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18-09-2009 - 09h24min

Procura-se um cinema

Por: Mônica Jorge – monica@diariopopular.com.br

O cinema é a oportunidade de, por alguns instantes da vida, mergulhar em um mundo fictício e esquecer por completo dos enredos da vida real. Rir, chorar, se assustar, viver diferentes emoções com personagens que de alguma forma nos identificamos. Mas para que ele funcione da forma devida, alguns itens são indispensáveis. Uma tela grande com imagem nítida, uma poltrona confortável em uma sala aconchegante e um som de grande qualidade são essenciais, do contrário, melhor assistir a um DVD atirado no sofá de casa.

Pelotas deixa muito a desejar neste ponto. Desde o fechamento do Pelotense e depois do Cine Capitólio, me pergunto se seria a falta de cultura do povo pelotense o motivo da falência destes espaços. Ainda não tenho a resposta exata, mas creio que não. Acho que um dos reais motivos, talvez o mais forte, é que apesar de já ter contado com mais de um local para a sétima arte ao mesmo tempo, a Princesa do Sul nunca teve um cinema de verdade (o nunca está diretamente relacionado ao meu tempo de existência).

Entendo a falta de interesse daqueles que nunca tiveram a oportunidade de conhecer um cinema de qualidade. O som, na minha opinião, é o ponto mais crítico do único estabelecimento do município. Além de ser totalmente abafado, não são raras as vezes em que as caixas de áudio começam a fazer ruídos de interferência e estalar no meio da exibição.

A minha deficiência auditiva (não escuto em um ouvido) nunca me atrapalhou em cinemas de qualidade, mas aqui em Pelotas fico extremamente dependente das legendas. Em filmes brasileiros o esforço é tremendo.

Já ouvi relatos de pessoas que foram ao local e tiveram de se dar por satisfeitas em assistir ao longa-metragem com um risco que dividia a tela. Mas este item se torna pequeno se comparado com a falta de conforto. Não falo das poltronas em si, mas da forma como são distribuídas. Sentar na primeira fileira de uma das pequenas salas pode ser o equivalente a levar um torcicolo de brinde para casa.

Minha crítica não é uma campanha para que ninguém mais vá ao único cinema restante na cidade e menos ainda uma tentativa de prejudicar o proprietário do estabelecimento, pelo contrário. Pelotas não é uma cidade tão pequena quanto muitos julgam e acho que a população merece um espaço decente. E para isso talvez seja apenas necessário mostrar que existe um público em potencial para frequentar o empreendimento depois de aprimorado.

Sei que o baixo poder aquisitivo diante do elevado preço do ingresso acaba por afastar algumas pessoas deste espaço cultural. Aliás, este também é um item que me preocupa, já que o valor pago se iguala ao de grandes cinemas da capital gaúcha. Mas também sei que a terra do doce está recheada de apaixonados pela arte, que frequentariam o local mais assiduamente se ele apresentasse as devidas condições.

Se o espaço fosse esplêndido, pessoas de cidades vizinhas com certeza fariam questão de contemplá-lo toda vez que viessem a Pelotas. Assim como eu e inúmeras pessoas que eu conheço, correm para o cinema assim que chegam a Porto Alegre.
 

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