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23-09-2009 - 09h08min

É preciso saber dizer não

Por: Tânia Cabistany – taniac@diariopopular.com.br

 



Dia desses quando me deslocava para o Jornal, no sentido contrário da calçada vinha uma mulher. Estava apressada e não me detive nela, a não ser porque me parou. Queria dinheiro. O pedido foi num tom que eu nem saberia descrever aqui, mas posso dizer que foi diferente. Não consegui decifrar, mas me incomodou e eu respondi do mesmo jeito. Disse não, mas tive o ímpeto de falar àquela pessoa ainda jovem, aparentemente saudável e até bem arrumada, que era a terceira vez que eu fazia aquele trajeto no dia e ainda teria a quarta ao final do expediente. Em resumo: corria atrás do dinheiro ganho a cada fim de mês.

Perda de tempo seria, pois nos deparamos todos os dias com crianças, jovens, adultos e idosos pedindo esmola nas ruas. Não estou fechando os olhos para a miséria, de forma alguma. Ela existe e está aí numa triste e dura realidade para milhares de pessoas. Mas, convenhamos, sabemos que para muitos é bem menos cansativo pedir do que encarar um trabalho. E embora não conheça a realidade daquela mulher, penso que joga no time dos que preferem tentar ganhar “algum” da maneira mais fácil.

Existe um rapaz pelo qual passo quase todos os dias. Da forma mais educada possível ele sempre me pede uma moeda. Muitas vezes abri a bolsa e colaborei com sei lá o que, pois se negasse me sentiria culpada por não ter ajudado um jovem como aquele. Mas a culpa vinha do mesmo jeito quando dava a moeda. Pensava ter colaborado para ele juntar e comprar droga. Tenho quase certeza se tratar de um usuário. Por isso, de um tempo para cá passei a dizer que não tenho.

Certamente não é um “privilégio” meu esse dilema. O que não falta na rua é gente pedindo. Até vale-transporte, afinal, é moeda de troca em muitos estabelecimentos. E você fica sem saber se age com o coração ou com a razão. Certa vez dei um vale-transporte para um senhor e em seguida o vi atravessar a rua rapidamente. Sabem onde entrou? Num boteco. Fiquei pasma. O vale não era para pegar um ônibus como havia me dito, mas para pagar um “martelinho”.

Por isso aplaudi a iniciativa do Ministério Público quando lançou a campanha Esmola não!. Existem outras formas de ajudar. Hoje em dia penso duas vezes quando me pedem. Prefiro dar o que comer, vestir, calçar, remédio se for o caso, do que dinheiro na mão. É difícil, mas penso que precisamos aprender a dizer não.

Foto: Infocenter DP – Diogo Sallaberry
 

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