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29-09-2009 - 13h31min

Lixo nas ruas

Por: Ana Cláudia Dias – anacl@diariopopular.com.br

Há duas semanas ao sair do Jornal no final da tarde presenciei uma triste cena: uma bonita e bem-vestida jovem largava uma sacolinha, a qual eu presumi fosse lixo, na calçada da rua 15 de Novembro esquina com a rua Doutor Cassiano. Assumo: trabalho no Diário há 14 anos e realmente não sei como funciona o recolhimento nessa região da cidade. Por trabalhar com Cultura diariamente, não tenho a mínima ideia em que horário isso é feito.

A garota talvez tivesse essa informação e soubesse que dali a poucos minutos sua sacolinha indesejada seria retirada das vistas da maioria da população. Só assim, na minha opinião, estava justificada tal atitude. Isso porque, se ela tivesse um pouquinho de boa vontade, era só atravessar a rua 15 em direção à Cassiano e colocar o descarte em uma coletora gigante que tem ali, poucos metros de onde ela deixou o material.

Fiquei imaginando o que poderia ocorrer se o pessoal desse serviço demorasse apenas meia hora, por exemplo. Nesse meio tempo, dependendo do conteúdo, um cão de rua poderia estraçalhar o pacotinho e deixar à mostra o que ela não queria mais ver. Do jeito que foi colocado, quase no meio da calçada, um distraído poderia chutá-lo feito bola de futebol para o meio da rua. Outra coisa horrível. E é claro há, infelizmente, os que vivem de encontrar no lixo a sua sobrevivência.

De qualquer forma aquele material corria o risco de, em poucos minutos, transformar-se na sujeira que se vê espalhada pelas ruas, entupindo bueiros e deixando a cidade com feio aspecto. É impressionante constatar: há muitas pessoas que ainda não se dão conta do problema que é o lixo urbano e qual o seu papel na proteção do ambiente em que vivemos.

Em recente série apresentada pelo Diário Popular, maravilhoso e contundente trabalho da jornalista Michele Ferreira, a colega convidou o leitor a várias reflexões sobre o assunto, uma delas dava conta do destino correto dos resíduos sólidos. Crianças de escolas públicas ensinavam: lixo não se joga a esmo no chão.

Fico triste de ver como há jovens que ainda não assimilaram tal fato. Foi na década passada que a palavra reciclagem entrou no meu vocabulário, graças, principalmente à consciência de meus pais. Em pleno anos 90, ainda morava com minha família em Rio Grande quando se começou a fazer o recolhimento seletivo do lixo. Logo pai e mãe aderiram à causa e foi instalado na minha casa, o que ainda existe, um recipiente para o lixo reciclável. Eles, já na terceira idade, não tiveram preguiça, nem preconceitos e refizeram hábitos arraigados há mais de 60 anos com a intenção de contribuir para a saúde do ambiente em que vivemos.

Lixo pode ser um problema para muitos e a solução para alguns. Por isso deve ser encarado com mais seriedade e responsabilidade, principalmente pelos mais jovens que passarão para seus filhos sua percepção e atitudes com relação a esse  assunto.
 

+ COMENTÁRIOS (1) comentário
  • Realmente, é um absurdo vermos atitudes assim vindas das pessoas, principalmente dos jovens. Fico indignada quando presencio cenas como essa. Onde está a conscientização das pessoas?! Depois que vem a enchente e deixa muitas casas debaixo d'água, todos lamentam, mas na hora de jogar lixo nas ruas, pouquíssimos se preocupam com tal situação.

    Milena - 30-09-2009 - 08h41min
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