma galeria na esquina da Ku’Damm com a Joachimstrasser.
A poucos metros dali está a Kaufhaus des Wetens (KaDeWe), seguramente uma das maiores lojas de departamento do mundo. Com preços altos, mas não exorbitantes, os visitantes podem encontrar as marcas mundiais mais famosas. Entre elas está até a argentina La Martina. No total são 64 escadas rolantes e 26 elevadores.
E no final da Ku’Damm encontra-se uma das mais impressionantes vistas da cidade: a igreja Kaiser-Wilhelm, com sua torre semidestruída desde 1943. Para preservar na memória dos alemães e visitantes os terrores da guerra, nada foi reconstruído no local. Apenas ao lado da igreja foram erguidas duas torres modernas que abrigam as capelas atuais.
Caminhar
Para o viajante com tempo nada se compara à sensação de caminhar entre as ruas das cidades turísticas e acabar chegando a pontos um pouco mais desconhecidos, como a região turca de Büllowstrasse. Nesses lugares é possível conhecer melhor como vivem os habitantes das grandes e cosmopolitas capitais do mundo. Mas há momentos em que pegar um metrô ou um ônibus se torna inevitável. Para isso Berlim oferece um passe de 6,10 euros que pode ser usado em todos os transportes públicos da cidade por 24 horas. Caso prefira apenas um ticket o valor é de 2,50 euros. É bem verdade que nos metrôs não há catraca e os fiscais quase nunca são vistos, mas para evitar problemas o ideal é adquirir as passagens nas próprias estações, dentro dos ônibus ou então na portaria de algum hotel.
A noite chega cedo na Alemanha. Às 17h é noite fechada, principalmente no inverno. Por isso dedicar parte da tarde e esperar a noite chegar na região da Unter den Linden é um dos pontos altos. Principalmente na época de Natal, quando as árvores estão decoradas e iluminam o centro da avenida.
A Unter den Linden começa no mais fotografado monumento da cidade. O portão de Brademburgo foi erguido para celebrar as vitórias prussianas e hoje também abriga a sala do silêncio, ideia da ONU para evocar a paz mundial. A partir do portão, quem caminha à esquerda se depara com o gigantesco prédio do parlamento alemão, o Reichstag, que no topo ostenta a construção de uma moderna cúpula de vidro de onde se tem uma visão de 360 graus da cidade. A entrada é gratuita e, por isso, há fila para ingressar no parlamento. Mas à noite o tempo de espera diminui. À direita do Bradembugo está o Memorial do Holocausto. Um quarteirão inteiro foi construído com blocos de concreto baixos e altos, que formam um labirinto, em homenagem aos judeus mortos.
Confira na próxima semana a segunda parte da reportagem Berlim, passado e presente em comunhão
Por: Carolina Malhão - carolina@diariopopular.com.br

