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Economia com dia marcado
Por: Jarbas Tomaschewski – jarbas@diariopopular.com.br

Os supermercados de Pelotas habituaram - ou obrigaram - o consumidor a pagar o preço que desejam. Por trás dos mascarados dia da fruta amarela, dia do sabão em pó azul ou dia da abóbora de pescoço encontra-se um caso para o Procon. Alguém já parou para pensar por que o litro do leite é vendido a R$ 1,28 um único dia da semana e em todos os demais é encontrado nas prateleiras por um valor R$ 0,50 mais caro? O mercado dirá que a venda em grande quantidade justifica a medida. Bom, se é assim, a promoção deveria ser de domingo a domingo.
A concorrência, neste e em outros casos, não é oferecida diariamente. Dura apenas 24 horas e com uma margem de lucro mínima para o bolso das famílias. É só ligar a televisão segunda ou terça-feira à noite e confirmar. Um após o outro os supermercados entram nas casas com suas ofertas da manhã seguinte. O mesmo produto, independentemente do local, não registra diferença maior do que de R$ 0,05. Eu repito: isso não é concorrência.
As redes sabem quais os produtos não podem faltar em uma mesa e exploram esta necessidade dos lares como bem entendem. A fidelização é quase obrigatória. Quem tem disposição, tempo e automóvel para rodar quilômetros, de bairro a bairro, em troca de alguns centavos a mais no final do mês?
Certa vez escrevi no Diário Popular que Pelotas era carente de uma associação das donas de casas. Daquelas que batem panela na frente dos estabelecimentos e gritam contra os abusos, para que todos vejam. A de Goiás, por exemplo, joga em seu site na internet pesquisas mensais de preços, como o nome da rede e a variação do produto. Está lá, bem claro, para qualquer um escolher e tirar suas conclusões. A ONG também orienta: "Trocar balas em lugar de moedas é prática abusiva.”
Não existe fórmula mágica para o consumidor combater o alinhamento de preços enquanto a Justiça não decide entrar no jogo. Mas tornar público o abuso e unir forças é um bom começo. Quem sabe assim o dia da melancia torna-se o "dia do não compro mais aqui".
Foto: Infocenter DP – Moizes Vasconcellos


